TV DIGITAL

O desenvolvimento tecnológico e a implantação no mercado

Por Valério Cruz Brittos e Aléxon Gabriel João em 30/03/2010 na edição 583

É inegável a importância e a presença massiva dos aparelhos tecnológicos nos dias atuais, remodelando hábitos e costumes, com equipamentos justapondo-se e conectando-se entre si, muitas vezes conjugados em um único suporte. Todas essas transformações e adaptações são ferramentas para o estímulo dos consumidores a novas demandas, numa função paralela (e sobreposta) à sua motivação primordial, de atender necessidades preexistentes, o que suscita uma ação conjunta entre mercado e oferta de tecnologia.

A implantação da TV digital no país é um exemplo em que o avanço tecnológico é impulsionado pelo imperativo de fortalecimento e abertura de outros nichos de mercado, para obtenção de mais consumidores, com oferta de novos produtos e serviços – disponibilização de conteúdos inéditos ou redistribuição de contentos antigos em suportes diferentes. Com esse objetivo, proliferam medidas para fomentar o mercado televisivo, no sentido de maximizar os resultados de audiência e, então, aumentar o faturamento publicitário, se possível inibindo a migração de público para outros canais abertos ou aparatos midiáticos diversos.

Além de buscar o incremento da obsolescência tecnológica e, por conseqüência, a renovação dos aparelhos eletroeletrônicos, tais atualizações remetem à acirrada disputa entre as emissoras de televisão aberta, permanentemente à procura por diferenciais, nesta Fase da Multiplicidade da Oferta no plano da comunicação, da cultura e da informação. Não obstante, é preciso visualizar um horizonte mais amplo, no que se refere a essas tecnologias e, mais especificamente à implantação da TV digital, que, assim como o computador, tornou-se um extenso campo para a convergência de várias mídias em um único instrumento.

Carência histórica de democracia

Tal convergência deve ter como base não apenas os aspectos tecnológicos do novo modelo, mas contemplar contribuições de outras áreas do conhecimento científico, as quais conjuntamente poderão desenvolver pesquisas no intuito de construir soluções para os desafios apresentados por essa nova ordem. Deve-se perseguir uma definição que acompanhe a dinâmica dessa evolução de forma gradual e compatível ao sistema vigente, não permitindo que impacte negativamente a economia e a sociedade como um todo, considerando a centralidade do televisual, em termos econômicos e de sociabilidade.

Ante o fato da televisão ser um meio de comunicação de massa de enorme alcance e repercussão, alvo de grande prestígio junto à sociedade (portanto fundamental ao mercado publicitário e aos operadores políticos), todo o movimento de implantação da TV digital tem sofrido interferências, de interesses comerciais, industriais, políticos e econômicos, pois essa adaptação intensifica o impacto e influência exercidos sobre as pessoas. Até aí, nenhum problema, já que a mídia é parte do todo social; o problema é quando tal relação não se estabelece considerando a carência histórica de democracia no setor.

Impedimentos e perigos de exclusão

Entra a década de 60 e 80 do século 20 houve um crescimento significativo no número de televisores, o que serviu para comprovar o sucesso da TV aberta no país. Com as medidas econômicas da década de 1990, houve um barateamento no preço dos aparelhos e, com isso, um aumento significativo de lares com a presença de televisores, acarretando maior número de telespectadores. Isso trouxe novos públicos, requerendo, no quesito programação, mecanismos para captação ágil de público. Nesse contexto, expandiram-se os espaços de interatividade, mesmo no modelo analógico, essencialmente unilateral.

Nesse momento é preciso que esse processo não seja apresentado apenas como uma simples mudança de formato de transmissão, produção e recepção de conteúdo, mas que seja visto de forma mais ampla, no âmbito de um processo inovador de convergência de mídias. É preciso considerar os múltiplicos interesses em jogo na implantação e efetivação desse novo modelo, e, acima de tudo, observar as características técnicas, econômicas, culturais, sociais e políticas. Renova-se que, para isso, há necessidade de envolvimento efetivo de todas as áreas, a fim de visualizar as saídas para driblar os eventuais impedimentos e perigos de exclusão.

***

Respectivamente, professor titular no programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos; jornalista e mestre pelo mesmo programa

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