Monday, 24 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Lasló Varga

INTERNET

“Legislação sobre internet ainda está sob estudo”, copyright Folha de S. Paulo, 26/03/03

“A Anatel ainda não sabe quando irá anunciar a legislação sobre o uso da internet na telefonia fixa e os termos das renovações de contratos das operadoras do setor. Esses são alguns dos principais trabalhos em andamento hoje na agência.

?O conselho diretor da Anatel está estudando todas as contribuições recolhidas nas consultas públicas. Cada uma precisa ser analisada detalhadamente?, afirmou Schymura.

A Anatel recolheu 1.043 contribuições sobre internet e 3.354 sobre os termos de renovação de contratos das operadoras. A consulta sobre internet foi encerrada no início do ano. O projeto inicial da Anatel proibia subsídios de operadoras de telefonia a provedores gratuitos.

Schymura disse que o projeto final vai determinar que sejam ?eliminados tratamentos comerciais discriminatórios? no setor. Ele afirmou que a Anatel tem se dedicado a estudar minuciosamente os casos. ?Se você soubesse o trabalho que dá para analisar todas as contribuições recolhidas…?, afirmou, ao ser questionado pela Folha sobre o assunto.

O ministro Miro Teixeira disse que em 30 dias anunciará como serão usados os R$ 3 bilhões do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações). ?O certo é que os recursos irão para a banda larga.? Para Miro, o contingenciamento de verbas do governo não prejudicará os planos do ministério.”

Anatel quer competição na internet

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) quer assegurar condições iguais de competição entre os provedores de internet. De acordo com Edmundo Matarazzo, superintendente de universalização da agência, isso será feito com contratos transparentes entre provedores e empresas de telecomunicações.

Pela proposta da agência, os provedores que pedirem números de acesso à Anatel terão de entregar cópia do contrato com a operadora de telefonia 30 dias antes de entrarem em funcionamento. ?O contrato será público. Não há mais contrato de gaveta ou desconhecido?, afirmou.

Ontem, a Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados ouviu, em audiência pública, representantes de provedores gratuitos e pagos, da Anatel e de usuários sobre a nova regulamentação de acesso à internet que está sendo elaborada pela agência.

Uma das questões debatidas durante a audiência foi a relação entre as operadoras de telefonia fixa e os provedores gratuitos associados a elas. Os provedores pagos argumentam que as operadoras de telecomunicações permitem que os provedores gratuitos não paguem pelo uso de sua infra-estrutura e que cobram dos pagos. Em contrapartida, as operadoras ganham receita com o aumento do tráfego proporcionado pelos acessos à internet.

Esse tipo de relacionamento, de acordo com Gil Torquato, diretor-geral de telecomunicações do UOL, levará, num primeiro momento, a um monopólio dos provedores vinculados às operadoras de telecomunicações. Num segundo momento estes provedores cobrariam o preço que desejassem. Isso acontece porque os provedores sem acordo com as teles pagam caro pela conexão que, segundo ele, representa aproximadamente 70% dos custos.

De acordo com a Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Internet, entidade que representa os provedores gratuitos), se houver monopólio das teles no mercado de acesso à internet, a produção de conteúdo ficará prejudicada. De acordo com dados dos operadores pagos, 90% da receita dos provedores vem do pagamento pelo acesso.

Ontem, o superintendente da Anatel voltou a dizer que os recursos obtidos com telefonia fixa não podem ser usados em outros serviços. ?Se houve transferências de recursos desvinculada das necessidades do serviço de telefonia, a empresa [de telefonia? pode perder direito ao reajuste de tarifas.?

Em dezembro de 2002, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico), ao analisar a compra do iG (gratuito) pela Telemar, recomendou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que o repasse das receitas das operadoras de telecomunicações deveria ser feito a todos os provedores, para que ficasse assegurada a concorrência.

Matinas Suzuki Júnior, co-presidente do iG, apresentou pesquisa sustentando que, caso não seja mais possível oferecer os serviços de provedores gratuitos à internet, 59% desses usuários não teriam como migrar para um pago.”

“Ações de setores visam aumentar acesso à informação”, copyright Folha de S. Paulo, 26/03/03

“A população mundial ultrapassa a casa dos 6 bilhões. Desse total, 605,6 milhões estão conectados na internet. Essa última estimativa não é precisa, mas é baseada em vários parâmetros, de acordo com o Nua Internet Surveys (www.nua.com). Essas cifras revelam que os computadores ainda estão restritos a universidades, empresas e lares de alta renda.

EUA e Canadá, Europa, Ásia e Pacífico são responsáveis por mais de 560 milhões de usuários que utilizam a rede em casa ou no trabalho. Um em cada três europeus usa a internet, de acordo com o www.analysys.com.

O fosso digital em países como o Brasil pode ser demonstrado em números: em setembro do ano passado, segundo o Nielsen Net Ratings, 7,77% da população tinha acesso à rede, ou seja, 13,98 milhões de habitantes.

Além de faltarem computadores e telefones, grande parcela da sociedade não é capaz de ler, escrever, preencher formulários e interpretar textos. Esses dados fazem parte de estudo realizado por Aloisio Sotero, professor da Universidade de Pernambuco e atual presidente do grupo InvestNews, a pedido do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Sotero aponta que, ?para fazer parte da nova economia -ambiente criado em decorrência da digitalização do conhecimento humano-, é fundamental o domínio da leitura e da escrita?. ?Quem não adquiriu essas habilidades está à margem do processo. É um excluído digital.?

