JORNALISTAS & ASSESSORES DE IMPRENSA

Profissões diferentes requerem códigos de ética diferentes

Por Eugênio Bucci em 05/09/2006 na edição 397

O Código de Ética do jornalismo no Brasil repousa sobre um conflito de interesses. Temos praticado o exercício de conciliar duas funções legítimas, dignas, justas e éticas, necessárias à informação da sociedade brasileira, mas que não constituem o mesmo ofício. Jornalismo e assessoria de imprensa são duas profissões diferentes e não podem ser regidas por um mesmo Código de Ética.

Agora, quando a Federação Nacional dos Jornalistas se prepara para rever o seu Código de Ética no seu próximo congresso, que deve acontecer no ano que vem, o debate sobre o tema se torna mais que necessário. Vejamos alguns pontos que ilustram muito bem o que é esse conflito de interesses a que me refiro. No artigo 10o, tanto na sua versão atual como na que se propõe para figurar no novo Código, lemos o seguinte:

"O jornalista não pode exercer cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas, onde seja funcionário, assessor ou empregado".

Aparentemente, o que está escrito ali é o que o jornalista não pode fazer. O que mais impressiona, porém, é o que esse artigo deixa subentendido como uma prática permitida ao jornalista: ele pode ser, ao mesmo tempo, repórter num jornal e assessor de imprensa num órgão de governo. Não há um veto para isso no Código de Ética. Quer dizer: o jornalista pode acumular as duas funções; só o que ele não pode é exercer cobertura jornalística, para o jornal em que trabalha, sobre a instituição em que também trabalha. Ocorre que a simples autorização tácita para esse acúmulo de atividades já é, em si mesmo, antiética. E o nosso Código não apenas o permite, ele consagra esse acúmulo de funções nitidamente conflitantes.

Conflito ululante

Quando assumi a presidência da Radiobrás, em 2003, interrompi as colunas que assinava na Folha de S.Paulo, no Jornal do Brasil e em algumas outras publicações. Os conflitos entre a função pública que eu passaria a exercer e a condição de colunista inviabilizariam a credibilidade tanto da minha função pública quanto da minha função de colunista em jornais independentes. Não posso ser, ao mesmo tempo, crítico de mídia e presidente de uma estatal que tem três emissoras de TV, cinco emissoras de rádio e duas agências de notícia na internet. O que pensaria o leitor? Será que ele confiaria na independência do meu ponto de vista?

O leitor teria, no mínimo, uma ponta de desconfiança. Mas, para o nosso Código de Ética, tudo estaria bem. Para ele, o jornalista pode ser repórter do Estado de S.Paulo, da Folha de S. Paulo e da Rede Globo e ao mesmo tempo ser assessor de imprensa do Ministério da Cultura ou do Ministério da Fazenda. Só o que ele não pode é fazer matéria sobre esses ministérios. Francamente, é um descalabro.

E se o jornalista for repórter de uma emissora de rádio e ao mesmo tempo assessor de imprensa do PFL? Poderá ele fazer uma reportagem sobre o PT? O nosso código diz que sim. Ele só não pode fazer uma reportagem sobre o PFL. Ora, se ele, sendo assessor do PFL, assalariado do PFL, realizar uma reportagem denunciando o PT por alguma razão, não haverá nisso um ululante conflito de interesses? Para o Código de Ética da Fenaj, não há problema algum. Mas é claro que, para qualquer cidadão de bom senso, há nisso um problema brutal.

Clientes distintos

Há outros problemas constrangedores. Cito apenas mais um. Na proposta de pequenas alterações no Código, a ser aprovadas num congresso programado para 2007, o artigo 7° ganha a seguinte redação:

"O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pautará pela abertura às mais variadas opiniões sobre os fatos, pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação".

