Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1411

Governo fecha jornal ligado a grupo islâmico

O governo egípcio fechou, na semana passada, o Afaq Arabiya (Horizontes Árabes), jornal conhecido como porta-voz do movimento político fundamentalista Irmandade Muçulmana, e prendeu no mínimo 27 membros do grupo, como noticia Miret El Naggar [Knight Ridder Newspapers, 10/3/06]. A ação faz parte de campanha do governo para restringir a crescente popularidade da Irmandade, que possui ainda influência legislativa. A iniciativa também é o exemplo mais recente da postura adotada pelo presidente do país, Hosni Mubarak, que tem ignorado as promessas de reforma democrática e mais liberdade para partidos de oposição feitas durante sua campanha.

Fundada em 1928, a Irmandade é o grupo islâmico mais antigo do Oriente Médio e deu origem a grupos extremistas como o Hamas e a al-Qaeda. Ela é oficialmente proibida de funcionar desde 1954, mas é representada por candidatos independentes, que ganharam 88 vagas nas eleições parlamentares egípcias do ano passado. O sucesso do grupo reflete a força do movimento islâmico no mundo muçulmano: o grupo muçulmano sunita Hamas assumiu o poder nos territórios palestinos, o xiita Hezbollah, no Líbano, os conservadores xiitas islâmicos, no Iraque, e outros braços da Irmandade, na Jordânia e Síria. Como a Irmandade não é reconhecida como um partido político, não pode operar um jornal no Egito. Mas o Afaq Arabiya, que pertence a um partido de oposição, geralmente cede espaço para a divulgação das visões da Irmandade.