O professor e executivo analisa que ?cabe ao BID dedicar atenção a projetos de apoio e financiamento para reduzir a exclusão de pessoas no novo mundo?.

Especialistas acreditam que a guerra contra a exclusão digital depende da união de esforços do governo (em várias instâncias), parcerias com empresas e investimentos em inovação tecnológica.

Correndo por fora, as organizações não-governamentais e comunidades têm tomado várias iniciativas para incluir populações carentes, com a criação de escolas de informática, em que a tecnologia é vista como um meio para educar o cidadão.

O acesso gratuito à internet é outra ação que permite entrar na rede sem ter de pagar a um provedor de acesso.

Na área da educação, as bibliotecas virtuais, com a oferta gratuita de centenas de títulos, são um empreendimento que ganhou importância no país.

Na opinião de Gilberto Dimenstein, membro do conselho editorial da Folha e criador do site Aprendiz (www.aprendiz.org.br), ?inclusão digital é sinônimo de alfabetização?. O mais importante, analisa Dimenstein, é usar o computador como forma de se expressar ?para habilitar o jovem a poder mudar sua comunidade?.

No setor privado, empresas de tecnologia já perceberam a importância de habilitar cidadãos. Microsoft e Hewlett-Packard vêm fazendo doações para ONGs, com o objetivo de massificar o processo de inclusão digital. ?Nossa visão é usar a tecnologia como instrumento?, diz Juarez Zortea, diretor comercial da HP.”

 

BUZZINA

“Cazé vai à guerra com humor que castiga”, copyright Folha de S. Paulo, 26/03/03

“Hora do jantar na república do Fome Zero. Musiquinha entediante do ?Jornal Nacional? toma conta do lar doce lar. ?Pam-pan-ran-pan-ran…? Os ditos adultos, ainda deprimidos por mais um dia de servidão humana, engolem, degustação automática, os biscoitos Globo do tédio tamanho família. Igualmente deprimido, o bom filho detona espinhas e vê a sua emissora jovem no quarto dos fundos.

Eis que surge o conhecido rapaz com cara de dublê de espermatozóide daquele filme sobre sexo de Woody Allen. Era a estréia de ?Buzzina?, noite modorrenta de segunda, novo programa de Cazé na MTV. E o careca, Chacrinha que trocou o bacalhau pela baderna política possível na TV, chama o garoto espinhudo para a geopolítica da guerra.

Cazé vai às ruas. Em reportagem denominada ?Dê um gás pela paz?, pede baldes e tonéis de gasolina para enviar para a América. Assim a guerra logo acabaria, satisfeita a ganância petrolífera de George W. Bush. A cada vasilhame de gasolina doado, prega, no tête-à-tête com os entrevistados em postos de combustíveis: ?Você evitará uma morte no Iraque?. Pedagogia do império.

O apresentador sabe tratar de temas aparentemente chatos sem carecer das alças da ?malice? que sustentam os salvadores do mundo. Agora retirem as crianças da sala, que vou gastar o latim: ?Ridendo castigat mores?. Ou seja: com o riso castigamos os costumes. O humor corrói.

?Buzzina? tem muito do ?Teleguiado?, antiga atra&ccediccedil;ão de Cazé na mesma emissora. A começar pela interatividade -essa coisa tão chata e excessiva no teatro e tão em falta na TV. Participação geral do garoto espinhudo ou da mocinha que já carece de Prozac (o sorriso do gato de Alice) para bem viver.

A boa nova é a vasta rede de repórteres. Qualquer telespectador pode mandar a sua matéria. O apresentador também distribui pautas entre estudantes universitários para a produção de reportagens. Cobertura da tragédia brasileira.

O ciberativismo é outra história que merece a atenção. Com a boa moral da natureza da internet: todos somos enviados especiais, como nos blogs, esses diários de guerras particulares que têm revelado bom jornalismo, além de uma literatura -pop ou barroca- de primeira linha. É o novo tesouro da juventude.”

 

TV RECORD

“Aos 50, Record abre baú em 6 programas”, copyright Folha de S. Paulo, 29/03/03

“Imagens históricas da TV brasileira, como os grandes festivais de MPB dos anos 60, voltarão ao ar em uma série de seis programas especiais que a Record exibe a partir de 28 de abril, em comemoração aos seus 50 anos, que serão completados em 27 de setembro.

Os especiais irão mesclar imagens de arquivo com depoimentos a ?rememorações? atuais. Por exemplo, os cantores Pedro Camargo Mariano e Luciana Mello irão ?reviver? o que Jair Rodrigues e Elis Regina faziam em ?O Fino da Bossa? (1965). ?Os programas serão shows no estilo das premiações exibidas na TV, como o Oscar, e contarão a história da Record de maneira randômica. Não serão temáticos nem cronológicos?, afirma Vagner Matrone, diretor do projeto Record 50 Anos, que inclui os lançamentos de um livro e DVDs.

Além dos festivais de MPB e de ?O Fino da Bossa?, serão exibidos materiais de ?Show em Si… Monal? (em que o cantor Simoninha irá homenagear o pai, Wilson Simonal, que o apresentava), ?A Família Trapo?, ?Jovem Guarda? (de Roberto Carlos), ?Troféu Roquette-Pinto? e ?Chico Anysio Show?, entre outros.

Roberto Carlos e Chico Anysio foram convidados a participar dos especiais, mas ainda não deram resposta à Record.

Os cinco primeiros programas serão gravados no teatro da emissora. O sexto será um show aberto ao público, em 27 de setembro.”