Thursday, 30 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

Snowden dribla jornalistas em voo para Cuba

O técnico de informática americano Edward Snowden, o homem mais procurado do momento, deu um baile nos jornalistas que tentavam descobrir seu paradeiro. Pelo menos duas dúzias de repórteres tentaram embarcar em um voo de Moscou para Cuba, na manhã de segunda-feira (24/6), para acompanhar a fuga de Snowden, responsável pelo vazamento de dados sigilosos sobre o programa de vigilância de cidadãos da Agência de Segurança Nacional dos EUA, para onde prestava serviços.  

O técnico havia comprado um bilhete naquele voo, mas, para a frustração dos jornalistas, não apareceu. A situação piorou ainda mais quando os profissionais se deram conta, já com as portas do avião fechadas, que se tratava de uma viagem de 11h35m – e sem bebida alcoólica a bordo.

Snowden saiu do Havaí, onde morava, e partiu, em maio, para Hong Kong, de onde vazou as informações – divulgadas pelo jornal britânico The Guardian e pelo americano Washington Post. No último fim de semana, a imprensa internacional noticiou que ele teria voado até Moscou, onde teria comprado uma passagem para Cuba. As informações são desencontradas, mas, na terça-feira (25/6), o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Snowden não havia saído do aeroporto de Moscou e não seria extraditado.

Quando a realidade parece ficção

Não se sabe se Snowden pretendia mesmo pegar o voo para Cuba – especula-se que ele poderia ter se escondido em uma área do avião reservada ao descanso da tripulação. Uma coisa é certa: a história parece saída de um filme. Além de pagar caro pela passagem (cerca de quatro mil reais), os repórteres que correram atrás de Snowden no avião estariam usando visto de turista, o que os obrigaria a permanecer em Cuba por três dias.

Alguns jornalistas não puderam pegar o avião, supostamente por questões ligadas ao visto. Foi o caso de Ellen Barry, do New York Times, que tuitou: “Sou sortuda ou não de ter sido expulsa do voo 150?”. Quem não conseguiu embarcar ficou de “plantão” no aeroporto de Moscou, mas também não teve sucesso. “Na minha 16ª hora no aeroporto Sheremetyevo, estou começando a ver Edward Snowden em praticamente todo lugar”, escreveu, no microblog, Lidia Kelly, da Reuters.  

Uma conta no Twitter foi aberta em nome da poltrona 17A, que estava reservada para Snowden, e também trazia, de piada, mensagens sobre a situação no avião: “Recebendo diversos olhares irritados de jornalistas em volta de mim. Os prazos deles devem estar acabando. Além disso, não tem bebida aqui.”