Thursday, 13 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1291

Osvaldo Martins

‘Para todos os não poucos visitantes desta página que acham o ombudsman um chato, pretensioso e dono da verdade, trago hoje duas notícias – uma boa e outra má. A boa: meu contrato com a Cultura termina no fim do mês. A má: ele será renovado.

A renovação, prevista no contrato atual, não se limita a um novo período nessa função. Ela se estende à própria natureza do serviço. Contrato novo, condições novas. A partir de outubro vou fechar o foco das minhas observações e comentários exclusivamente no jornalismo da TV Cultura. A Fundação Padre Anchieta vai montar uma ouvidoria para fazer a interlocução com os seus públicos, inclusive o interno. Caberá à ouvidoria atender a toda a demanda da assembléia de acionistas a respeito da programação, exceto jornalismo. Para este assunto, e só para este, o meu endereço eletrônico continuará ativo.

O novo contrato prevê ainda a veiculação (finalmente!) de um programa semanal do ombudsman na tela da Cultura. Dia e horário estão sendo estudados pela direção da emissora, mas já sei que – outra boa notícia para aqueles visitantes – o programa terá menos de 30 minutos de duração.

Essa nova etapa coincide com a introdução de várias modificações que a Cultura vai fazer, ainda este ano, visando à ampliação do espaço do jornalismo na grade de programação. Haverá mais programas de debates e de entrevistas, mais telejornais e novos formatos nos atuais. O Jornal da Cultura, por exemplo, terá 50 minutos de duração, o que permitirá o aprofundamento de alguns assuntos, ou de pelo menos um, todo dia, criando assim um diferencial de qualidade. A idéia em curso é oferecer ao telespectador da Cultura conteúdos mais bem explicados que as outras emissoras abertas, presas ao modelo fast news, desprezam.

Considero esse um bom caminho, por duas razões. Primeiro, porque a Cultura não tem orçamento para competir com o jornalismo de dimensão planetária tipo rede Globo. Segundo, porque o aprofundamento dos temas, abordados até com certa dose de didatismo, casa com a missão da TV pública de difusão do conhecimento. Esse modelo, que ainda levará algumas semanas para ser implantado plenamente, será o meu parâmetro para análises e comentários.’