Friday, 21 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Bia Abramo

TELENOVELAS & IBOPE

“A histeria dos números”, copyright Folha de S. Paulo, 16/03/03

“QUANDO estreou a nova novela ?das oito?, um suspiro de alívio parece ter partido da Globo e ecoado pela mídia em geral: depois daquilo que foi classificado como o fracasso de ?Esperança?, ?Mulheres Apaixonadas? começou bem em termos de audiência, manteve índices considerados aceitáveis, e, até agora, tudo indica que vá vingar, ainda tendo como parâmetro os números. A fórmula teria sido reencontrada e a novela ?das oito? estaria salva.

É curioso como o noticiário sobre TV espelha preocupações que deveriam ser das emissoras: em relação a ?Esperança?, praticamente não se falava em outra coisa a não ser na audiência e nos fatos e boatos sobre os atrasos do autor (ah, sim, e alguma coisa sobre a série de acidentes que marcaram as gravações). A novela, dizia-se, foi mal, pois não havia atingido os patamares obtidos pela antecessora, ?O Clone?. Olhando mais de perto, a impressão que se tem é de que, na verdade, o quadro não é tão pavoroso assim. No 177? capítulo, na média geral (ou seja, calculada desde o primeiro capítulo), ?Esperança? registrava 38 pontos no Ibope, o que equivale a 56% dos televisores ligados naquele horário (o ?share?).

Enquanto isso, ?O Clone? registrava 45 pontos de média geral no Ibope (66% de ?share?), na mesma marca do 177? capítulo. Essas diferenças devem lá fazer algum sentido para quem é dono do dinheiro. Mas, e para o espectador, fazem? A resposta, dada a histeria de concorrência que parece ter assolado a Globo, é afirmativa. Em nome dessas diferenças que só deveriam preocupar executivos regiamente pagos para isso, novelas são encurtadas, mutiladas e sofrem intervenções estapafúrdias. Além de ?Esperança?, em que a emenda não melhorou em nada o soneto, ?Coração de Estudante?, uma daquelas novelas caseirinhas, transformou-se em um grotesco imbróglio pornô-soft, e a ótima comédia ?As Filhas da Mãe? teve sua duração drasticamente reduzida.

Os ibopes dessas novelas não foram acachapantes, mas deveriam ser? Será que isso quer dizer que o público rejeita em bloco tais estilos -dramas de época lentos, comédias românticas ingênuas ou chanchadas com um pé no nonsense- ou aponta qualquer outra coisa que não tem nada a ver com as opções dramatúrgicas, estéticas e técnicas de um formato? Em outras palavras, há uma relação direta entre o gosto do público e os números?

Novamente, sim seria a resposta automática e falsa. Talvez até soasse verdadeira, se estivéssemos no Brasil dos anos 70, em que se costumava pensar no público de forma homogênea com melhores resultados, mas não se pode esquecer que, neste período, a Globo detinha algo muito próximo do monopólio do entretenimento, ou seja, aquilo que a Globo ditava tornava-se o gosto e traduzia-se em números por falta de alternativa.

Trinta anos mais tarde, é ainda mais falaciosa. No terreno dos meios tecnológicos, apareceram novas formas de entretenimento, como o videocassete, a TV por assinatura, o video game, a internet e o DVD. Isso sem falar nas modificações sócio-econômicas, que culminaram, por exemplo, com a explosão do consumo entre as classes D e E durante o governo FHC (embora aí resida uma armadilha, perigosíssima, que atribui à chegada das classes populares ao mercado todos os males relacionados à qualidade, sem lembrar que, em tempos de capitalismo feroz, a ordem é fazer mais por custo menor, de papel higiênico a novelas).

O Brasil, portanto, mudou, e fica difícil, se não impossível, falar em ?o público?, e arriscado, se não irresponsável, fazer quaisquer ilações sobre ?o gosto?, como se ambos, público e gosto, ainda existissem no singular.”

 

FANTÁSTICO

“Animais ?turbinam? ibope do ?Fantástico?”, copyright Folha de S. Paulo, 15/03/03

“Depois de ter sido superado pela primeira vez, em 2001, por ?Casa dos Artistas?, do SBT, o ?Fantástico?, da Globo, passa no início deste ano por seu melhor momento no Ibope desde 2000.

O programa registrou até o último domingo média de 36 pontos, com a sintonia de 56% (?share?) dos televisores ligados na Grande São Paulo, onde cada ponto equivale a cerca de 47,5 mil domicílios.

Em 2002, a média do ?Fantástico? foi de 33 pontos, com ?share? de 50%. Em 2001, teve média de 31 pontos (46% de ?share?) contra 34 pontos em 2000 (49%). Um dos principais responsáveis pela recuperação do ?Fantástico? são novas séries de dramaturgia e sobre natureza, como ?Planeta Azul? (sobre oceanos), no ano passado, e ?O Diário de um Alossauro?, já em 2003.

No último domingo, o programa estreou três novos quadros, sendo dois do gênero natureza. Os três foram as maiores audiências da edição, que teve média de 38 pontos. ?Bicho Solto?, sobre animais, emplacou 40 pontos e ?Homem do Tempo?, sobre natureza, teve 41. O terceiro quadro, ?Táxi?, com Pedro Cardoso, fechou com 42 pontos.