Em se tratando de uma equipe de repórteres e editores de uma revista ou de uma emissora de rádio ou de qualquer instituição jornalística, cumprir à risca esse artigo é um dever óbvio, não há o que se discutir. Mas, aí vem a pergunta: isso vale para um assessor de imprensa? Será que um assessor de imprensa da Coca-Cola deve ouvir a Pepsi-Cola antes de divulgar um release? E um assessor da Igreja Universal do Reino de Deus, terá de ouvir sempre a Assembléia de Deus quando preparar notas sobre o fenômeno evangélico no Brasil? Se alguém aqui me disser que esse artigo vale para os que trabalham em redações, mas vale "mais ou menos" para quem é assessor de imprensa, pois é isso o que se diz nos corredores, eu pergunto: como uma categoria pode pretender ter um código de ética cujos artigos valem para alguns de seus integrantes e não valem para outros?

É por essas e outras que o Código de Ética da Fenaj fica muito a dever a outros códigos que já existem por aí, em empresas jornalísticas brasileiras. Os bons veículos de informação, por pressão da sociedade, por clareza e por exigências naturais do ofício do jornalismo, já recusam, nos seus quadros, a existência desse tipo de duplo emprego. Quanto a nós, na Fenaj, não podemos nos contentar com um código que esteja atrás daquilo que já é a prática nos melhores veículos de comunicação.

A profissão de jornalista tem como cliente o cidadão, o leitor, o telespectador. Nesse sentido, o jornalista se obriga – em virtude da qualidade do trabalho que vai oferecer – a ouvir, por exemplo, lados distintos que tenham participação numa mesma história. Ouvir todos os envolvidos, buscar a verdade, fazer as perguntas mais incômodas para as suas fontes em nome da busca da verdade é um dever de todo jornalista.

O assessor de imprensa, cuja atividade, eu repito, é digna, necessária, ética e legítima, tem como cliente não o cidadão, não o leitor, mas aquele que o emprega ou aquele que contrata os seus serviços. O que o assessor procura, com toda a legitimidade, é veicular a mensagem que interessa àquele que é o seu cliente, àquele que o contrata, e não há nada de errado com isso. É um ofício igualmente digno, mas não é jornalismo. A distinção entre os dois clientes estabelece uma distinção que corta de cima a baixo os dois fazeres.

O objetivo do assessor de imprensa é cultivar e difundir a boa imagem daquele que o contrata. Para isso, ele não mentirá – é evidente que não, compromisso com a verdade também faz parte da ética do assessor de imprensa, ele não tapeará a opinião pública, não cometerá nenhuma indignidade –, mas dará mais realce ao que interessa ao seu cliente. Muitos alegam que o jornalista também trabalha para um patrão, o que é verdade. Só que o patrão não é o seu cliente. Tanto para o patrão do jornalista como para o jornalista empregado, é fundamental que o cliente de ambos – o leitor, o telespectador, o ouvinte, o internauta – acredite que eles buscam a verdade. Por isso, o compromisso deles é com seu cliente direto, o cidadão que consome a informação jornalística. Jornalistas e assessores trabalham para clientes distintos, para atender a necessidades distintas. Por isso, devem ser regidos por normas distintas.

Interesses corporativos

Para que isso fique mais claro, há um paralelo possível que se pode traçar entre o mundo da comunicação social e o mundo jurídico. Juízes, advogados e promotores públicos são todos operadores do Direito, egressos das faculdades de Direto. Todos lidam com as leis, com a Justiça, fazem funcionar o sistema jurídico. Não obstante, sabem que exercem funções distintas e, por isso, pertencem a ordens profissionais distintas, filiam-se a códigos de ética específicos. Não porque advogados pretendam promover a injustiça em oposição a juízes que pretendem fazer valer a lei, mas porque seus ofícios concentram particularidades que são inconciliáveis e, sem demérito para promotores, advogados e juízes, essas três categorias são categorias diferentes. É assim que, ao se tornar juiz de direito, um advogado deve se desfiliar da Ordem dos Advogados do Brasil, devolvendo sua carteira à entidade.

