Saturday, 25 de May de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1289

Sobre os mestrados profissionais

PÓS-GRADUAÇÃO

José Luiz Braga

A Portaria 080 de 16/12/98, da Capes (Comissão de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior), abriu a possibilidade de as instituições de ensino superior oferecerem, ao lado dos mestrados acadêmicos, voltados para a pesquisa e para o trabalho universitário, mestrados profissionais, dirigidos a graduados em curso superior e exercendo uma profissão no mercado de trabalho. A necessidade dessa linha de formação profissional vinha sendo evidenciada pelo número de profissionais que cursam os mestrados acadêmicos para qualificar suas competências no âmbito do trabalho, sem intenção de ingresso na docência universitária.

Além de estabelecer critérios gerais para essa formação pós-graduada, a CAPES solicitou que cada área os complementasse com critérios específicos, para orientar futuros projetos de criação de mestrado pelas IES, e para estabelecer os padrões segundo os quais a CAPES julgará sua aceitabilidade e lhes dará credenciamento.

A área de formação pós-graduada em Comunicação, representada pela Compós e pelos programas de Mestrado e Doutorado credenciados no país, trabalhou durante um ano na elaboração destes parâmetros para criação e análise de projetos. Está encaminhando agora à CAPES o resultado final dessa elaboração, um documento de 26 páginas, com exposição de motivos e um total de 32 parâmetros específicos para a Comunicação.

Projetos criativos

Procura-se assegurar uma qualidade similar à do Mestrado Acadêmico, uma vez que os dois diplomas terão igual validade. O Mestrado Profissional não pode ser organizado para ingresso na profissão, deve ser uma formação para profissionais em exercício. Esta definição é importante para todas as profissões da Comunicação, mas sobretudo para o jornalista, evitando o risco de uma deformação na exigência de graduação específica.

Os projetos não podem propor uma formação meramente técnica, e devem abordar as questões profissionais relevantes em suas relações com as grandes questões sociais, culturais, éticas e estéticas em que, pela própria natureza da Comunicação, se inscrevem. O objetivo principal será o de obter desenvolvimento significativo de competências superiores de nível crítico, estratégico, criativo e analítico sobre questões e problemas do espaço profissional, e conforme o interesse e as expectativas da sociedade sobre tais profissões. O Trabalho Conclusivo, que substitui a tradicional dissertação de Mestrado, tem sua caracterização e seus padrões de exigência cuidadosamente previstos pelo documento.

O Corpo Docente pode incluir profissionais não-doutores até a proporção de 40% – desde que estes tenham longa experiência profissional e, além da produção regular na profissão, apresentem uma produção crítica ou historiográfica demonstrativa de sua competência de reflexão e análise sobre questões relevantes do seu espaço profissional.

Os cursos devem obter suporte financeiro diretamente no mercado profissional, junto a empresas, a entidades da sociedade civil ou do terceiro setor.

Ficamos na expectativa de que as instituições de ensino superior apresentem projetos criativos, diferenciados e competentes, que venham efetivamente atender às necessidades da área, lembrando que a principal avaliação de qualidade será feita pelo mercado profissional, pelos profissionais atendidos – e pela sociedade.

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