Friday, 21 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Miopia de intelectualóides

CRIME ORGANIZADO

Jorge Luiz Verissimo (*)

Estamos frente a um absurdamente sério problema de segurança nacional, e parece que a sociedade e a mídia estão tratando a coisa com hipocrisia e medo de admitir seus próprios erros. Há cerca de 30 e poucos anos, a expressão "segurança nacional" era utilizada para atemorizar a população e justificar uma série de violências contra ela, intelectualmente postada à esquerda da política.

Era muito fácil meter os estudantes e intelectuais na cadeia e até torturá-los. Por causa disso, o senso comum da população foi guiado pelos intelectuais que sobreviveram a esta barbárie, no sentido de estar com o ânimo sempre contrário às Forças Armadas e à polícia em geral. Coisas não permitidas e complacência da alta sociedade com boyzinhos e girlzinhas metidos com drogas era tolerável como forma de liberdade democrática às avessas.

Esse comportamento, aliado às crescentes desigualdades sociais de nosso país, com a formação de guetos de pobreza e de corrupção em nossas favelas urbanas, era um caldo de cultura que passava incólume nas análises dos formadores de opinião da sociedade. Havia denúncia, sim, porém sempre daquela maneira em que o denunciante se achava depurado de seus males por fazê-lo, e nada de concreto aparecia.

Menos hipocrisia

E qual a participação da mídia nisso tudo? Ora, seus controladores exerciam o direito de focar as atividades repressoras do Estado ao crime sempre com hipocrisia assustadora. Quando a polícia prendia com rigor era abuso da violência, quando nada fazia era omissão. Ou seja, do ponto de vista de marketing, foram jogando paulatinamente o aparato policial, mal treinado e mal pago, nos braços da falta de auto-estima. Daí para esse aparato cair nas garras da corrupção e da ineficiência foi um pequeno passo.

Hoje estamos vendo nas principais cidades brasileiras uma verdadeira guerra civil, em moldes idênticos ao início do problema na Colômbia, e ninguém tem coragem de dizer isso claramente. Pior, uma meia dúzia de intelectualóides, metidos a sociólogos baratos, continua a bater na tecla de que os marginais são produto de desníveis sociais, e a rugir contra uma ação mais pesada do Estado contra estes fora da lei.

Claro está que devemos lutar contra as coisas erradas de nossa organização social, mas no estágio atual temos, urgentemente, que restabelecer a ordem e a paz em nossas ruas. A qualquer preço! Os marginais têm de ser caçados e tratados como terroristas urbanos, e os presos destas quadrilhas têm de sentir o peso de ir para cadeia militar. Quando bandos de mais de 30 meliantes, armados com fuzis, passeiam pelas cidades, temos de ter uma força de maior poder, e somente o Exército poderia controlar tal situação.

Aos que têm medo das Forças Armadas na rua, pergunto: vocês preferem as Forças Armadas regulares do país ou as forças armadas dos traficantes? Por enquanto só temos as dos traficantes livremente desfilando pelas avenidas.

Cumpre à mídia de todos os tipos ser menos hipócrita e defender menos posicionamentos políticos, baseados em velhas feridas de 30 anos, e começar a esclarecer realmente a população do perigo que estamos passando. Não podemos também eximir o governo atual, que nessa questão começou muito mal ao não declarar as Farc da Colômbia como entidade terrorista, só porque no passado foram aliados políticos, de uma política longínqua, que o país não tem o menor interesse em ver prosperar. Atualmente, homens das Farc circulam livremente pelo Rio, ajudando o tráfico em seu jogo do terror.

(*) Empresário