Separar os ofícios de assessoria de imprensa e de jornalismo será um grande benefício para a profissão de jornalista, que terá direito a um Código de Ética sem ambigüidades – como as que vemos no artigo 10º e no artigo 7º. Será um benefício para os assessores de imprensa, que poderão aprofundar, num código específico, as particularidades do seu fazer. Mas, acima de tudo, será um grande benefício para o cidadão que tem direito à informação de qualidade.

Nós, jornalistas filiados à Fenaj, somos, involuntariamente, autores de uma grande impostura que está sendo transmitida à sociedade brasileira: a de que jornalista e assessor de imprensa são a mesma profissão. Isso desinforma e deseduca a sociedade – que passa a ter dificuldade para distinguir uma coisa da outra. Em todos os outros países em que busquei paralelos com o quadro brasileiro não encontrei nada semelhante ao que temos aqui. Em muitos lugares, aliás, quando o profissional assume um posto de assessoria de imprensa, o jornalista entrega sua carteira para a ordem ou ao sindicato dos jornalistas, se licencia e vai exercer uma outra profissão.

Precisamos enfrentar esse debate. Isso representa uma enorme dificuldade para os sindicatos, que têm o seu financiamento vindo de assessores e de jornalistas, indistintamente. Compreendo: se não bem operada, essa transição poderá representar um baque relevante no financiamento dos nossos sindicatos. Mas isso não pode ser um motivo que nos impeça de olhar de frente o problema, porque a distinção não pode ser dada por interesses corporativos, ou pior, a distinção não pode ser obstruída por interesses corporativos – por mais vitais que sejam as fórmulas de financiamento dessas entidades.

As nossas profissões – que são duas, não são uma só – dependem disso para o seu aprimoramento.

***

Jornalista, presidente da Radiobrás

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.

Nome   Sobrenome
 
     
E-mail   Profissão
 
     
Cidade   Estado
 
     
Comentário    

1400
   
Preencha o campo abaixo com os caracteres da imagem para confirmar seu comentário, depois clique em enviar.
Recarregar imagem
   
   



Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de ideias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

 

