Thursday, 30 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

Adeus aos privilégios

MONITOR DA IMPRENSA

INFORMAÇÃO ECONÔMICA

A área de negócios está em franco crescimento nos principais jornais online, divulgando informações financeiras de companhias de capital aberto. O futuro desenvolvimento dessa área estará vinculado à decisão de reguladores federais americanos de eliminar a prática de as companhias fornecerem informações que podem influenciar o preço das ações primeiro aos analistas, antes de liberá-las ao público.

De acordo com matéria de Dunstan Prial [Associated Press, 22/10/00], as novas regras da Comissão de Títulos e Câmbio americana estavam programadas para ser efetivadas em 24 de outubro. Com elas, se uma companhia expuser suas informações intencionalmente, terá obrigação de informar imediatamente as notícias ao público. Assim, elimina-se a vantagem que investidores maiores têm sobre investidores individuais.

Quando companhias de negociação pública precisam fornecer uma informação importante que pode afetar o preço de suas ações, como ganhos e aquisições, geralmente disseminam a notícia por veículos financeiros como Business Wire e PR Newswire. No entanto, nenhum dos principais serviços financeiros online esperam mudanças drásticas. Nem a PR Newswire, nem a Business Wire planejam aumentar a equipe.

IUGOSLÁVIA

Durante a vigência do governo de Slobodan Milosevic na Iugoslávia, a mídia estatal endeusava deliberadamente todos os seus movimento, enquanto os freqüentemente perseguidos veículos de oposição criticaram cada um de seus movimentos. Com o surgimento de uma coalizão que ainda se autodenomina Oposição Democrática da Sérvia, as regras mudaram.

Segundo matéria de Katarina Kratovac [Associated Press, 27/10/00], a mídia estatal do país, depois de 50 anos de comunismo e de Milosevic, está tendo problemas em traçar seu caminho. Mais da metade dos jornais, revistas e emissoras iugoslavos são de propriedade do governo e, após a mudança de líder, antigos editores-chefes foram substituídos por "comitês de crise". Renomados ou pouco conhecidos jornalistas que fizeram carreira aplaudindo Milosevic agora estão jogados às traças.

Alguns adotaram comportamento de simples transferência do costumeiro endeusamento: passaram a idolatrar o nome do novo presidente, Vojislav Kostunica. Nenhum veículo explicita melhor a confusão que a rede de TV Radio-Television Serbia, única emissora nacional e antigo pilar propagandístico do regime de Milosevic. Com 7.500 empregados, a emissora foi "liberada" por uma multidão que assumiu as instalações no dia 5 de outubro.

A programação da estação mudou desde então. Antigos hábitos morrem aos poucos e comentaristas parecem estar enfrentando problemas em atingir o equilíbrio certo entre objetividade e antigos hábitos de deferência aos poderosos.

No entanto, a menos que o novo governo decida vender suas ações do setor midiático e encontre compradores com verba suficiente, investidores podem estar relutantes em investir na mídia, cujo papel na corrupção e na repressão da era Milosevic só está sendo reconhecido agora.

ORIENTE MÉDIO

A cena horripilante do jovem Mohammed Aldura morrendo ao lado de seu pai durante um ataque na Faixa de Gaza foi transmitida para todo o mundo em outubro. Muitos atribuíram o crédito do vídeo a um "câmera francês", mas o homem que realmente filmou é um palestino de 45 anos chamado Talal Abu Rahma.

Rahma cobriu conflitos na região para organizações como CNN, France 2, além de possuir uma agência em Gaza utilizada por organizações noticiosas internacionais. Segundo matéria de Stephen Totilo [Brill’s Content, 12/00], figuras como Rahma são comuns. Muitos jornalistas e técnicos do Oriente Médio são palestinos e israelenses locais. Da mesma forma, o israelense Etti Wieseltier fazia parte da equipe de TV italiana que filmou a seqüência igualmente horripilante de um soldado de Israel sendo atirado pela janela para os braços de um grupo de palestinos, em Ramallah.

Em um ambiente tão polarizado, jornalistas locais geralmente encontram dificuldades em manter a objetividade durante um conflito sangrento. Inevitavelmente, o trabalho e as palavras do jornalista são embriagados pela propaganda de guerra que acompanha o conflito atual.

O vídeo da morte do garoto de 12 anos também foi "politizada". Rahma estava filmando o local havia cinco horas, desde 7h da manhã. Ele achou que crianças palestinas, ao ir para a escola, atirariam pedras em uma base vizinha do exército israelense. Ao meio-dia, quando se preparava para partir, foi iniciado um tiroteio. Junto com outros palestinos, Rahma permaneceu abrigado atrás de um mini-ônibus e, por cerca de 30 minutos, os Alduras – pai e filho – sob fogo.

Dado que Rahma está extremamente próximo ao conflito, não pode evitar percepções de que sua visão é tendenciosa. No mesmo local, em maio, ele foi atingido por tropas israelenses, com uma bala de borracha na mão.

Mídia trava batalha paralela

Os helicópteros de Israel encontraram um novo alvo: os transmissores da Voz da Palestina, emissora de rádio oficial das autoridades palestinas, a qual israelenses garantem que incitaram deliberadamente violência em massa e ódio étnico.

A Voz da Palestina, no entanto, voltou a ser transmitida ao anoitecer. Segundo matéria de William A. Orme Jr. [The New York Times, 24/10/00], o sinal foi restabelecido por transmissores emprestados por estações privadas. Agora, com transmissão simultânea em diversas freqüências FM com a maior audiência já vista, os boletins noticiosos, os comentários e a música de guerra tornaram-se trilha sonora onipresente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Como nas TVs estatais, os programas das rádios são regularmente interrompidos por cobertura ao vivo de algum foco de tensão com as tropas de Israel e elogios para cada palestino morto.

Comandantes militares israelenses disseram que esse tipo de cobertura tem provocado diretamente ataques contra seu exército. Israel tentou erguer outra arma contra emissoras palestinas: o cessar-fogo negociado pelo presidente Bill Clinton no Egito. Apesar do compromisso de cessar-fogo, diretores de rádios e TVs disseram que não foram consultados e nem se ofereceram a mudar o tom de suas transmissões. "Toda palavra que israelenses ouvem na Voz da Palestina, entendem como incitamento", afirmou Ibrahim Milhem, apresentador do programa Bom Dia Palestina, show popular de conversas por telefone da rádio.

Segundo oficiais militares e analistas de mídia, é de grande preocupação a Israel a cobertura escancaradamente nacionalista de palestinos. Talk shows nas rádios reverenciam a "resistência" palestina e condenam os "criminosos de guerra" israelenses.

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