Friday, 24 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

Plínio Arruda Sampaio e Fábio Konder Comparato

ASPAS


MÍDIA vs. MST

"Informação de menos" in Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 28/10/00

"É louvável o esforço da Folha para criticar a qualidade das próprias reportagens que publica diariamente. Que fazer, porém, com as reportagens que não são publicadas? Ou seja, com aquela informação que o repórter omite ao noticiar um evento. Na reportagem ‘Stedile prevê manifestações após eleição’, publicada na edição de ontem, o repórter Fábio Zanini deixou de transmitir aos leitores da Folha as informações que seguem. O ato noticiado não foi um ato de desagravo ao MST. Foi uma entrevista coletiva – convocada pelos srs. Fabio Comparato, professor da Faculdade de Direito de São Paulo, professor Milton Santos, professor da Faculdade de Geografia da USP (que não pôde comparecer por se encontrar acamado), Plínio Arruda Sampaio, ex-deputado federal constituinte, e dom Tomás Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra -, para denunciar à opinião pública que o governo da República não está gastando as verbas do orçamento do Incra nem liberando o total do crédito, bombasticamente anunciado, para financiar o custeio da agricultura familiar. Os entrevistados entregaram aos jornalistas um documento com suas denúncias. Além dos entrevistados, estavam presentes representantes do PT, do PC do B, da CUT e da Central de Movimentos Populares. O representante da Confederação dos Funcionários do Incra, presente ao ato, entregou aos jornalistas uma série de estatísticas de órgãos do próprio governo que comprovam o atraso na execução do orçamento do Incra, pois, até este mês, somente 33% das verbas para a execução da reforma agrária foram empenhados, sendo, portanto, óbvio que o dinheiro disponível não será aplicado até o final do exercício. A explicação sobre a contribuição dos filiados ao MST não foi dada por d. Tomás Balduíno, mas por outro dos entrevistados, que enfatizou, precisamente, não ser esse o motivo da entrevista, pois os entrevistados entendem que esse assunto tem vindo à baila para lançar suspeitas sob o MST, na hora em que este desnuda os artifícios que o governo está utilizando para negar recursos à reforma agrária e à agricultura familiar. (Fabio Konder Comparato e Plínio Arruda Sampaio, São Paulo, SP)

Resposta do jornalista Fábio Zanini – O ato foi um desagravo ao MST. Esse era o tom do evento. A declaração de d. Tomás Balduíno sobre a ‘legitimidade’ do pedágio está gravada."

ELEIÇÕES AMERICANAS

"Jornal dos EUA anuncia apoio a Gore", copyright Folha de S. Paulo, 30/10/00

"O jornal ‘The New York Times’ declarou ontem seu apoio ao candidato democrata à Presidência dos EUA, Al Gore. As eleições norte-americanas acontecem no dia 7 de novembro.

Em editorial, o jornal defendeu a candidatura de Gore, atual vice-presidente dos EUA, dizendo que ele é o político mais bem preparado para assumir o cargo, por causa de seu conhecimento a respeito do governo e em questões diplomáticas e de sua experiência na tomada de decisões importantes.

‘Oferecemos esse apoio reconhecendo que o sr. Bush, o candidato republicano à Presidência, não deixa de ter créditos, e sabemos que Gore também tem defeitos’, afirma o editorial do jornal.

O diário diz ainda que o vice-presidente tem tentado ‘de forma exaustiva’ escapar dos lapsos da administração Clinton. ‘Acreditamos que ele nunca irá ter a mesma conduta imprudente que tem o atual presidente.’

O editorial elogia George Bush por sua suposta tentativa de integrar diversos setores da sociedade e afirma também que o candidato republicano tem ‘um certo carisma’. Entre as qualidades de Bush foram ressaltadas: sua capacidade para abordar problemas sociais e também sua posição diante de crises internacionais.

A posição de Gore a favor de uma reforma legislativa e financeira é elogiada pelo ‘The New York Times’. Para o jornal, Gore mostrou ‘astúcia’ ao lado de Clinton ao ajudar a promover o desenvolvimento econômico do país. O diário também afirma que Gore irá investir mais na construção de escolas e na contratação de professores. ‘Preferimos o liberalismo consciente de Gore ao ‘conservadorismo com compaixão’ de Bush’, diz.

O jornal norte-americano ‘The Miami Herald’ também anunciou ontem seu apoio a Gore. Entre os pontos destacados pelo jornal está o empenho democrata na questão da igualdade racial, segundo o ‘The Miami Herald’.

O jornal ‘The Washington Post’ já havia anunciado seu apoio ao candidato democrata."

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"Clinton acusa revista Esquire de ter publicado entrevista antes do combinado", copyright Folha de S. Paulo/The New York Time, 1/11/00

"Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal ‘The New York Times’, o presidente norte-americano, Bill Clinton, diz que a revista ‘Esquire’ violou um acordo, firmado com a Casa Branca, de publicar uma longa entrevista com ele somente após a eleição presidencial, que ocorre no dia 7. Na conversa com os jornalistas da publicação, Clinton chegou a dizer que os republicanos deviam aos EUA desculpas por terem falhado na tentativa de derrubá-lo.

‘Diferentemente deles’, afirmou Clinton na entrevista, referindo-se a seus opositores no Congresso, ‘tenho me desculpado pelo que fiz de errado, e a maioria dos norte-americanos acha que eu paguei um preço alto. Eles nunca pediram desculpas ao país pelo (processo de) impeachment. Nunca pediram desculpas por todas as coisas que fizeram’.

Clinton quase foi afastado do governo em 1999 por causa de seu envolvimento com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.