 Michelle Silva
 Enviado em: 05/09/2006 16:30:16
Discordo um pouco do comentário acima, creio que uma informação é passada de maneira incorreta quando a propria sociedade a aceita assim. Existem grandes jornalistas e todos sabem da etica que devem seguir, pois a midia tem, não somente a função de informar, como a de criar carater, persanalidade, seres humanos. E durante toda a formação de um comunicador não só jornalista, mas também publicitario e demais, aprendemos que acima do ego existe o respeito com a sociedade e um compromisso com a verdade.
 Graziele Leitão
 Enviado em: 06/09/2006 11:19:08
é muito lindo falar de ética qd queremos é comida no prato e dinheiro para pagar contas. Sou jornalista e estou me especializando em assessoria e isso não me faz ser mais ou menos ética. é claro q esse é um tema a ser discutido, mas até se chegar uma conlcusão vou usando uma frase de uma colega jornalista: "Sou jornalista, mas estou assessora de imprensa".
 Marjorie Moura
 Enviado em: 05/09/2006 18:18:20
Acredito que o sr. Eugênio Bucci está confundido profissão com função, assim como os demais comentaristas. Um repórter trabalha da mesma forma que uma editor? E um secretário de redação tem a mesma atribuição que um repórter fotográfico? A resposta para ambas as perguntas é não. O que acontece é que para exercer determinada função jornalística há uma adequação aos atributos específicos de cada uma. Assim, um assessor de imprensa não deve ouvir o seu concorrente para fazer um release porque esta não é uma característica de sua atividade, que tem como papel principal intermediar a comunicação entre seu assessorado e os orgãos de comunicação. Mas é preciso que ele seja um bom jornalista, de maneira a saber distinguir o que é notícia de interesse público da notícia de interesse privado; ter a consciência da importância da informação para a sociedade, servindo não como escudo para seu cliente ou patrão e sim antecipando soluções para as crises em que há necessidade de travar um diálogo público. Agora me digam se estãs não são funções de um assessor de imprensa que somente um bom jornalista pode executar?.
 Henrrique Lapela
 Enviado em: 06/09/2006 16:02:48
Concordo com Eugênio. O jornalista assessor corre o sério risco de "cuspir no prato em que comeu ou comer no prato em que cuspiu".
 Everton Maciel
 Enviado em: 05/09/2006 17:31:30
"Afinal, o que é ética?", perguntava uma professora de jornalismo. "Ética é bom comportamento na vida e na profissão", argumentava ela! Larguei a universidade de CS. Só volto quando tiver uma definição menos idiota.
 guilherme pessanha mary
 Enviado em: 07/09/2006 12:56:20
Também me parece que assessor de imprensa e jornalista não são a mesma profissão. Além de todos os argumentos expostos no artigo, a diferença existe até mesmo na legislação (antiga) em vigor. Basta a comparação atenta entre o Decreto-Lei 972/69 (Dispõe sobre a profissão de jornalista) e a Lei 5.377/67 (Disciplina a Profissão de Relações Públicas e dá outras providências). Diz a última lei citada (art. 2º, "a") que "Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito: a) a informação de caráter institucional entre a entidade e o público, através dos meios de comunicação". O assessor de imprensa é assim profissional de relações públicas, e não jornalista.
 ricardo feltrin costa
 Enviado em: 06/09/2006 17:34:01
Concordo em gênero, número e grau com o texto do senhor Bucci. E estou convencido de que essa confusão entre as duas profissões está na origem do distanciamento cada vez maior que a Fenaj tem tomado da categoria. Transformou-se num sindicato de assessores de imprensa e nem se deu conta disso. abre o olho, Murilo!
 José de Souza Castro
 Enviado em: 05/09/2006 15:30:21

Parabéns, Eugênio Bucci, pela análise que faz dessa proposta da Fenaj e do atual Código de Ética. Não se pode confundir jornalista e assessor de imprensa. Este é um RP e precisa se comportar como tal para ser eficiente e garantir o emprego. A confusão vem de longa data. Na década de 70, a imprensa mineira estava cheia de repórteres, redatores e editores que trabalhavam também como assessores de imprensa em órgãos do governo e em entidades privadas.

Tive um amigo que perdeu um bom emprego de assessor no Clube de Diretores Lojistas depois que foi demitido do jornal "Estado de Minas". A entidade queria ter um assessor que trabalhasse no jornal, por isso, demitiu-o para contratar um ex-colega dele no jornal. O jornal achava, por sua vez, que ter profissionais trabalhando no governo lhe garantia "furos" e publicidade. E garantia mesmo. Quando a Fenaj criou um Código de Ética, parecia um avanço. Mas não era, como analisa Bucci. O "Estado de Minas", por sua vez, publicou num domingo, em duas páginas, seu Código de Ética. Muito bom, mas era pra inglês ver, como qualquer leitor atento pode perceber lendo as páginas do jornal que mais fatura, entre os jornais Associados. Uma pena.

Para fugir dessa praga, no tempo em que trabalhei na sucursal do JB em Minas, durante 16 anos, era proibido jornalista da sucursal ser assessor de imprensa (só havia uma exceção, porque o repórter era antigo no jornal e tinha uma espécie de "direito adquirido"). O jornal exigia tempo integral e dedicação exclusiva. Pena também que as boas práticas tenham vida curta...

