Thursday, 13 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1291

O faturamento e a moral

MONITOR DA IMPRENSA

PORNOGRAFIA

Há no mínimo duas décadas os nova-iorquinos acompanham a publicação de propagandas nas últimas páginas na revista New York, divididas em categorias como "Viagem", "Barcos", "Entretenimento", "Fantasias" e "Massagens", entre outras. Um típico anúncio na seção "Fantasias" poderia ser: "Modelos orientais. Ligações externas apenas". Ou "enfermeira particular sensual". Ou "método clássico e romântico de relaxamento. Ligações internas e externas".

Para Alex Kuczynski [The New York Times, 12/3/01], é claro que revistas locais devem atender a seu público-alvo, e os anúncios na grande imprensa tornaram-se tão aceitos quanto anúncios de serviços públicos, comuns até em táxis. O Village Voice, por exemplo, publica diversas páginas de anúncios do gênero ? cerca de 5% do jornal. De sua parte, o New York Observer imprime duas páginas por semana desses anúncios.

No entanto, nada disso é notícia. A prática é antiga, e não ocorre só nos EUA. A novidade é que a Primedia, dona da New York e recém-fundida com o website About.com, prometeu vender ou vetar todos os sítios que contenham conteúdo de sexo explícito. Ora, se esses sítios são inaceitáveis, por que, em tempos de preocupação com Aids e outras DSTs, é aceitável a publicação de anúncios como o da primeira semana de março da New York, "Sue & amiga: centro da cidade, caras, mas vale a pena"?

Thomas S. Rogers, executivo-chefe da Primedia e autor da decisão de evitar sítios pornográficos, foi citado no New York Post, no mês passado, por afirmar que a empresa, por ser muito direcionada ao público jovem, deveria fugir de conteúdo sexual. Mas não mencionou a revista New York. Suzanne Gibbons-Neff, porta-voz da About.com, respondeu em seu lugar, dizendo que a New York é uma revista adulta. "Se você aplicar seus padrões a todas as revistas do mercado terá que manter crianças longe de todas elas", disse.

Arthur Carter, publisher e proprietário da New York Observer, assim como muitos outros "homens da mídia", alega que aceita tais anúncios porque Nova York e sexo andam juntos como pão e manteiga. "Esses anúncios são um componente da vida real da cidade", diz. "Odeio a idéia de esterilizar o jornal e remover o que realmente é um pedaço da cidade."

REVISTAS FEMININAS

A BBC foi acusada de cometer sério erro de julgamento no dia 8 de março, após Eve, revista da BBC para o público feminino, veicular imagens de Cherie e Tony Blair para ilustrar sua seção de dicas de sexo. Eve, cuja primeira edição foi lançada em agosto, usou na edição de abril seis fotos dos Blair acompanhando artigo intitulado "50 coisas que toda mulher deveria saber sobre sexo".

Peter Luff, conservador que tem falado muito sobre decência em revistas, afirmou que o caso é emblemático para ilustrar mau gosto. Para ele, a revista deveria ser retirada de circulação. Um porta-voz da BBC, segundo informações de Tom Leonard [Daily Telegraph, 9/3/01], defendeu as imagens. "Não vimos nada de ofensivo, Eve é uma revista para mulheres adultas com humor adulto, e até Cherie Blair poderia ver um lado engraçado." Ele disse que esse tipo de artigo é rotineiro na revista, que sempre usa diferentes "modelos" famosos para ilustrar.

Tapa-sexo à americana

Em resposta às reclamações dos consumidoras, a cadeia de alimentos Giant Food Inc. decidiu esconder as capas da americana Cosmopolitan (equivalente à revista Nova no Brasil) com plásticos opacos que só permitem a leitura do nome. Barry F. Scher, porta-voz da Giant, disse que a medida da companhia já está em prática há três semanas. "Faz anos que nossas leitoras reclamam que nossa capa é muito insinuante para o público jovem", disse. Segundo Martha McNeil Hamilton [The Washington Post, 12/3/01], o que as capas da Cosmopolitan geralmente insinuam é o conteúdo de sexo apresentado pela revista.

É a primeira vez que a cadeia de alimentos adota a política de cobrir todas as edições de uma revista, disse Scher. Paul Luthringer, porta-voz da Hearst, lembra que a Cosmopolitan é "a revista para feminina mais vendida no mundo, lida por mais de 34 milhões de mulheres". "Os editores da revista acreditam na liberdade de publicação e exposição garantida pela Primeira Emenda", afirmou, lembrando que ações como a da Giant são raras.

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