Thursday, 22 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1275

Comunique-se

CRISE & DEMISSÕES

"GZM: 400 demissões e fim de 13 sucursais", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 8/11/01

"!O grupo de oito investidores (Banco Icatu, Olavinho Monteiro de Carvalho e outros), representado pelo fundo Worldinvest, deverá assumir nesta quinta (8/11) ou sexta (9/11) o controle da Gazeta Mercantil, com o desencadeamento do ?plano de reestruturação e modernização?, a partir da demissão de mais de 400 funcionários (eram 1500), entre os quais cerca de 150 dos atuais 760 jornalistas. 13 das 21 edições regionais e também o suplemento Por Conta Própria deixam de existir. No total, o custo da folha de pagamento é reduzido em cerca de 5 milhões de reais por mês.

A lista de demissões deverá incluir quase todos os jornalistas grevistas (a grande maioria em São Paulo), 19 dos 35 diretores e os correspondentes no exterior – o Comunique-se possui a lista dos demitidos em Brasília e Minas Gerais. Quem quiser autorizar a divulgação de seu nome, pode enviar e-mail para jornalismo@comunique-se.com.br. Somente no Rio de Janeiro 50 pessoas estão na lista, sendo que sete são jornalistas, segundo fonte no jornal. O departamento de telemarketing foi extinto e as áreas comercial e de marketing sofreram grandes cortes.

O ?plano de reestruturação e modernização? foi elaborado por uma equipe designada pelo Worldinvest, cujo dirigente, o diplomata licenciado Sérgio Thompson Flores, afirmou ontem: ?A estrutura do jornal ficou mais enxuta e a empresa se valorizou?.

Mas há vários problemas a serem resolvidos. O primeiro deles é que a Justiça Trabalhista examinará hoje a legalidade da greve e, se decidir em favor dos empregados, eles poderão se tornar juridicamente estáveis por um período de 60 dias. A GMZ pretende propor acordos a todos os demitidos com redução e parcelamento das indenizações. Dois líderes da greve, que pediram para não serem identificados, disseram a Comunique-se que ?os novos donos do jornal vão ter dificuldade em nos convencer que não têm recursos suficientes para não pagar o que o jornal nos deve.

Ö arquiteto do plano, pelo lado da Gazeta Mercantil, foi o seu executivo número 1, Aloísio Sotero. Luiz Fernando Levy, o atual principal acionista, não participou das negociações e sequer apareceu no jornal nos últimos dias. Mas manteve-se informado todo o tempo, instalado em um escritório no centro de São Paulo.

Tudo indica que está afastada a hipótese de que o Jornal do Brasil venha a assumir o controle da Gazeta, embora seu dono, o empresário Nelson Tanure, possa vir a integrar o grupo de investidores, inclusive com o dinheiro – 2,1 milhões de reais – que adiantou ä Gazeta para pagar á folha de pagamento.

Além da implantação do ?plano?, a outra exigência dos investidores – também já atendida – é que Luiz Fernando Levy deixe o comando operacional. E a grande questão agora é saber quem irá substituí-lo. Os investidores querem uma direção ?profissional e experiente?, como definiu uma fonte que acompanha as negociações. Chegaram a consultar a direção do jornal Estado de S. Paulo, mas Comunique-se ainda desconhece a posição da família."

 

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"Calma, ódio e esperança nas redações da GZM", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 9/11/01

"Jornalistas da Gazeta Mercantil voltaram ao trabalho às 14h desta sexta-feira (9/11). Eles se encontraram em frente à sede do jornal, em Santo Amaro (SP), todos vestidos de branco e soltaram fogos de artifício. Entraram juntos no prédio e, segundo fonte, trabalham normalmente. ?O clima está calmo demais. Dá até para desconfiar?, disse. A comissão de greve passou a cinco jornalistas a responsabilidade de acompanhar a reestruturação na empresa.

O TRT-SP reconheceu a greve dos jornalistas como não-abusiva. Segundo fonte presente à audiência, os grevistas têm estabilidade de 60 dias a partir desta quinta-feira (8/11). A GZM tem 48 horas para pagar todos os salários atrasados. Caso contrário, terá que pagar multa processual de 5% ao dia. Quanto ao FGTS, o TRT pediu ofício à Caixa Econômica Federal para ter conhecimento das pendências do jornal.

