Thursday, 29 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1276

União improvável

REVISTAS
Fim da Talk

Dois anos e meio após seu lançamento, a revista americana Talk, publicação conjunta da Hearst Corporation e da Miramax Films, vai fechar após a edição de fevereiro. O título chefiado por Tina Brown, ex-editora da New Yorker, terminou 2001 com aumento de 6% de páginas de anúncio, feito considerável em meio à crise enfrentada pela indústria de revistas, que perdeu em média 12% de publicidade no ano passado. O comunicado da Talk Media, no dia 18, anunciava a razão: "Temos que reconhecer que o 11 de setembro mudou tudo. Ficou praticamente impossível para um título único como a Talk."

A revista de cultura e celebridades não resistiu ao clima de recessão depois dos atentados; segundo o sítio AdAge.com (18/1/02), o prejuízo chega a US$ 50 milhões. Graças à queda brutal de faturamento publicitário, vários outros títulos conhecidos fecharam, como Mademoiselle, uma das mais antigas revistas femininas do país. Reshma Kapadia [Reuters, 18/1/02] informa que a editora Talk Miramax Books, controlada pela Miramax Films ? empresa da Disney ?, não foi afetada e continuará a operar normalmente.

 


Para aqueles que os conhecem, eles formam um casal improvável. Maxim, a irreverente revista masculina cujo slogan é "a melhor coisa que aconteceu ao homem depois da mulher", e Cosmopolitan, para mulheres "divertidas e corajosas", produziram juntas uma reportagem que será publicada na edição de março das duas. O título: "A guerra entre o sexos… acabou!".

O artigo ? chamado de "tratado de paz" pelos editores ? é uma jogada de marketing descarada em meio ao clima pobre de publicidade. Em 2001, as páginas de anúncio da Cosmo caíram 7% e as da Maxim, 2%; ambas perderam venda em bancas. A cooperação editorial entre revistas de companhias diferentes é algo raro, tornando o pacto de ocasião ainda mais inusitado: a Cosmo é uma noiva tradicional, lançada em 1886 e comprada pela Hearst Magazines em 1906; já Maxim é publicada há apenas cinco anos nos EUA, pela britânica Dennis Publishing.

A idéia foi de Keith Blanchard, editor-chefe da Maxim. Segundo Matthew Rose [The Wall Street Journal, 14/1/02], a matéria trata de assuntos "espinhosos" nos relacionamentos, como sexo e troca de presentes, discutidos pelos editores num bar. O artigo não tem a mesma forma nos dois títulos: enquanto a Maxim dedica seis páginas e comentários sarcásticos ao "tratado", a Cosmo lhe dá três páginas e apresentação mais direta. Ambas recomendam aos leitores que façam sua cara metade ler a outra revista.

E por falar em casamento, a separação agora é oficial: a Primedia vai vender a Modern Bride por US$ 52 milhões. Entre os interessadas estava a Martha Stewart Living Omnimedia, que perdeu para a Conde Nast. A editora já publica a revista Bride?s, a mais forte das duas, com circulação um pouco superior e maior número de páginas de anúncios. Keith J. Kelly [New York Post, 15/1/02] conta que a Conde Nast ainda não declarou o que vai fazer com a revista ou com a equipe.