Sunday, 03 de March de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1277

Claudia Barcellos

DICIONÁRIO DE COMUNICAÇÃO

"Tudo que você sempre quis saber sobre comunicação", copyright Valor Econômico, 16/01/02

"Dicionário de Comunicação, De Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Guimarães Barbosa. Editora Campus, 816 págs., R$ 94,

Mesmo diante da crescente importância da comunicação na sociedade, poucos imaginam, por exemplo, que existam cerca de 50 tipos de marketing, que abrangem desde o de guerra e o comunitário, de produto, de revitalização, até o marketing viral – baseado na divulgação boca a boca feito pelos próprios clientes.

Os verbetes, ao lado de palavras recentemente incorporadas ao linguajar das comunicações, como ?roam?, ?spam?, ?visagismo? ou ?midiateca?, constam entre os sete mil agrupados na terceira edição do ?Dicionário de Comunicação?, recém-lançado pela editora Campus.

O dicionário é uma obra de referência no país, adotado em faculdades e utilizado para pesquisas referentes a qualquer das 23 esferas em que se divide a área de comunicação, entre elas jornalismo, lingüística e semiologia, cinema, artes cênicas, teatro, circo, show, internet, fotografia, telecomunicações e recursos audiovisuais.

Publicado pela primeira vez em 1978, pela editora Codecri, a mesma que editava o jornal ?O Pasquim?, o dicionário já vendeu cerca de 60 mil exemplares, merecendo seis reimpressões no período compreendido até esta nova edição – três delas pela editora Ática, que republicou o dicionário dez anos depois, em 1988.

Com a verdadeira revolução que tomou conta das comunicações, as edições anteriores ficaram evidentemente defasadas. ?Na primeira vez em que publicamos o dicionário, todas as palavras referentes à informática ficavam agrupadas no verbete ‘cibernética’. Na segunda, já registramos alguns dos avanços na área, mas essa edição tem dois mil novos verbetes relacionados ao tema?, explica o autor e consultor em comunicação Carlos Alberto Rabaça.

A elaboração do dicionário foi sensivelmente alterada de lá para cá, como conseqüência das grandes inovações tecnológicas ocorridas. Se na primeira edição os verbetes foram organizados em precárias fichas e ?caderninhos?, como relembra Rabaça, esta edição foi toda feita em computador, o que abriu novas possibilidades na organização do volume, com os recursos da editoração eletrônica.

Uma das novidades introduzidas na nova edição é o registro da tendência de aportuguesar palavras de origem estrangeira, como ?leiaute? , que vem seguido da explicação da proveniência inglesa ?layout?. Ambos os autores também tiveram a preocupação de abarcar, depois de um dado verbete, os significados diversos nas áreas da comunicação.

O dicionário foi além, mostrando as diferenças de significado existentes entre algumas palavras em Portugal e no Brasil. Secretária eletrônica, por exemplo, é atendedor de chamadas; o que aqui se chama de ?furo? jornalístico, em Portugal é conhecido por ?cacha?; telefone celular é telemóvel e hacker é ciberpirata, entre outros. Esse, sem dúvida, é um dos motivos que levarão a obra a ser lançada, nos próximos meses, na Universidade Autônoma de Lisboa.

?Nós quisemos esclarecer nossos leitores não só a respeito de questões de ordem técnica, mas também alertá-los sobre a importância da formação humanística dos profissionais de comunicação. Por isso incluímos verbetes sobre responsabilidade social, empresa cidadã e nova cidadania, entre outros assuntos relevantes ?, afirma o jornalista e professor Gustavo Barbosa, o outro autor do dicionário que estava esgotado havia três anos.

?A técnica evolui, mas o lado humano nem sempre e isso é uma de nossas preocupações centrais?, diz. Barbosa também foi o organizador de toda a parte de comunicação do ?Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa?, considerado o mais completo entre os dicionários brasileiros.

Ambos defendem a idéia de que a comunicação, sempre presente em todas as atividades humanas, tenha se sofisticado muito nas últimas décadas. Nova área do conhecimento humano, derivada das ciências sociais, a comunicação especializou-se rapidamente, perdendo sua unidade.

?O marketing, por exemplo, era apenas uma cadeira dos cursos de comunicação. As faculdades formavam profissionais mais polivalentes. Hoje, quase perdemos a noção de que tantas áreas constituam-se, na verdade, numa única, que é a comunicação social. E nosso dicionário busca, de certa forma, resgatar essa unidade do campo de estudo?, explica Rabaça.

Entre os próximos passos da dupla está o projeto de transpor o dicionário para a internet, na opinião deles o melhor meio para atualizar o conteúdo da obra, que só cresce a cada dia. Rabaça e Barbosa também devem produzir, em breve, um CD-ROM com os sete mil verbetes. O dicionário impresso foi concebido numa estrutura hipertextual, que leva os leitores a buscar outras palavras depois de consultar o verbete desejado. Por isso, ambos os suportes (internet e CD-ROM) permitirão maior facilidade e velocidade nas consultas.

Os autores buscam recursos para os projetos. Na elaboração do dicionário, sete empresas contribuíram com ?merchandising?. Elas aparecem nos numerosos exemplos ilustrados que se espalham pelas mais de 800 páginas do livro. Desse modo, entre os verbetes referentes a jornal, consta uma página de determinado jornal, que contribuiu com a nova edição. ?Mas isso não afeta a leitura nem o texto, não é simplesmente uma propaganda, é um conceito diferenciado?, esclarece Barbosa.

Eles adotaram o mesmo esquema desde a edição anterior do dicionário – e tudo leva a crer que venham obtendo um resultado bastante positivo, tanto para o dicionário quanto para os leitores."