O clima na redação de São Paulo é ?tenso mas calmo?, como disse um dos grevistas a Comunique-se. Já um veterano explicou que continuou trabalhando, ?por achar que a greve não iria resolver os problemas dos jornalistas e iria piorar os do jornal, mas agora temos de nos aturar, porquesó assim chegaremos a algum lugar.? Os ressentimentos maiores parecem estar nas 13 sucursais fechadas, onde o pessoal trabalhou muito durante a greve para ajudar a manutenção do jornal e de um nível mínimo de qualidade editorial. Agora, com o fim dessas edições e os avisos de demissão, alguns jornalistas revelam grande irritação (?Foi uma grande sacanagem?, resumiiu e desabafou um deles) em relação à direção da empresa.

A decisão do tribunal só vale em São Paulo. Os jornalistas do Rio, onde, segundo o sindicato, houve 16 demissões. Nesta sexta, advogados do Sindicato dos Jornalistas do Rio pediram julgamento da greve no TRT-RJ, esperando obter, como em São Paulo, a declaração de legalidade. Só assim os grevistas admitiriam a possibilidade de voltar a trabalhar. No próximo domingo (11/11), integrantes da comissão de greve do Rio irão até São Paulo elaborar um texto com as principais reivindicações dos grevistas do Rio e de São Paulo. Esse texto será apresentado a Roberto Müller, diretor da GZM, em reunião que ocorre semana que vem.

Segundo o diretor do Sindicato de Brasília, Paulo Miranda, os grevistas também voltam ao trabalho nesta sexta. Eles não declararam greve e por isso não têm respaldo legal para a paralisação. Só nas regionais de Brasília, Goiânia e Mato Grosso, 22 jornalistas foram demitidos.

O diretor jurídico da Gazeta Mercantil, Aílton Trevisan, em visita à Argentina para negociar com jornalistas e gráficos grevistas, confirmou que jornalistas serão demitidos. Segundo pessoal da redação argentina, Trevisan anunciou ajustes estruturais nos dois países a fim de cortar custos e adiantou a redução na folha de pagamentos. Ele também disse que a GZM estuda uma redução salarial. (Leia Jornalistas & Cia desta semana).

Uma fonte próxima ao fundo Worldinvest, líder do grupo de empresários interessado na compra do jornal, confirmou que a exigência fundamental para o fechamento do negócio é um plano em que a viabilidade econômico-financeira da empresa fique assegurada. Por isso, será necessário um profundo corte de custos, especialmente de pessoal.

Por sua vez, o Jornal do Brasil acompanha tudo o que vem ocorrendo, interessado em se associar ao grupo de empresários liderado pelo Worldinvest e assumir o controle operacional. Como se recorda o empresário Nelson Tanure e Luiz Fernando Levy haviam acertado um protocolo de intenções, pelo qual Tanure adiantou 2,1 milhões de reais para pagar salários atrasados e assumiu o caixa e o comando comercial da empresa. Levy suspendeu esse acordo e reatou a negociação – que está em andamento – com o World Invest. Mas o prazo de duas semanas acabou no dia 2/11. Chegou a ser marcada uma reunião entre Tanure, Levy e o Worldinvest, que, segundo uma fonte próxima a Tanure, não ocorreu.

Apesar da demora, Nelson Tanure até agora não pediu seu dinheiro de volta. Calmamente aguarda que o Worldinvest decida se vai ou não dar todo o dinheiro necessário (calcula-se um mínimo de 20 milhões de reais)para o pagamento de salários e compromissos atrasados. Como disse uma fonte que conhece bem o estilo e o pensamento de Nelson Tanure: ?Ele acredita que só uma pessoa muito experiente no comando de empresas em situação aparentemente irrecuperável toparia essa parada. E os empresários representados pelo Worldinvest não têm esse perfil?.

Jornalistas e gráficos do jornal argentino Comercio Y Justicia receberam 70% do salário de setembro e voltaram ao trabalho. A direção do jornal fez a promessa de pagar os 30% restantes até sexta-feira (9/11). Caso o prazo não seja cumprido, os jornalistas farão nova paralisação.

Segundo informação dada pelos jornalistas argentinos, o diretor jurídico Aílton Trevisan prometeu considerar em igualdade de condições todos os funcionários da GZM, dizendo que quer evitar injustiças e avisando que a Gazeta vai cumprir o mesmo cronograma nas redações do Brasil."

