domingo, 16 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1074

A revolução dos leitores digitais

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Por que razão os jornais e revistas entregam-se com tanto prazer aos vaticínios sobre o seu fim? É masoquismo? Vocação suicida? Ou é mais um modismo que pretendem impingir num mundo comandado pela velocidade e obsolescência?

O mais recente gadget, brinquedinho eletrônico, é o leitor digital de livros anunciado há dias nos Estados Unidos e apresentado em grande estilo na Feira de Livros de Frankfurt. O que chama a atenção, pelo menos deste Observatório, é o facciosismo do nosso noticiário: ninguém discute as deficiências naturais e inevitáveis da nova tecnologia. Nossa mídia pintou a traquizonga – como a chamou João Ubaldo – como se fosse definitiva. Não é verdade.

O aparelho ainda é tosco, dizem os especialistas, a leitura ao sol é complicada pelo reflexo mas ninguém lembra que a tecnologia usada é a mesma dos celulares que, como sabemos, no Brasil deixa muito, mas muito a desejar. Mas qual o veículo que tem a coragem de questionar a qualidade da nossa telefonia móvel?

E a portabilidade? Este leitor digital de livros oferece a mesma portabilidade de um pocket-book? O prazer de folhear poderá ser substituído pelo prazer de rolar continuamente algumas linhas no monitor?

É possível que as deficiências dos protótipos sejam corrigidas, principalmente pelas marcas concorrentes mas uma coisa é certa e definitiva: quando se trata de vender novidades e modismos a mídia não questiona, não duvida. O que funciona é o instituto do oba-oba. Este Observatório acredita que os cientistas e inventores têm compromisso com suas certezas mas o papel do jornal é duvidar. Sempre.