Saturday, 20 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

O colunista foi usado?

THE NEW YORK TIMES

A divulgação de um plano de paz para o Oriente Médio por Tom Friedman, colunista de política externa do New York Times, foi alvo de duras críticas. Michael Wolf [New York Magazine, 18/3/02] o acusa de ter sido brilhantemente usado para fazer propaganda do discurso do príncipe saudita Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud.

Ganhador de dois prêmios Pulitzer e um National Book Award, Friedman deve, na verdade, ser caracterizado como colunista de Oriente Médio, pois é o mundo árabe que mais o interessa, e onde este jornalista judeu reconhece ter mais influência do que nos EUA. Na opinião de Wolf, ele parece acreditar que pode evangelizar os árabes para a paz, missão que teria ficado ainda mais clara depois do 11 de setembro.

O texto que criou polêmica foi publicado em 17 de fevereiro. Nele, Friedman relatou a conversa que teve com o príncipe sobre sua proposta de paz para a região (que o Estado de Israel retroceda à fronteira anterior a 1967). Em seguida, o autor descreveu a reação surpresa do príncipe, que revelou ter escrito um discurso propondo o mesmo. Wolf, no entanto, rebate afirmando que o plano de jornalista foi exposto na coluna do dia 6 daquele mês, "portanto nem se trata de duas grandes mentes pensando da mesma forma". Isto não é jornalismo, é representação teatral: a única novidade deste plano é a maneira como foi apresentado pelos sauditas via New York Times, ataca Wolf.

Friedman não escapou a críticas mesmo em seu próprio jornal: William Safire, com quem divide a página de opinião, condenou o colega por propagar um plano que convenientemente se parece com o do príncipe. A editora da seção, Gail Collins, lembra que a página pretende ser um fórum para divulgação de idéias contrastantes, portanto considera que a disputa não é pessoal, mas em nome do bom jornalismo.

Ex-assessor de Richard Nixon, o conservador Safire foi contratado em 1973 com a finalidade expressa de discordar de outros colunistas, informa Paul Colford [New York Daily News, 12/3/02]. O então publisher Arthur Sulzberger o teria chamado para responder à acusação de que o jornal estava repleto de liberais.