Saturday, 18 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1288

Censura ronda Hong Kong

MONITOR DA IMPRENSA

TACÃO CHINÊS

Willy Wo-Lap Lam, colunista político e editor do South China Morning Post, demitiu-se de seu cargo porque, segundo o jornalista, o dono do jornal não iria mais tolerar suas reportagens sobre os bastidores políticos de Pequim. Conforme apurou Mark Landler [The New York Times, 7/11/00], em 2 de novembro Lam perdeu o cargo de editor do caderno China, embora tenha mantido ua coluna política. Ele disse que o Post, jornal de língua inglesa líder de vendagem em Hong Kong, queria "despolitizar" sua cobertura sobre a China.

Em vez de artigos sobre intrigas políticas, o jornal passará a publicar matérias sobre estilos de vida. O Post disse que a medida "foi de ordem organizacional, para expandir e diversificar" a seção.

A demissão de Lam, considerado um dos maiores críticos do governo chinês em Hong Kong, fez crescer o medo de uma gradual asfixia da livre expressão na ex-colônia inglesa. Hong Kong possui garantias constitucionais que barram a censura da imprensa – de acordo com matéria de Verna Yu [Associated Press, 11/11/00]. Há duas semanas, o presidente da China Jiang Zemin castigou um grupo de repórteres de Hong Kong por fazerem perguntas que, segundo ele, demonstraram inexperiência e ingenuidade.

No mês passado, Lam foi alvo de vigilância interna na redação, depois de escrever que os principais líderes da China estavam abalados pela queda do presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, porque temiam ser os próximos. Lam disse que Robert Keatley, editor-chefe do Post reclamou que sua coluna havia "desnecessariamente exasperado a população".

Em junho, o colunista escreveu um artigo crítico sobre um encontro com um grupo de magnatas de Hong Kong, incluindo Robert Kuok, acionista majoritário do Post, e líderes chineses em Beijing. Lam dizia que Beijing encorajou os homens de negócio a apoiar Tung Chee-hwa, líder político amplamente impopular em Hong Kong, escolhido por Beijing para governar o território em sua nova era.

Kuok escreveu uma carta ao editor de seu próprio jornal criticando o artigo de Lam, afirmando-o "cheio de distorções e especulação". Lam manteve-se fiel ao conteúdo de seu texto. Keatley negou qualquer ligação entre o episódio de Kuok e o destino do colunista no jornal.

AJUSTE OPERACIONAL

O Wall Street Journal vai interromper suas seis edições regionais semanais, eliminando 34 empregos, para focar sua edição nacional – responsável por maiores taxas de anúncios.

Paul Steiger, editor-chefe do WS Journal, comunicou sua decisão à equipe em um memorando publicado em 15 de novembro. Steiger disse que o jornal encarou o dilema de expandir suas edições a, no mínimo, 48 estados americanos ou pôr fim a todas elas. De acordo com matéria de Seth Sutel, [Associated Press, 16/1/00], as seis edições cobrem 16 estados.

"Concluímos que pessoas, espaços e outros recursos envolvidos seriam melhor aproveitados no âmbito nacional e em publicidade", dizia o memorando.

Uma página inteira de anúncio em preto e branco, por exemplo, custa 11 mil dólares na região noroeste dos Estados Unidos, comparada a 155 mil dólares das edições nacionais.

Os 34 empregados continuarão trabalhando em outros setores do jornal até o final do ano. Além disso, estão sendo convidados a aderir a outros cargos abertos no WSJournal.

O Wall Street Journal é o segundo maior diário em circulação nos EUA, com 1,76 milhão de cópias – contra 1,78 milhão do USA Today, de acordo com a Audit Bureau of Circulations.

CUBA

O governo cubano anunciou que pela primeira vez em 40 anos dois jornal norte-americanos – o Chicago Tribune e o Dallas Morning News – teriam permissão para montar sucursais em Havana.

Embora a CNN e a Associated Press já terem sucursais em Cuba, a informação surpreendeu a comunidade jornalística, especialmente o New York Times e o Washington Post, que também tentaram abrir escritórios no país. Segundo o governo de Cuba, a exclusividade do Dallas Morning e do Tribune é facilmente justificada. "Os dois têm estado claramente a favor do aumento do embargo comercial dos EUA, mas essa não é a questão", disse Luis Fernandez, oficial de imprensa da Seção de Interesses Cubanos, em Washington D.C. "Foram os primeiros jornais a pedirem sucursal, e não lidamos com favoritismos."

No entanto, segundo matéria de Eric Umansky [Brill’s Content, 13/11/00], ambos fizeram mais que pedir – fizeram lobby pesado. Enviaram executivos das respectivas companhias e editores bem cotados em peregrinação a Cuba. Tentaram em vão encontrar com Fidel Castro. "Muitos jornalistas que foram para lá levavam garrafas de vinho e perfumes para o gabinete do Ministro do Exterior", disse Howard LaFranchi, chefe da sucursal da América Latina do Christian Science Monitor.

Os cubanos, provavelmente, também viram no acordo uma forma de vingança contra o anti-Castro Miami Herald, cuja equipe foi proibida de visitar a ilha. A sucursal do Tribune contará com um repórter do South Florida Sentinel, da Tribune Co., principal rival do Herald.

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