O jornal afirmou que os comentários do presidente, que circularam na mídia nos últimos dias, ‘vêm num momento inoportuno para a campanha de Gore (Al Gore, vice de Clinton e candidato democrata à Presidência), que tem feito de tudo para evitar o assunto tabu do impeachment’.

O escândalo sexual é lembrado pela equipe de George Bush, o candidato republicano, para atingir Gore indiretamente.

Questionado sobre suas declarações à revista, Clinton criticou a ‘Esquire’ e afirmou que as pessoas que lerem toda a entrevista, em vez de apenas algumas citações, terão uma noção mais equilibrada de suas opiniões. ‘Prometeram-me que a entrevista seria publicada depois da eleição, e eu acreditei’, acrescentou.

A revista e a Casa Branca decidiram que a matéria sairia na edição de dezembro. Mas a ‘Esquire’ enviou, na quinta-feira, trechos para alguns órgãos da mídia em Nova York e Washington e colocou, anteontem, parte do texto em seu site na Internet.

‘O único acordo era que isso seria a capa da edição de dezembro. Estou surpreso por essa reação’, afirmou David Granger, editor-chefe da ‘Esquire’. ‘A verdade é que não havia embargo até uma data específica.’

A revista afirmou que essa edição deverá estar nas bancas já na próxima semana."

"Adeptos de Gore e Nader ‘trocam votos’ na internet", copyright Valor Econômico/The New York Time, 1/11/00

"Nas últimas semanas, a internet deu à luz diversos sites defendendo a troca de votos entre os correligionários do candidato democrata, o vice-presidente Al Gore, e de um de seus rivais na disputa pela Presidência, Ralph Nader, do Partido Verde.

O objetivo é fazer com que os correligionários de Nader votem no democrata nos Estados em que Gore e o candidato republicano, George W. Bush, estão numa disputa apertada. Isso ajudaria Gore, que, entre os dois, é o preferido pelo eleitores de Nader. Em troca, um eleitor num Estado onde Gore tem vitória garantida votaria em Nader, ajudando os Verdes a alcançar o piso de 5% de que o partido necessita para ter direito a verbas federais.

No entanto, na noite de segunda-feira, pelo menos um desses sites, o voteswap2000.com, divulgou nota avisando estar desativando seu software para cumprir notificação do secretário de Estado da Califórnia, segundo a qual a intermediação da troca de votos é ilegal nesse Estado.

Embora seja difícil prever que diferença o intercâmbio de votos poderá fazer na eleição, a iniciativa demonstra o crescente papel da internet na democracia.

A maioria das campanhas tem homepages na rede e os candidatos normalmente pedem dinheiro pela internet e fazem propaganda em outros sites. Além disso, cada vez mais eleitores estão obtendo informações eleitorais por meio de seus computadores.

Mas aqueles que analisam o papel da internet na política vêem algo de especial neste caso.

‘Isso não vai ter grande efeito sobre a eleição, mas esta é a primeira vez em que eleitores estão entrando num sofisticado contato direto uns com os outros sem a intermediação da mídia ou dos partidos’, diz Michael Cornfield, professor de política na Universidade George Washington.

‘Agora, os eleitores estão se comportando como legisladores, fazendo barganhas para alcançar seus objetivos’, diz Cornfield. ‘Dar para receber é algo que as elites praticam, e não o povão.’ Representantes das três campanhas negaram ter vínculos com os sites, embora Dan Bartlett, um porta-voz da campanha de Bush, acredite que os sites ‘tenham alguma ligação com a campanha de Gore’. Segundo ele, o fato ‘mostra que o pânico se instalou nas fileiras de Gore’.

Representantes da campanha democrata dizem que sua estratégia tem visado sensibilizar os correligionários de Nader enfatizando o que lhes é caro. ‘Nós acreditamos que grande parte do eleitorado de Nader preocupa-se com a liberdade de escolha e o meio ambiente – e não quer pôr esses valores em risco com uma vitória de Bush’, disse Doug Hattaway, um porta-voz de Gore.

Na avaliação dos estrategistas da campanha democrata, os Estados mais disputados onde os votos em Nader poderão prejudicar Gore são Oregon, Wisconsin e Minnesota, assim como Michigan e Washington, em menor grau.

Fontes da campanha de Nader mantêm certo distanciamento: ‘Nós estamos dizendo aos eleitores para votar de acordo com sua consciência em cada Estado’, diz a porta-voz Laura Jones.

Pelo menos cinco sites estão atuando em função do que alguns passaram a denominar Nader Trading (comércio de Nader). O votexchange2000.com permite a um eleitor abrir mão de seu voto em Gore em favor de Nader – ou vice-versa – e fornecer seu endereço de e-mail. O site faz o ‘casamento’ automático com um eleitor que tenha cadastrado oferta inversa.

São alguns milhares os internautas envolvidos, diz Alan Porter, um designer de internet que vive em São Francisco e que relata ter tido a idéia durante um almoço com colegas em outubro. Em dois dias o site estava no ar.

‘Antes dos debates, eu realmente esperava que Gore brilhasse, e isso não aconteceu’, disse Porter. ‘Ficamos nervosos com a situação, e acho que foi isso que nos inspirou a fazer algo a respeito’. O site voteexchange.org permite que eleitores ofereçam votos e atendam a ofertas. Os produtores do voteswap2000.com dizem que quase 5 mil pessoas acertaram trocas antes que o site fosse desativado.

Porter admite que a idéia tem uma ‘falha em potencial’. As pessoas interagem anonimamente, de modo que não há garantia de que os internautas cumpram sua parte no compromisso – ou de que os correligionários de Bush não possam tentar manipular o sistema."

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