Tuesday, 18 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Nova postura americana

AL-JAZIRA

Na época da intervenção americana no Afeganistão, o governo dos EUA considerava a TV catariana al-Jazira um veículo de propaganda de Osama bin Laden. Agora, no entanto, o time de George W. Bush resolveu se aproximar da emissora, que atinge um público de 45 milhões de pessoas no mundo árabe. A Casa Branca acredita ser melhor ter uma boa relação com o canal, uma vez que este já tem laços com Saddam Hussein. Recentemente, descobriu-se que o chefe do escritório de Bagdá da al-Jazira, Faisal al-Yasiri, é o ex-presidente da emissora estatal iraquiana. Com a expulsão da equipe da CNN da capital do Iraque, a al-Jazira é a única emissora internacional que ainda está em Bagdá. Desta forma, sua importância é ainda maior.

Como demonstração de boa vontade, os americanos ofereceram quatro convites para repórteres da al-Jazira acompanharem as movimentações militares do lado americano. O Pentágono designou um de seus funcionários como interlocutor exclusivo com o canal, como ocorre com todas as emissoras que trabalham com cobertura diária no Comando Central da campanha americana. Além disso, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld e a conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice, deram entrevistas para a rede.

Jim Rutenberg e Jane Perlez, do New York Times (20/3/03), afirmaram que a mudança de postura dos EUA ignora a posição antiamericana que a al-Jazira tem em seus programas não-noticiosos. Convidados de talk shows e espectadores que participam por telefone ocasionalmente saúdam as ações perpetradas pela al-Qaeda em setembro de 2001.