 

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"Decisão só vale em S. Paulo. Rio vai à luta", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 9/11/01

"Jornalistas da Gazeta Mercantil voltam ao trabalho às 14h desta sexta-feira (9/11). Segundo fonte, eles se encontram em frente à sede do jornal, em Santo Amaro (SP), todos vestidos de branco. Prometem uma manifestação e entram juntos no prédio. A comissão de greve passou a cinco jornalistas a responsabilidade de acompanhar a reestruturação na empresa.

O TRT-SP reconheceu a greve dos jornalistas como não abusiva. Segundo fonte presente à audiência, os grevistas têm establidade de 60 dias a partir desta quinta-feira (8/11). A GZM tem 48 horas para pagar todos os salários atrasados. Caso contrário, terá que pagar multa processual de 5% ao dia. Quanto ao FGTS, o TRT pediu ofício à Caixa Econômica Federal para ter conhecimento das pendências do jornal.

Mas a decisão do tribunal só vale em São Paulo. Os jornalistas do Rio, onde, segundo o sindicato, houve 16 demissões, reuniram-se nesta quinta, às 18 horas, para decidir o que fazer. Nesta sexta (9/11), advogados do Sindicato dos Jornalistas do Rio irão ao TRT-RJ pedir julgamento da greve, esperando obter, como em São Paulo, a declaração de legalidade. Só assim os grevistas admitiriam a possibilidade de voltar a trabalhar. No próximo domingo (11/11), integrantes da comissão de greve do Rio irão até São Paulo elaborar um texto com as principais reivindicações dos grevistas do Rio e de São Paulo. Esse texto será apresentado a Roberto Müller, diretor da GZM, em reunião que ocorre semana que vem.

Segundo o diretor do Sindicato de Brasília, Paulo Miranda, os grevistas também voltam ao trabalho nesta sexta. Eles não declararam greve e por isso não têm respaldo legal para a paralisação. Só nas regionais de Brasília, Goiânia e Mato Grosso, 22 jornalistas foram demitidos.

O diretor jurídico da Gazeta Mercantil, Aílton Trevisan, em visita à Argentina para negociar com jornalistas e gráficos grevistas, confirmou que jornalistas serão demitidos. Segundo pessoal da redação argentina, Trevisan anunciou ajustes estruturais nos dois países a fim de cortar custos e adiantou a redução na folha de pagamentos. Ele também disse que a GZM estuda uma redução salarial. (Leia Jornalistas & Cia desta semana).

Uma fonte próxima ao fundo Worldinvest, líder do grupo de empresários interessado na compra do jornal, confirmou que a exigência fundamental para o fechamento do negócio é um plano em que a viabilidade econômico-financeira da empresa fique assegurada. Por isso, será necessário um profundo corte de custos, especialmente de pessoal.

Por sua vez, o Jornal do Brasil acompanha tudo o que vem ocorrendo, interessado em se associar ao grupo de empresários liderado pelo Worldinvest e assumir o controle operacional. Como se recorda o empresário Nelson Tanure e Luiz Fernando Levy haviam acertado um protocolo de intenções, pelo qual Tanure adiantou 2,1 milhões de reais para pagar salários atrasados e assumiu o caixa e o comando comercial da empresa. Levy suspendeu esse acordo e reatou a negociação – que está em andamento – com o World Invest. Mas o prazo de duas semanas acabou no dia 2/11. Chegou a ser marcada uma reunião entre Tanure, Levy e o Worldinvest, que, segundo uma fonte próxima a Tanure, não ocorreu.

Apesar da demora, Nelson Tanure até agora não pediu seu dinheiro de volta. Calmamente aguarda que o Worldinvest decida se vai ou não dar todo o dinheiro necessário (calcula-se um mínimo de 20 milhões de reais)para o pagamento de salários e compromissos atrasados. Como disse uma fonte que conhece bem o estilo e o pensamento de Nelson Tanure: ?Ele acredita que só uma pessoa muito experiente no comando de empresas em situação aparentemente irrecuperável toparia essa parada. E os empresários representados pelo Worldinvest não têm esse perfil?.

Jornalistas e gráficos do jornal argentino Comercio Y Justicia receberam 70% do salário de setembro e voltaram ao trabalho. A direção do jornal fez a promessa de pagar os 30% restantes até sexta-feira (9/11). Caso o prazo não seja cumprido, os jornalistas farão nova paralisação.

