Saturday, 22 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

No fio da navalha

DIRET?RIO ACAD?MICO

DIPLOMA

Ruben Dargã Holdorf (*)

Há décadas se discute no Brasil as diretrizes curriculares do ensino de graduação. Sugestões têm sido apresentadas pelos professores, alunos discordam do sistema e não se alcança um denominador comum. Com a chegada da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação se vislumbram perspectivas futuras visando a aguardada mudança.

Ildeu Coêlho, professor da USP, adverte que essa possibilidade de flexibilização curricular pode conduzir os educadores a cometerem outros erros. Partindo desse sinal de alerta, resolvemos apresentar uma proposta de reformulação do currículo do curso de Comunicação Social do Centro Universitário Adventista, no Campus de Engenheiro Coelho, em São Paulo, objetivando oferecer melhor qualificação aos estudantes da habilitação de Jornalismo.

Transitamos por mudanças e isso se torna cada vez mais inevitável. Quem deseja crescer precisa mudar e rever conceitos. Em nossa pesquisa, detectamos que o currículo implantado ? ou imposto ? resulta da sugestão do Ministério da Educação que, em geral, se baseia nos programas das universidades públicas, cuja defasagem chega a três décadas, além dos problemas gerados por acirradas disputas internas, decorrentes de pensamentos político-ideológicos.

Jovens pensantes

Iniciamos o segundo semestre de nossa história em alta. Podemos afirmar com convicção que rapidamente alcançamos sucesso acadêmico, reconhecimento público e auto-afirmação interna diante de sua mantenedora, garantia de grande procura para os exames admissionais dos próximos anos.

Não é para menos, pois em apenas dois meses elaborou-se, em conjunto com os alunos, um inédito projeto jornalístico, colocando os futuros profissionais em contato direto com o dia-a-dia da notícia. A Agência Paulista de Notícias <www.agenciapaulista.com> nasceu para assinalar a difícil fase inicial do curso, quando o currículo ainda necessita profundos reajustes, adaptando-o às exigências de mercado. Para tanto, deve ocorrer o processo de polidez, desinchando a grade curricular, conduzindo os alunos mais próximos do exercício profissional. A estrutura de disciplinas práticas não significa o fim da teoria, entretanto esta jamais poderá servir de instrumento pedagógico prático para os estudantes de Jornalismo. Os docentes podem muito bem aplicar nos laboratórios ? jornal, rádio, TV etc. ? os conteúdos teóricos em paralelo com o desenvolvimento prático, deixando para a conclusão a etapa reflexiva dos trabalhos realizados.

Quem estuda Jornalismo tem de aprender o lado prático da profissão, principalmente pelo motivo de a lei proibir o estágio. Sem prática o curso não obtém valor, o que reforça a corrente contrária ao diploma. Não se pode passar dois, três ou quatro anos do curso divagando em conceitos filosóficos, sociológicos, psicológicos elaborados em mente alheia. Estimular os acadêmicos ao livre pensamento e à criatividade é a obrigação dos professores. Partidários de filosofia, ciência política e outras "ias" e "ismos" que busquem estas áreas para estudar. As instituições de ensino superior têm a incumbência de promover qualidade, pois sem isso não haverá estudantes, e sem alunos o curso cerrará as portas. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Extirpe-se esse monstro criado pela burocracia estatal, que desconhece as salas de aula e pode ser considerada desqualificada para o exercício profissional dos cursos fiscalizados.

A nação aguarda jovens pensantes. Liberem-nos ao trabalho criativo e muito poderá ser alcançado para o desenvolvimento e crescimento social, político, econômico, cultural e moral do país.

(*) Professor do curso de Jornalismo e mestrando em Educação do Unasp ? Centro Universitário Adventista, Campus Engenheiro Coelho, SP; e-mail: ruben@agenciapaulista.com

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