 Cláudia Monteiro
 Enviado em: 06/09/2006 14:29:24
Não vejo a necessidade de se separar o jornalista do assessor como profissões diferentes. Vejo a necessidade, sim, de se aperfeiçoar o atual Código de Ética. É como disse uma colega: sou jornalista e estou assessora. Mas nada me impede que amanhã eu me torne repórter novamente ou que assuma uma chefia. Realmente as funções diferem absurdamente, em especializadades e responsabilidades. No entanto, um bom Código de Ética, que contemple inclusive as novas funções do jornalismo, como o redator da internet, é extremamente útil para disciplinar a nossa atuação, penalizando quem age de forma prosmícua e sem respeito ao cidadão.
 Renato Ferreira
 Enviado em: 12/09/2006 16:55:48
Considero a ética mola propulsora de qualquer profissional. Portanto, antes de pensarmos nas funções de um jornalista na redação de um jornal ou numa assessoria de imprensa, acho que nós, como jornalistas, deveríamos também questionar o grave probrema da falta de ética em todos os setores e, principalmente, na imprensa brasileira que está comprada pelo poder público. Se um órgão público contrata advogados para seu departamento jurídico, ou médicos para as suas unidades de saúde, não há nada de anormal- e mais, é legal - que para a assessoria de imprensa sejam contratados jornalistas profissionais. O mesmo ocorre com a empresa privada. Aí caberá ao profissional exercer com ética a sua função, mesmo que seja jornalista e "esteja" assessor de imprensa, como já foi comentado. Seria falta de ética se esse profissional faltasse com a verdade dos fatos seja na elaboração do release da empresa onde trabalha ou da notícia que mandará para o seu jornal. E isso não vale somente para o jornalista/assessor, mas também para o advogado/assessor, para o médico/assessor, para o professor/assessor e tantos outros profissionais. Enquanto esta podre e corrupta política brasileira continuar comprando os órgãos de comunicação do País, do maior ao menor, será muito difícil discutir a ética nsse meio, uma vez que são os patrões que mandam e desmandam, de acordo com os interesses políticos e financeiros.
 Mariana Mattos
 Enviado em: 06/09/2006 16:41:31
"Comida no prato", como a colega citou, realmente é a maior preocupação de grande parte dos jornalistas, como de ampla maioria da sociedade. Mas, de fato, um dos problemas mais agravantes é não compreender que exatamente a falta de entendimento da importância de uma ética inerente a nossas vidas é que nos deixa nesse tipo de situação-conflito. Considero que precisamos sim debater a questão da ética na profissão, na função. Mesmo sendo a faculdade uma só (Comunicação Social - Jornalismo), o exercício se diferencia claramente nos interesses e isso já é fundamento de peso para pensarmos no futuro tanto da profissão de jornalista como na função que exercemos, visto que, cada vez mais, pessoas formadas para serem jornalistas de redação saem direto da faculdade para setores de comunicação empresarial.
 Mário Lima Filho
 Enviado em: 05/09/2006 18:42:31
Quando cursamos Comsocial temos diversas disciplinas que compõem a grade: Direito da Comunicação, Ética, Assessoria de Imprensa, entre outras. Mas não existe a distinção entre nenhuma delas, o que nos dá o direito de fazer o jornalismo conforme ele nos seja apresentado. O colega tem razão quando apresenta a distinçao entre o assessor e o "jornalista". Mas deixa claro também que os assessores, apesar de serem registrados no sindicato como jornalistas, não são jornalistas. Teria que haver uma faculdade só para a assessoria? ou melhor: teria que haver, dentro do bacharelado uma ramificação com opção para assessoria, fotojornalismo, rádio... Acho um absurdo, e temos, mais do que urgente, resolver a questão profissionalmente, pq isto até nos bancos da faculdade é discutido. Só não posso é devolver minha identidade funcional.
 ADHEMAR gandra
 Enviado em: 05/09/2006 13:59:50

falar em etica no jornalismo sera a mesma coisa falar em etica na politica, sao raros os jornalistas em que podemos confiar, muitos tentam convencer o povo pela arrogancia de seus comentarios,outros em linguagem de metaforas ou adjetivos sutis p/ enganar. qdo na verdade estao a serviços de interesse de terceiros.na verdade a informacao correta e uma joia rara ao alcanca de poucos

