Friday, 23 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1275

Estrela Serrano

DIÁRIO DE NOTÍCIAS

"O que dizem os leitores", copyright Diário de Notícias, 30/12/01

"A maior riqueza de um jornal são os seus leitores. Interessados, mas exigentes; duros, embora tolerantes; sempre informados e atentos, os leitores do DN analisam à lupa o seu jornal e enchem a provedora de mensagens, colocando-a perante a impossibilidade de responder a todas, em tempo razoável. Além dessa impossibilidade, acontece que a grande maioria sai do âmbito das suas funções, o que não significa que essas mensagens não sejam lidas com o mesmo interesse, sendo sempre remetidas à direcção do jornal para que lhes dê o destino adequado.

De entre as muitas mensagens recebidas uma grande maioria respeita à edição online do DN, focando aspectos que os leitores gostariam de ver melhorados, ou formulando críticas. A partir da remodelação da página, iniciada em 1 de Outubro passado, o número de mensagens aumentou significativamente. Nos primeiros dias, os cibernautas dividiram-se nas críticas e elogios às mudanças. Algumas das mensagens espelham sentimentos radicais: Os meus sinceros pêsames. O último jornal português que tinha uma edição decente na Internet morreu. Será recordado com saudade. Era muito bem elaborado, agradável de ?manusear?, simples e eficaz, arrumado, valorizador do texto, enfim, tinha um estilo, coisa que tanta falta faz. Que fizeram ao site? As letras são muito pequenas, faltam colunas de colaboradores.

Mas existem, também, elogios e sugestões: um passo em frente na imagem, no aspecto e na funcionalidade da informação. Uma verdadeira ?enciclopédia? diária na informação. Até aqui só acedia ao dn.pt uma vez ao dia, mas agora, com a actualização, provavelmente vou aceder para saber das últimas. Eu gosto muito da nova apresentação. Parabéns mas… porque é que não usam a entrada do print friendly format, em especial para artigos de opinião, à semelhança de outros estrangeiros?. Muito me congratulo por o DN online ter finalmente levantado o ?luto? carregado da página de abertura. O novo grafismo está quase perfeito e ao nível dos melhores. Mais agradável, muito mais funcional e rápido.

As maiores críticas vão para a impossibilidade de contactar os autores das notícias e dos textos de opinião. Os leitores do DN ? quer os da edição impressa, quer os da edição online ? querem contactar directamente com jornalistas e colaboradores e não com serviços sem rosto. Vejamos o que dizem alguns: só encontrei dois e-mails para contacto: o da Publicidade e o da Provedora. Será que fui eu que não procurei o suficiente ou será que o DN é um jornal algo autista? Desejava expressar a minha estranheza e decepção pelo facto de ser impossível dispor de endereço de e-mail na edição electrónica do DN, quer para endereçar mensagens ao seu director, aos diferentes redactores, ou aos que assinam artigos de opinião. Artigos de opinião ou editoriais deviam ser acompanhados de endereço electrónico. Prática corrente noutras publicações, por que motivo os endereços de e-mail não são facultados aos leitores das edições electrónicas do DN? Causa estranheza que as notícias que vão surgindo na edição online possam ser comentadas pelos leitores, não sendo tal possível com os artigos de fundo ou de opinião. Uma certa interactividade com o leitor terá efeitos benéficos para a qualidade e vivacidade da troca de ideias.

No que respeita à edição impressa, o maior volume de correspondência é de leitores que se manifestam sobre temas tratados nas colunas de opinião e de outros que enviam textos que gostariam de ver publicados. Também há estudantes e investigadores que pedem acesso a edições antigas do jornal para efeitos académicos e até quem ofereça os seus préstimos como cartoonista, gráfico, ou quem, pura e simplesmente, manifeste desejo de trabalhar no DN. Existe, também, um razoável número de mensagens sobre os brindes oferecidos pelo jornal. Este assunto provoca, por vezes, grande irritação. São, geralmente, problemas com a distribuição, como números de coleccionáveis repetidos ou em falta, em que os vendedores dizem que a culpa é do jornal e o jornal diz que a culpa é do vendedor, ou resultados de concursos que não saíram no dia indicado. As queixas mais frequentes vão para a falta de resposta do DN e a impossibilidade de conseguir contactar com algum responsável.

