Thursday, 20 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Laura Mattos

MÍDIA & GUERRA

"Conflito vira ?reality show? na TV", copyright Folha de S.Paulo, 23/3/03

"Redes de TV norte-americanas estão avançando rumo a Bagdá junto com as tropas dos Estados Unidos. Convivendo 24 horas com os soldados, nos momentos de ação e de descanso, os enviados especiais estão dando um clima de ?reality show? às transmissões da guerra.

No front, repórteres acabam correndo praticamente os mesmos riscos que os militares.

Walter Rodgers, por exemplo, correspondente da CNN, quase foi vítima de um ataque iraquiano na última quinta-feira. Ele acompanha o 7? Regimento de Cavalaria, um dos mais importantes na ofensiva contra o Iraque. Estava ao vivo, quando bombas chegaram bem perto de suas tropas.

Nesse dia movimentado, Rodgers entrou várias vezes no ar, mostrando em tempo real a movimentação norte-americana no deserto do sudeste do Iraque, rumo a Bagdá. Mais duas pessoas fazem parte de sua equipe: o cameraman Charlie Miller e o engenheiro de satélite Jeff Barwise.

Os três seguem a bordo de um veículo próprio, um Humvee. Trata-se de uma espécie de van grande e quadrada, que lembra um pequeno tanque de guerra. O carro, que também é usado por norte-americanos nas ruas das cidades, tem tração nas quatro rodas e é ideal para trilhas com obstáculos muito difíceis.

Nesse caso, o transporte foi internamente adaptado, transformado em um estúdio móvel, capaz de captar imagens e editar reportagens. Para as transmissões ao vivo, Rodgers (como a maioria dos correspondentes internacionais) usa videofone. O aparelho, portátil, foi a novidade tecnológica do confronto no Afeganistão e tornou-se indispensável por ligar a câmera de vídeo a um satélite.

Quando os soldados param para descansar, é hora de entrevistá-los e, como nos ?reality shows?, de investir nos dramas pessoais. Em movimento, os militares são acompanhados por uma câmera portátil, que Miller segura na janela do Humvee. Por isso, essas imagens costumam ser tremidas.

Rodgers tentou descrever a sensação de estar ao lado dos tanques dos EUA, em um artigo para o site da CNN: ?Imagine uma onda gigante de aço cruzando o deserto do sudeste do Iraque. E imagine que a cada hora essa onda cresce em tamanho e número?.

Outro repórter da CNN que faz parte do chamado grupo de jornalistas ?embedded? (algo como encaixado, embutido) é Martin Savidge, que passou pela mesma experiência na Operação Anaconda, uma das maiores do conflito no deserto do Afeganistão.

Àquela época, no entanto, a presença de jornalistas em tropas foi eventual e não em grande escala e com a regularidade de agora.

Esse projeto foi organizado pelo próprio Pentágono e, pela pronúncia do termo ?embed?, já foi apelidado de ?na cama (?in bed?) com o Pentágono?. Não foram divulgados números exatos, mas chega-se a falar em centenas de correspondentes, incluindo repórteres de jornais, revistas e internet. Outra novidade foi a aceitação de jornalistas por agrupamentos do exército britânico.

A CNN não quis revelar quantos de seus funcionários estão com as tropas, nem quais regimentos acompanham. Larissa Pissara, assessora de imprensa da rede, sediada em Atlanta, afirmou à Folha que a decisão foi tomada ?por questões de segurança?.

A maior concorrente local da CNN, a Fox News, lista em seu site os principais jornalistas escalados para o esquema ?reality show?. Rick Leventhal e Oliver North estão com os fuzileiros navais (marines) e Greg Kelly segue a 3? Divisão de Infantaria.

Maior investimento

Apesar dos riscos, esse tipo de cobertura passou a ser o maior investimento das TVs norte-americanas, já que seus enviados foram expulsos de Bagdá pelo governo iraquiano (até sexta-feira, apenas Peter Arnett, da NBC, ainda permanecia na capital iraquiana).