 Severino Goes
 Enviado em: 08/09/2006 01:40:11
gostaria de ver o observatório comentar a situação do carlos brickmann, assessor de imprensa, dono de uma assessoria de imprensa, que deita e rola em regras para jornalistas em geral. que interesses defende o brickmann?
 Marco Vicente Dotto Köhler
 Enviado em: 05/09/2006 17:03:36
É essencial que haja um diferenciamento entre o jornalista e o assessor de imprensa, pois quem ganhará com isso, além desses dois profissionais, é o cidadâo, o leitor, que passará entender melhor o motivo desse ou daquele texto que acabou de ler. O leitor-cidadão (ou cidadão-leitor) agradece.
 Júlio Pinho Pinho
 Enviado em: 14/09/2006 06:55:30
Imaginem um assessor de imprensa publicando um release que ele mesmo enviou para os jornais...!!! E como bem comentou Eugênio Bucci, assessoria de imprensa não é jornalismo. Trata-se de um dos públicos de uma organização e o profissional que trabalha a comunicação organizacional é o Relações Públicas. Por acaso, trabalhando numa indústria farmacêutica e fabricando remédios para cardiopatias necessitarei contratar um cardiologista para assessorar a classe médica?
 Roberto Almeida
 Enviado em: 06/09/2006 01:56:25
Prezado, gostaria de lembrar do livro A Regra do Jogo - O jornalismo e a ética do marceneiro, de Cláudio Abramo. É uma excelente fonte para enriquecer o debate sobre códigos de ética.
 Gisele Pecchio
 Enviado em: 12/09/2006 09:23:30
Códigos de ética diferentes parecem não ser solução para jornalistas que trabalham em assessorias e na mídia enquanto o fator econômico for o determinante. Afinal, entre uma polpuda verba publicitária e o público, por quanto tempo prevalecerá a ética e o compromisso maior com a verdade e a apuração dos fatos que levem a ela? A situação dos jornalistas de carreira e os comissionados que trabalham no serviço público é ainda mais grave porque se trata de um imenso mercado de trabalho e cujas questões sequer são abordadas nos sindicatos. Para piorar a situação dos jornalistas de carreira, que estariam mais perto desse compromisso ético com o público e com a verdade porque não se mantém na função sob injunção política mas sim mediante seleção em concurso público de ingresso ao cargo, estão sujeitos à desqualificação para favorecer contratos temporários e nomeações políticas. Os comissionados não se mantém no cargo por muito tempo sem se submeter à injunção política de grupos partidários que se alternam no poder. Tudo isso gera situações que dividem e enfraquecem a categoria, lançando uns contra os outros enquanto os grupos que detém o poder se fortalecem e conquistam cada vez mais espaços, mídia e aliados para dividir verbas sociais. Deu na manchete da Folha de S. Paulo e no portal UOL, do mesmo grupo, hoje, 12/9/06: "Verba social da Petrobrás privilegia PT e aliados". Quanto tempo dura uma verdade?

Eugênio Bucci

PROTESTOS URBANOS

A rebelião das temporalidades

Eugênio Bucci | Edição nº 759 | 13/08/2013 | 0 comentários

ECOS DO PROTESTO

Carta aos estudantes

Eugênio Bucci | Edição nº 752 | 25/06/2013 | 1 comentários

PROTESTOS URBANOS

Aliens, zumbis, manifestantes e vândalos

Eugênio Bucci | Edição nº 751 | 22/06/2013 | 4 comentários

PUBLICIDADE

O banco que se apossou da cor laranja

Eugênio Bucci | Edição nº 676 | 13/01/2012 | 6 comentários

UM FILME AMERICANO

O artista da palavra

Eugênio Bucci | Edição nº 676 | 10/01/2012 | 0 comentários

Ver todos os textos desse autor