Thursday, 07 de July de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1195

Finas linhas separam fotojornalismo de arte ou embuste

selo_rev_jorn_espmDiferenciar fotos jornalísticas reais de ensaiadas não é problema novo. A controvérsia sobre a que Joe Rosenthal, da Associated Press, fez em Iwo Jima em 23 de fevereiro de 1945, por exemplo, ainda persiste, 70 anos depois. Mas a realidade das mídias sociais, do jornalismo digital e dos avanços da tecnologia tem intensificado polêmicas. Muitos fotojornalistas acham que as estratégias de narrativa exigidas nesse ambiente autorizam mais flexibilidade nos critérios éticos antes vigentes.

Este ano, na competição World Press Photo, uma das mais respeitadas do mundo, 20% das finalistas (três vezes mais que em 2014) foram desclassificadas por não terem sido consideradas suficientemente fiéis aos critérios do jornalismo.

Qual o grau de manipulação em arquivos digitais por meio de Photoshop é aceitável para uma foto atender aos cânones jornalísticos? Como garantir que a foto é a expressão da verdade factual num tempo em que artifícios técnicos são banais e a demanda do público por narrativas fortes é crescente? Esse tipo de pergunta será feita cada vez mais frequentemente na atividade de fotojornalismo.

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Carlos Eduardo Lins da Silva é livre-docente, doutor e mestre em comunicação; foi diretor-adjunto da Folha e do Valor.