quarta, 19 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1075

35 anos sem Frei Tito

Esta semana marca os 35 anos da morte de Frei Tito de Alencar Lima, data que devemos lembrar, não para celebrar sua morte, mas sim sua vida, sua luta por um ideal.

Tito de Alencar Lima estudou em Fortaleza com os padres jesuítas e posteriormente foi aluno do curso de Filosofia da USP, em São Paulo. Em 1965, ingressou na Ordem dos Dominicanos, sendo ordenado sacerdote em 1967.

Em 1968 foi preso, acusado de ter alugado o sítio no qual se realizara o 30ºCongresso da UNE, em Ibiúna. Em 1969, juntamente com outros frades dominicanos, foi preso sob acusação de estarem envolvidos com a ALN (Ação Libertadora Nacional). Foi torturado durante quarenta dias pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, sendo em seguida transferido para o presídio Tiradentes. Entretanto, no dia 17 de dezembro voltou para a Oban, onde sofreu inúmeras torturas.

O exemplo que deixou

Em 13/01/1971 foi banido do país, como um dos presos trocados no sequestro do embaixador suíço e, depois de algum tempo, se instalou na comunidade de Arbresle, na França. Mas não conseguia mais ter paz em lugar algum. Sua mente havia sido dominada pelas torturas infligidas na Oban.

Até meados de 1973, Frei Tito viveu no convento Saint Jacques, em Paris, porém, a tortura deixara muitas marcas. Enviado ao convento dominicano de Saint Marie de la Tourette, foi nesse local, no dia 7 de agosto de 1974, que se suicidou, sendo encontrado no dia 10 por uma pessoa que morava próximo ao convento.

Frei Tito lutou por um ideal a vida inteira, por um país mais justo. Contudo, a tortura o condenou, destruiu sua luta, sua paz de espírito. Lembrar dele é lembrar que os ideais pelos quais ele lutou ainda não foram atingidos. Lembrar dele é lutar por um Brasil melhor. Como ele escreveu em sua bíblia: ‘É preferível morrer do que perder a vida.’ Ele morreu, mas sua vida continua no exemplo que ele deixou.

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Advogada, Valinhos, SP