Monday, 26 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1276

Privacidade em perigo

INTERNET

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) está de olho na "bagunça" comercial que domina a internet. Segundo Lisa Bowman [ZDNet News, 12/2/02], a agência deverá anunciar em breve medidas legais agressivas contra o spam, o envio de e-mails comerciais não-autorizados. A comissão recebe, a partir de 1998, cerca de 10 mil e-mails diários de usuários incomodados pelo spam.

A FTC também está enviando, como conta David Ho [AP, 13/2/02], aviso a dois mil envolvidos numa corrente de e-mail que promete "US$ 46 mil ou mais em até 90 dias". Muita gente não sabe que a prática de pirâmide é ilegal: em setembro de 2000 foram enviadas 1.000 mensagens de alerta sobre isso. Muitas pessoas se desculparam, alegando desconhecer que se trata de crime.

A ofensiva da FTC acontece ao mesmo tempo em que a Comcast, terceira maior empresa de TV a cabo dos Estados Unidos, admite que está armazenando o endereço de todas as páginas que os usuários de seu serviço de banda larga visitam na rede. É preocupante o sistema de rastreamento usado, que captura senhas e números de cartões de crédito, relata Tim MacDonald do NewsFactor.com [13/2/02]. Jeffrey Chester, da ONG Center for Digital Democracy (Centro para a Democracia Digital), classificou a espionagem da Comcast de "incrivelmente agressiva". Mas ele não está surpreso: "É só a ponta de um iceberg."

Depois da grande queda da publicidade na internet, os jornais americanos buscam novas maneiras de ganhar dinheiro com seus sítios. A primeira reação foi cobrar assinatura pelo acesso. No entanto, excetuando-se casos raros como o do Wall Street Journal, a idéia se mostrou ineficaz.

Hoje, dos 1.482 jornais diários americanos somente 15 cobram acesso, e um número um pouco maior restringe seções. Pesquisa da consultoria Borrell & Associates concluiu que os veículos que passaram a cobrar não conseguiram atingir mais de 2,6% da circulação impressa. "Este percentual chama a atenção e praticamente fez a imprensa desistir da cobrança", conta o consultor Gordon Borrel. Pior que isso: apenas 12% dos assinantes da edição impressa se registraram para acessar a versão online, mesmo de graça.

Agora tenta-se o registro gratuito de usuários, para obter dados que possibilitem propaganda mais direcionada. "Entrei em contato com aproximadamente 25 sítios grandes de jornais que implementarão alguma forma de cadastro nos próximos seis meses, e prevejo que a metade dos sítios deverá ter alguma estratégia de registro até o fim do ano", estima Dave Morgan, fundador da Real Media, hoje á frente da Tacoda Systems, empresa que presta "serviços de circulação" na internet.

Segundo a revista Editor & Publisher[6/2/02], um problema ainda por resolver é que muitos usuários não querem se registrar nem de graça, o que acaba fazendo cair muito a visitação aos sítios que restringem o acesso. O sítio In-Forum.com, por exemplo, que recentemente passou a exigir cadastro dos visitantes, teve queda de 80% na audiência. Mas acha que valeu a pena: agora reúne informações valiosas. "Uma audiência desconhecida hoje não vale quase nada para um anunciante", opina Morgan, da Tacoda.