OUTRO CANAL

Tecnologia 1

O SBT vai transmitir os jogos da final do Campeonato Paulista, amanhã e sábado que vem, com som estéreo, como um diferencial das exibições da Globo. A emissora vai captar os sons das torcidas e dos técnicos de Corinthians e São Paulo e distribuí-los, separadamente, em cada um dos alto-falantes do televisor (esquerdo e direito).

Tecnologia 2

Promete o SBT ao telespectador que tem televisor estéreo a sensação de estar no centro do estádio. No ano passado, a Globo também fez transmissões de futebol em estéreo, mas desistiu porque considerou os resultados insatisfatórios.

Cruzada 1

O Ministério Público Federal de Minas Gerais ajuizou na última terça-feira ação civil pública, com pedido de liminar, requerendo a proibição da exibição, pelo ?Hora da Verdade?, da Band, de cenas de violência, de dramas familiares, de aberrações físicas e de ?aviltamento da dignidade da pessoa humana?.

Cruzada 2

Idêntica ação, em outubro do ano passado, foi movida contra os também vespertinos ?Repórter Cidadão? e ?Canal Aberto?, ambos da Rede TV!, e a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, concedendo liminar em vigor até hoje. A Band, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que só se manifestará quando for notificada.”

 

TV BANDEIRANTES

“?É difícil voltar para a Band?, diz Gallo”, copyright Folha de S. Paulo, 13/03/03

“Foi uma ?trombada a 200 km/ h? com Marcelo Parada (vice-presidente) que levou Rogério Gallo a se afastar da direção-geral de programação e produção da Band, na noite da última sexta-feira. A definição é do próprio Gallo.

?Tenho um projeto de TV. De repente, aparecem movimentos que não se encaixam na evolução do negócio, que não combinam comigo. Então estou fora?, diz.

Responsável pela implantação de uma programação popular, que colocou a Band em curva ascendente no Ibope, Gallo não aponta nenhum episódio como causa da ruptura. ?Existe conflito na maneira de conduzir o negócio. Não posso transformar minha vida em um inferno. Se continuasse, a próxima trombada seria a 500 km/h. Não quero parar em um hospital de novo?, confessa.

Em outras palavras, houve choque de comando com Parada, nomeado ?todo-poderoso? da área artística há menos de um mês.

Rogério Gallo diz que aceitou tirar férias, ?em um recuo estratégico?, e que vai cumprir contrato, até maio. Afirma que João Carlos Saad, presidente da Band, pediu para ele continuar. ?Acho muito difícil, mas não impossível.? Para isso, segundo Gallo, teria de haver uma definição ?muito objetiva, preto no branco? de poderes.

Na Band, no entanto, avalia-se que Saad já fez sua escolha por Parada. Por meio de sua assessoria, Parada afirmou que ?não discute assunto da empresa por jornal?.

OUTRO CANAL

Inflado

Assediado pela Record, Gilberto Barros, o Leão, assinou, anteontem, aditivo em que prorroga seu contrato com a Band por mais quatro anos. Com o novo acerto, vai praticamente triplicar seus ganhos, agora por volta de R$ 450 mil, e ter direito a um megacamarim, com hidromassagem. A Band não confirma valores.

Jabá

A Globo aceitou a proposta do governo gaúcho, que ofereceu toda a infra-estrutura, e volta a gravar a minissérie ?A Casa das Sete Mulheres? no Rio Grande do Sul (o que não estava previsto inicialmente), na última semana deste mês. Serão cenas de batalhas nas paisagens que o governador do RS, Germano Rigotto, quer divulgar para todo o Brasil (e para o exterior também).

Paredão 1

Tem novidade na reta final do, agora mais do que nunca, previsível ?Big Brother Brasil 3?. Amanhã, em uma prova com merchandising, será eleito o último ?anjo?. Mas, ao contrário do que vinha ocorrendo nas semanas anteriores, o último ?anjo? não dará imunidade a outra pessoa. Ele é quem terá imunidade no próximo paredão, dia 18. E só vai saber disso no sábado.”

 

TV GLOBO

“Globo suspende ?Fama? e aposta em festival”, copyright Folha de S. Paulo, 12/03/03

“Prevista para estrear em janeiro passado, quando foi adiada para abril, a terceira edição de ?Fama? deve entrar no ar, se isso ocorrer, só em dezembro ou no ano que vem. A produção do ?reality show? musical da Globo está suspensa, sem previsão de reestréia neste ano. A emissora já tem uma outra prioridade nessa área: um festival de música universitária.

Entre os principais motivos da suspensão de ?Fama?, que foi bem no Ibope em suas duas vers&otildeotilde;es, estão seu alto custo (os participantes são mantidos confinados em uma academia musical que é um resort) e a falta de espaço na grade da emissora. Seu horário original (sábados, 16h) será ocupado de abril até dezembro pelo Campeonato Brasileiro.

Outra possibilidade seria a exibição de ?Fama? aos domingos, como estava programado para janeiro último. Em abril, a faixa das 14h dos domingos fica vazia com o fim do ?Jovens Tardes?, mas deverá ser preenchida com os filmes da ?Temperatura Máxima?, que têm custo muito inferior.

Outro argumento contra ?Fama? é sua baixa repercussão no meio musical. A rigor, nenhum dos artistas que ?revelou? emplacou, ao contrário de ?Popstars?, programa semelhante do SBT.

Luís Gleiser, diretor de ?Fama?, se dedica atualmente a um projeto de festival universitário em parceria com a União Nacional dos Estudantes, para o segundo semestre.”