Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Tempos de copiar e colar

COPYRIGHT

Alexandre Gennari (*)

Em dezembro de 2001, havia uma mensagem circulando na rede com o título: "Como a internet modificou minha vida em 2001". O autor satirizava as correntes e as mensagens inúteis, inverídicas e invasivas que recebemos diariamente via e-mail. O texto terminava assim:


"Acabei acreditando que tudo de ruim que me aconteceu foi porque quebrei todas as correntes que me enviaram e por isso fui amaldiçoado…. Se você não enviar esta mensagem a pelo menos 10 pessoas, nada irá te acontecer. No entanto, as mentiras e baboseiras veiculadas na internet continuarão infernizando a sua vida em 2002".


Uma brincadeira séria que nos remete ao problema da credibilidade das informações veiculadas na rede. Em pesquisa realizada no portal webwritersbrasil.com, 33,4% dos internautas apontaram as "informações duvidosas" como o pior defeito do texto na internet.

As informações duvidosas não circulam na rede apenas por meio de e-mails indesejáveis. Circulam também em portais, websites corporativos, revistas e jornais eletrônicos… e por aí vai.

Nos tempos de escola, copiar ou colar dos colegas de classe eram faltas passíveis de punições severas. Mas no mundo da informática são recursos legítimos. Copiar e colar estão entre as ferramentas mais usadas do Windows, por exemplo.

E na internet? Mesmo com as leis de direitos autorais, parece impossível resistir à tentação de copiar e colar.

A web é o maior acervo de informações da história. O acesso a esse acervo é muito fácil, rápido e, na maior parte dos casos, gratuito. E a "posse" de toda essa informação está ao alcance de qualquer internauta. Basta fazer um download ou comandar um simples copiar e colar para salvar qualquer conteúdo no disco rígido do computador. Daí para a frente, quem poderá saber o destino das informações?

Em recente entrevista, o jornalista Sílvio Lancellotti afirmou:


"Lendo uma notícia sobre o Wanderlei Luxemburgo, constatei que os textos do iG, do UOL, do Lance! e da Gazeta Esportiva eram iguais. Uns copiaram os outros sem citar a fonte. É assim que estão fazendo notícia na rede! Corre-se o risco de se cometer erros graves. Se alguém resolve falar uma bobagem, todos os outros vão atrás!"


O internauta mais atento não terá dificuldade em observar que é assim que muita gente está fazendo notícia na rede. E não só notícia. É assim que muita gente está gerando conteúdo para a net, na base do copiar e colar, sem nenhuma criatividade, sem nenhuma qualidade, sem nenhuma confiabilidade; mas a baixíssimos custos.

A internet pode ser uma excelente ferramenta para melhorar a qualidade do jornalismo. Mas pode ser também o instrumento para a prática de um jornalismo irresponsável que propaga notícias sem nenhuma investigação, sem apuração, e conteúdos sem compromisso com a análise, com a crítica, com a reflexão, imprescindíveis para entendermos o que se passa à nossa volta.

Esses fatores aumentam consideravelmente a ocorrência de erros, possivelmente graves… ou até, irreparáveis. E carregam com eles, ladeira abaixo, a credibilidade das informações veiculadas na web.

(*) Editor de conteúdo do portal Webwritersbrasil, webwriter e roteirista multimídia