De acordo com reportagem da revista ?Variety?, dos EUA, o Pentágono vem chamando de ?unilaterais? jornalistas excluídos do programa de acompanhamento das tropas que tentam fazer reportagens independentes no Iraque. Não o contrário."

 

"EUA e Iraque travam guerra paralela na mídia global pelo controle da informação", copyright Último Segundo (www.ultimosegundo.ig.com.br), 24/3/03

"O presidente do Iraque, Saddam Hussein, apareceu nesta segunda-feira num discurso aparentemente transmitido ao vivo pela TV nacional iraquiana elogiando a bravura de suas tropas contras os invasores que estariam sendo atingidos e prometendo vitória breve. Horas depois o general Tomy Franks, que comanda as tropas norte-americanas no Iraque, vem a público e diz que a resistência das tropas iraquianas está sendo ?esporádica? e que seus homens estão avançando rapidamente rumo a Bagdá.

Um dia antes, no domingo, a TV iraquiana exibia entrevistas com cinco prisioneiros norte-americanos e imagens de oito cadáveres, supostamente de soldados mortos perto de Nassiriya, cidade que anteriormente os EUA diziam estar sob seu controle. Os combates naquela região teriam deixado pelo menos 10 mortos, 12 feridos e 16 desaparecidos entre as forças ocidentais.

O governo americano reage e diz que a exibição do material seria uma ?violação às convenções de Genebra?, que determina que os presos sejam protegidos contra insultos e a curiosidade pública. Atendendo ao pedido, a maioria das redes americanas evitou divulgar as imagens. A CNN internacional só mostrou as imagens fora dos EUA. Dentro do país exibiu apenas as fotos. Só a CBS pôs no ar, por poucos segundos, um trecho da entrevista.

Até agora, a guerra pela informação tem sido tão importante e talvez até mais intensa que o conflito travado nos campos desérticos do Iraque. Mentiras, boatos, not&iacuteiacute;cias plantadas são meios de combate. Verdades ou mentiras podem virar armas.

Na primeira noite da ofensiva anglo-americana, quando se esgotava o prazo do ultimato dado a Saddan, rodava pelas agências a ?notícia? de uma suposta fuga de Tariq Aziz, o vice-primeiro-ministro iraquiano. Para desmentir a versão, Aziz apareceu diante da mídia em Bagdá, o que permitiu que ele fosse rastreado via satélite até uma instalação no subúrbio onde se reuniria com a cúpula do regime. Essa instalação tornou-se o primeiro alvo dos mísseis e bombas de precisão americanos, na chamada ?Operação Decapitação?.

Os nomes dados às operações, aliás, revelam a guerra de palavras existente dentro da guerra pela informação. As ruas de Bagdá tremeram. Os telespectadores viram uma cidade em chamas. Os norte-americanos o chamaram de ataque de ?Choque e Pavor?. De outro lado, eufemismos etéreos para a morte proliferam. Soldados são atingidos por ?fogo amigo?. Civis mortos são classificados como ?danos colaterais?. Até a maneira como o noticiário refere-se às tropas anglo-americanas é curioso. O termo mais utilizado tem sido ?forças de coalizão?, mas não raro lê-se um ?tropas aliadas? e não ?tropas aliadas dos Estados Unidos?, numa clara associação aos vencedores da Segunda Guerra Mundial. AP

No front político, o presidente dos EUA, George W. Bush, diz que sua missão é parte da luta contra o ?eixo do mal?, levada a cabo pela ?Coalizão dos Determinados?. Ele chama as forças norte-americanas de ?forças libertadoras?.

Mas Saddam parece já ter apreendido a enfrentar esse tipo de batalha. Em 1991, Saddam prometeu travar a ?mãe de todas as batalhas? contra o então presidente dos EUA, George Bush, pai do atual líder norte-americano. Agora, Saddam atacou o presidente atual, chamando-o de ?Bushinho.?

Guerra sem rostos

No redemoinho de fatos confusos, as primeiras cenas da invasão do Iraque foram surpreendentes, mas as imagens disponíveis revelam um olhar parcial da realidade por um a prisma inteiramente novo.

