Tuesday, 25 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Apesar das evidências

THE WASHINGTON POST

Recentemente o Washington Post publicou a carta de renúncia do conselheiro político da embaixada americana na Grécia, John Brady Kiesling, que não concorda com a invasão do Iraque pelos EUA. Ele escreve que não acredita mais que "defendendo as políticas do presidente esteja defendendo também os interesses do povo americano e do mundo". Em sua coluna de 16/3/03, o ombudsman do Post, Michael Getler, observa que, por si só, a saída de um diplomata de seu cargo não é algo muito importante. Contudo, aponta, o jornal falhou em não fazer matéria sobre o assunto, pois é um fato relacionado com a guerra contra Saddam Hussein.

Getler critica que o Post tenha falhado em cobrir o lado discordante da ação militar, dentro e fora dos EUA. Ele cita diversos acontecimentos que precisariam ter sido acompanhados ou ter tido mais destaque. Quando mais de cem mil pessoas foram a Washington protestar contra as intenções bélicas de George W. Bush, o diário colocou matéria apenas no caderno local, voltado para assuntos da região metropolitana. As grandes manifestações em Roma e Londres não foram citadas nos dias seguintes.

Apesar de enumerar mais de uma dezena de exemplos de falhas do Post em cobrir a movimentação contrária à guerra, o ombudsman afirma confiar em que o jornal não está sendo tendencioso como afirmam alguns leitores. Ele não acredita que a posição editorial favorável à invasão do Iraque esteja influenciando a parte noticiosa do diário.