A provedora existe para atender as queixas e sugestões dos leitores mas não pode, nem deve, ser o único elo de ligação entre o jornal e os leitores e, efectivamente, não o é. De facto, os jornalistas contactam, diariamente, directa ou indirectamente, com variadíssimas pessoas, a maioria das quais, também leitora do jornal ? embora uma espécie especial de leitores, como sejam pessoas que servem de fonte de informação, quer sejam figuras públicas, quer pessoas anónimas (estas em muito menor número). Por seu turno, os serviços comerciais contactam com os seus clientes ? também eles, certamente, leitores. Qualquer desse tipo de leitores não terá razões de queixa do jornal. Mas a grande maioria dos que pretende contactar com alguém no DN sente uma grande frustração por não encontrar outros interlocutores, para além da provedora que, nos casos atrás citados, apenas pode acusar a recepção e encaminhar o correio. A provedora faz, pois, votos para que o Novo Ano traga um DN mais aberto ao contacto com os seus leitores.

Bloco-Notas

Agruras de um leitor. Jorge Lamarão, Ovar,13/10/01: Escrevi variadas vezes para os serviços do jornal para me responderem a esta simples questão: os resultados do concurso Panrico, que deveriam ser publicados no dia 12 do passado mês, não saíram? Nunca recebi resposta. Como acha que me senti ao ser assim desprezado? Um mês e meio depois. Jorge Lamarão, 13/11/01: Parece ridículo mas peço-lhe, mais uma vez, que reenvie este e-mail para quem de direito. Tendo procurado saber quando saiu o resultado do concurso Panrico ? ganhe um anel, disseram-me que foi na edição de 12 de Setembro, pág. 81. Tendo ido verificar, disseram-me que não existia tal página. Podem esclarecer-me?

O tamanho das letras. Maria Luísa Colaço, 21/11/01: Sou leitora assídua do DN online, o que faço todos os dias quando me levanto. Desde há uns tempos a esta parte vejo-me com sérias dificuldades para o ler, porque, desde que foi alterado o look do jornal (…) não é permitido alterar o tamanho do texto. Para quem tem, como eu, dificuldades de visão, porque a idade assim o prevê, os caracteres tão pequenos desmotivam-me e impedem-me de ter o prazer de ler. Será possível pensar nisto, porque certamente haverá muito mais gente da minha idade que precisará de aumentar o tamanho do texto e também não consegue? Um mês depois. Maria Luísa Colaço, 21/11/01: Dirijo-me a si pela segunda vez porque não sei a quem devo mais fazê-lo. (…) Será assim tão difícil (…) custará tanto configurar a página para ela responder ao pedido de alteração do tamanho do texto? Se não for, faça-me o favor de prover para que tal aconteça, contemplando o direito à leitura dos menos novos. Ou diga com quem devo falar. Como contactar? Maria, 9/12/01: Na impossibilidade de encontrar na V. pág os e-mails dos editores de cultura do V. jornal e da agenda cultural, ouso enviar-lhe material sobre o 7.? FINTA (…) Poderá reenviar estas informações a quem julgue ser mais indicado para as receber?

Cartoons. Firmino Meireles, 17/12/01: Não consigo descobrir os cartoons nesta nova versão web do DN. E eu que me habituei (…) a começar o DN pelos cartoons, agora tenho que começar pelas páginas cinzentas! Por favor, se é que tem algum poder, quer de facto, quer de persuasão, faça sentir (…) que banda desenhada não é um assunto demasiado acriançado para a figura secular do DN! Afinal, esta é uma página web ? séc. XXI.

Coleccionáveis. J. Campos Pereira, Oeiras, 17/12/01: Acho interessantes os coleccionáveis que distribuem, nomeadamente o ?Portugal ? Memórias das Cidades?, mas permitam-me um reparo: a identificação do ?saco de plástico? das fotografias não coincide com a informação da primeira página do jornal e o resultado são fotografias duplicadas que conduzem a que o vosso esforço para fidelizarem leitores e obras acabe por (…) não ser atingido. E há os aborrecimentos com os vendedores. Sugestão: identificação clara das peças a distribuir diariamente, com informação na primeira página do jornal."