As imagens transmitidas mostram uma visão asséptica e tecnológica, com pouco suor e nenhum sangue ou lágrimas. Ataques a Bagdá são mostrados em tempo real. Imagens de explosões com imensas bolas de fogo e de edifícios bombardeados em chamas são repetidas inúmeras vezes. Do front de batalha, são enviadas imagens de soldados iraquianos com bandeiras brancas, de marines auxiliando colegas feridos e rasgando pôsteres de Saddam Hussein. Aparelhos com visão noturna mostram aviões decolando e mísseis Tomahwk sendo lançados. Mas imagens de iraquianos são raras.

?Quando vi o noticiário na TV, não parecia haver ninguém morto ou correndo risco de morrer?, disse ao NYtimes Amelie Hastie, professor de cinema e mídia digital da Universidade da Califórnia. ?Era como se não houvesse ninguém morando no Iraque?.

O professor titular da Escola de Comunicação e Arte da USP, Jair Borin, especializado em mídia crítica, lembra que em guerra ainda permanece o conceito de que ?a primeira vítima quando a guerra se inicia é a verdade?. A frase foi dita pelo senador norte-americano Hiram Johnson, em 1917, referindo-se à Primeira Guerra Mundial.

?Nesta guerra percebe-se um certo fascínio pela tecnologia. As imagens remetem a uma guerra mais espetacularizada e imagética, em detrimento ao sofrimento humano e a da destruição material?, afirma. ?Mas o desrespeito à verdade ocorre de ambos os lados?, ressalta.

Se por um lado, os EUA alega que Saddam está quebrando a convenção de Genebra, o professor lembra que inicialmente a mídia americana que acompanha os batalhões também mostrou imagens de prisioneiros iraquianos. ?Foram mostradas imagens de soldados americanos proibindo prisioneiros iraquianos de pegar água para lavarem suas mãos para poderem fazer suas suas rezas, o que para os muçulmanos é considerado uma humilhação?.

Segundo Borin, o que se percebe é um certo alinhamento da imprensa americana. Ele ressalta, no entanto, que a infra-estrutura de quem trabalha em tempos de guerra é muito difícil e depende dos exércitos. ?No momento que algum veículo começa a incomodar qualquer segmento, corre o risco de ser censurado ou expulso?, afirma.

Ele lembra que a rede de TV CNN foi expulsa de Bagdá. Agora, resta apenas um correspondente de TV dos EUA em Bagdá: Peter Arnett, da NBC, que trabalha como enviado da CNN na Guerra do Golfo. A estrela da cobertura da guerra contra o Iraque tem sido a emissora de televisão Abu Dhabi TV (ADTV). Com sede nos Emirados Árabes Unidos, ela gera imagens exclusivas da região do conflito para outras emissoras e agências de notícias, transmitindo informações e imagens direto de um estúdio dentro de Bagdá. AP

Certas informações não são comunicadas pelos jornalistas simplesmente porque isso poderia determinar o fim de sua cobertura. ?Numa guerra, a verdade só acaba aparecendo mais tarde quando se tem acesso aos locais de conflito e as versões anteriores são apuradas?, afirma. Em certos casos, a verdade fica em arquivos que demoram anos a ser abertos.

O jornalista Sérgio Kalili, da revista ?Caros Amigos?, que acompanhou os últimos dias que precederam a eclosão da guerra, afirma que a cobertura da imprensa internacional acaba sendo centrada na tecnologia, nas estratégias e na logística da guerra, em detrimento da população local. ?Redes como a CNN se gabam em dizer que o Pentágono confia na emissora a ponto de repassar planos secretos de operações militares?, afirma. ?Não é à toa que a CNN foi expulsa do Iraque. Ela é identificada como porta-voz do governo americano?.

Propaganda ideológica

Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela USP, afirma que não há uma guerra de verdade no Iraque, mas um massacre. ?Do ponto de vista de Bush, a ameaça não são as Forças Armadas iraquianas, desmoralizadas e abandonadas, mas a opinião pública mundial?, diz. ?Desconfie de todas as notícias. Boatos e rumores sobre morte, ferimento ou fuga de Saddam Hussein, seus filhos e altas figuras do regime podem ser verdadeiras, mas provavelmente são plantadas?, recomenda.