Segundo informação dada pelos jornalistas argentinos, o diretor jurídico Aílton Trevisan prometeu considerar em igualdade de condições todos os funcionários da GZM, dizendo que quer evitar injustiças e avisando que a Gazeta vai cumprir o mesmo cronograma nas redações do Brasil."

 

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"Comunicado: Gazeta Mercantil inicia processo de reestruturação", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 8/11/01

"A Gazeta Mercantil realiza hoje o primeiro e maior passo de um profundo processo de reestruturação administrativa para controlar custos e reduzir seu endividamento. O objetivo é preservar o maior capital da empresa: a marca Gazeta Mercantil e seu conteúdo de credibilidade e independência, que continuarão contando com cobertura e distribuição nacionais.

O controlador do Grupo Gazeta Mercantil, Luiz Fernando Ferreira Levy, adotou de forma corajosa e definitiva um caminho para esta inadiável reestruturação que será conduzida pela Worldinvest e implicará em mudanças substanciais na vida da empresa, que irão garantir, no futuro, que o jornal continue a crescer e a se fortalecer.

A Gazeta Mercantil continuará sendo o primeiro e único jornal brasileiro de circulação nacional, manterá cobertura jornalística nacional, otimizará a capacidade de produção de conteúdo e garantirá sua presença internacional, com uma empresa agora ajustada à nova realidade de custos e ao modelo econômico.

O ajuste visa honrar os compromissos com funcionários, fornecedores e demais parceiros. E honrar estes compromissos é a base do processo de reestruturação. O Grupo tem não só a intenção, que sempre teve, mas as condições efetivas, que às vezes não teve, de cumprir e honrar estes compromissos, entre os quais está o com seus funcionários, sem os quais a Gazeta Mercantil não seria o que é hoje e com os quais a empresa conta para mais este desafio.

O ajuste obedece a uma racionalização de funções e à implementação de uma estrutura mais moderna, com a centralização imediata das áreas de Conteúdo, Comercial, Circulação e Administração:

1. Ajuste interno com a eliminação de funções. A empresa desligará funcionários, obedecendo a critérios técnicos, estratégicos e organizacionais, promovendo um ajuste geral que não objetivou penalizar uma área ou pessoas específicas. O mais penoso do plano de reestruturação é o corte de pessoal, do qual não se pode fugir.

2. Redução do Número de Diretorias Administrativas. Serão mantidas 8 das atuais 18 diretorias administrativas.

3. Fusão de Unidades Regionais. A jornal manterá oito de suas atuais 17 unidades regionais e internacionais.

4. Fortalecimento dos Jornais Regionais. Os jornais regionais serão fortalecidos através da cobertura regional e não mais estadual, prevalecendo o conteúdo sobre uma base de assinantes mais ampla.

5. Reposicionamento e adequação de produtos. O semanário Por Conta Própria será incorporado ao jornal nacional. A Gazeta Mercantil Latino-Americana passará a circular mensalmente, fortalecendo os relatórios setoriais. Os jornais regionais, suplementos e relatórios reduzirão a largura, adotando o modelo ANJ, sem qualquer prejuízo do conteúdo.

Saudável financeiramente, a empresa terá condições de preservar o conteúdo, a credibilidade, o espaço institucional do jornal no mercado brasileiro.

Forte financeiramente, o Grupo Gazeta Mercantil terá várias alternativas concretas de capitalização já em discussão, com a entrada de novos sócios, que permitirão que a empresa retome sua trajetória vitoriosa.

Direção Gazeta Mercantil"

"?Gazeta Mercantil? reduz cadernos e funcionários", copyright O Estado de S. Paulo, 9/11/01

"O presidente da Worldinvest, empresa responsável pela reestruturação do jornal Gazeta Mercantil, Sergio Thompson Flores, disse ontem que a empresa está ?mais lucrativa a partir de hoje do que estava ontem, ao fazer ajustes, que não implicarão perda da qualidade editorial?. Os principais, segundo ele, são a redução de 18 cadernos regionais para 8, de 18 cargos de diretoria para 8 e a passagem da Gazeta Latino-Americana de semanal para mensal. Com isso, foram cortados 380 postos de trabalho, incluindo jornalistas."