Friday, 14 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

O preconceito e o desrespeito

DIPLOMA EM XEQUE

Rodolfo de Souza (*)

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais publicou em seu sítio <www.jornalistasdeminas.org.br> manifesto contra a liminar que concede a quem não freqüentou faculdade o direito de exercer a profissão. A decisão conta com a simpatia de quem preza a liberdade de expressão. Intitulada "SJPMG divulga lista de pretensos jornalistas", a nota do sindicato, carregada de preconceito e desrespeito, consegue a façanha de reacender o debate.

Idiotas, estúpidos, irresponsáveis e incompetentes há em todos os meios, inclusive no acadêmico. Quando se trata de produção intelectual, como o é a prática do jornalismo, ostentar um diploma não garante sabedoria, discernimento, bom senso e capacidade. São incontáveis os maus exemplos tanto do lado de cá ? entre os não-diplomados, quanto do lado de lá ? onde se entrincheiraram os jornalistas oriundos das faculdades. No entanto, o que se espera de uma entidade como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais é uma postura ética e respeitosa com os profissionais (verdadeiramente profissionais), forjados no dia-a-dia das ruas e das redações ? melhor escola não há.

Atuo no jornalismo ? particularmente no radiojornalismo ? há 28 anos. Não abdico do direito de escrever por causa de um mero diploma. Minha formação acadêmica em outra área não se compara de forma alguma ao conhecimento acumulado nestas quase três décadas de militância na imprensa.

Segregação ou incentivo?

Penso que, em vez de estimular a discriminação ou negar a carteira profissional, este importante sindicato deve promover cursos de aperfeiçoamento e avaliar criteriosamente os interessados no documento funcional e no desempenho da atividade, não só para os diplomados, mas também para os "pretensos" ? usando a linguagem da matéria divulgada em seu sítio. Assim como há o exame da OAB para os bacharéis que pretendem ser advogados, por que não uma avaliação similar no caso dos jornalistas?

São fartos os relatos de recém-formados ou até de experimentados profissionais da palavra que nem sequer escrevem bem na língua pátria. São vítimas da fábrica de diplomas em que se transformaram algumas faculdades, onde desavisados jovens enterram seu dinheiro e de onde saem sem saber elaborar uma pauta, conduzir uma entrevista, editar áudio ou imagem, tratar fotos digitalmente… Não é preciso grande esforço para encontrar cursos assim, de tão baixa qualidade.

Por favor, revejam sua postura e reflitam: é melhor estimular a segregação e dividir a categoria ou incentivar a boa qualidade?

(*) Jornalista, independentemente do diploma ou da liminar (MTb 06873), editor-chefe da Rádio Vanguarda, Varginha (Sul de Minas)