O plano inicial dos EUA consistia na mudança de lado não só da população iraquiana, mas do exército do país. Na guerra de propaganda ideológica, os americanos lançaram milhões de folhetos em árabe e desenhos sobre o Iraque, oferecendo o paraíso em troca da derrubada de Saddam.

Até agora, no entanto, no que depende das informações que passam pelos filtros de ambos os lados, ainda não dá para saber até que ponto a população civil coopera com as tropas de coalizão e com o governo iraquiano, nem ao menos o número exato de vítimas iraquianas, americanas ou inglesas.

Para Borin, a guerra da informação pode estar contribuindo para que a resistência iraquiana esteja sendo maior que a imaginada pelos EUA. ?Praticamente não há indícios de que a população esteja colaborando com as tropas de coalizão e se voltando contra Saddam?, afirma. Ele acredita, no entanto, que permanecido esse cenário as redes de TV e rádio iraquianas deverão ser alvos de ataques futuros. ?Isso poderia criar um colapso entre dirigentes e a população?, diz.

Kalili afirma que na guerra pela informação o Iraque também tenta capitalizar e influenciar a opinião pública internacional. ?A TV iraquiana mostra que o mundo protesta pela paz, que os soldados americanos estão morrendo, sendo capturados, que civis estão sendo atingidos e os iraquianos resistindo?.

Mas o Iraque também joga com a opinião pública. A foto de um menino iraquiano de 4 anos tomado por queimaduras, por exemplo, que foram divulgadas pelo mundo podem não ser resultantes dos ataques das forças de coalizão. De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras, os ferimentos têm ao menos seis dias.

Pelo poderio militar dos Estados Unidos, tudo indica que o Iraque só tem sua televisão e rádio operando normalmente porque os americanos decidiram não destruí-las. Da mesma forma, Bagdá dorme com as luzes da cidade porque os americanos não destruíram as fontes de energia elétrica. A mensagem americana é que eles são contra Saddam e não contra o povo, e estão empenhados em preservar a infra-estrutura do país e evitar o máximo possível vitimar a população civil.

A guerra pela informação torna-se ainda mais estratégica no momento em que as tropas de coalizão se aproximam de Bagdá. A resistência iraquiana em Bagdá tende a ser maior se houver uma motivação política ou social.

Segundo Kalili, apesar do medo, a população iraquiana demonstrava estar disposta a lutar pelo país e pelo seu presidente. ?Não entendiam porque um país estranho estava fazendo guerra contra eles. Perguntavam o tempo todo porque estavam sendo atacados?.

Os EUA certamente sabem dos riscos de um ataque urbano. A cidade não é o deserto. Em Bagdá estão concentradas as tropas da Guarda Republicana, único elemento das Forças Armadas em condições modestamente operacionais. Mas conflitos dentro dela implicariam um enorme número de baixas de civis e um desgaste na opinião pública mundial e mesmo nos Estados Unidos que talvez os americanos ainda não estão preparados para enfrentar."

"Guerra e verdade", copyright Folha de S.Paulo, 24/3/03

"Já se disse que a verdade é a primeira vítima das guerras. A constatação parece ser especialmente procedente no atual conflito contra o Iraque, depois que grande parte da mídia dos Estados Unidos, com destaque para as redes de televisão, abdicou de ser o ?quarto poder? para atuar como braço de apoio às políticas do Executivo.

Um estudo do noticiário das quatro principais TVs abertas dos EUA feito pela organização não-governamental Fair mostrou que, de 297 autoridades norte-americanas e estrangeiras entrevistadas sobre a guerra nas duas primeiras semanas de fevereiro, apenas 43 expressaram ceticismo sobre a conveniência do conflito.

Essa posição pouco crítica representa um risco não apenas para os mecanismos de controle que tornaram forte a democracia em Washington como também para a avaliação abalizada da guerra e do pós-guerra nos países em que a influência da mídia norte-americana é forte.

Como aconteceu na primeira Guerra do Golfo, em 1991, desta vez os governos dos EUA e do Iraque tomam medidas para filtrar as notícias do ?front?. Jornalistas ingleses e norte-americanos acompanham a ofensiva terrestre, mas têm divulgado sobretudo imagens da retaguarda da invasão. A diferença é que a imprensa dos demais países preparou-se para confiar menos em fontes oficiais de informação. Apesar de a Casa Branca ter advertido jornalistas para que deixassem o Iraque e de o governo iraquiano pretender intimidar os que lá se encontram, canais de TV e jornais, incluindo, no Brasil, esta Folha, optaram por enviar ou manter correspondentes em Bagdá.

O que se espera é obter uma visão o mais completa possível do conflito, escapando ao máximo dos golpes de propaganda de ambos os lados. Prevê-se, por exemplo, que os EUA queiram exibir evidências de que Saddam Hussein mantinha estoques consideráveis de armas químicas e biológicas, o que, sob sua ótica, justificaria o ataque. Até que ponto essas provas serão autênticas é uma das questões a serem examinadas."

"Redes de TV ignoram apelo popular", copyright Folha de S.Paulo, 24/3/03

"Nunca se viu tamanho descolamento entre governos, mídia e a vontade popular como se verifica na atual cobertura da guerra no Iraque.

As grandes manifestações pacifistas realizadas em Londres e em Nova York no último fim de semana mereceram pouca ou nenhuma atenção das emissoras internacionais de notícia.

Presas da cobertura in loco, as redes BBC e CNN permaneceram 24h no ar com notícias, imagens e comentários sobre os movimentos bélicos no Iraque, ignorando o apelo dos milhares de cidadãos que foram às ruas de várias cidades para deixar claro ao mundo que não concordam com a iniciativa de seus governos.

Uma fugaz reportagem da CNN sobre a imensa passeata convocada pelos parentes das vítimas dos atentados de 11 de setembro no World Trade Center, em Manhattan, deixou claro o desejo dos manifestantes.

Perguntada sobre a razão de sua participação, uma americana explicitou: ?Queremos que vocês coloquem no ar, para o mundo inteiro ver, que não concordamos com esta guerra?.

O pedido foi em vão. Um verdadeiro fosso vai se criando entre a cobertura tendenciosa dos acontecimentos pela mídia e a opinião pública.

As imagens aéreas mostraram uma multidão considerável. Mesmo assim âncoras não se aventuraram a avaliar o tamanho. Sem se comprometer, citaram estimativas dos organizadores, falando em 250 mil manifestantes em Londres.

O DW, canal alemão de TV, menciona 500 mil e se destaca na cobertura dada às manifestações da sociedade civil.

O silêncio da BBC, tradicional baluarte da televisão pública, é escandaloso. Da Inglaterra não ouvimos ninguém. Aparecem apenas imagens aéreas da multidão que supera o recorde da manifestação anterior.

Relatórios oficiais

De resto somos brindados com informações oficiais. Comandantes em seus uniformes de guerra fazem relatórios sobre os avanços das tropas dentro do território iraquiano.

Jornalistas que acompanham batalhões de seus países não têm muito como produzir informações isentas.

As imagens distanciadas, de câmera parada e planos gerais da Bagdá em chamas, colunas de fumaça que sobem, lembram as imagens dos atentados ao World Trade Center.

Lá, como cá, não vemos os ?detalhes? dos estilhaços, corpos, feridos. Como se a alta tecnologia fosse capaz de produzir guerras sem ferimentos.

A exceção fica por conta de imagens, também raras na TV brasileira, produzidas pela Al Jazeera, canal árabe, fonte de informação do lado de lá.

O sinal preocupante das forças incontroláveis que esta guerra pode vir a liberar vem com a notícia da entrada da Turquia no conflito, com uma pauta particular e local.

Pela primeira vez os Estados Unidos entram divididos em uma guerra. O oficialismo da televisão dificilmente conterá as manifestações contrárias ou movimentos desordenados de países e grupos de uma região historicamente explosiva."