Thursday, 07 de July de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1195

O valor da liberdade

Hoje [domingo, 3/5] é o dia mundial da liberdade de imprensa. Foi lembrado apenas pela ANJ, a patronal Associação Nacional de Jornais. Melhor seria que tivesse esquecido. Num anúncio, a ANJ pergunta: “Quem vai combater o Estado Islâmico?”. Apresenta três alternativas: “Os jornais, o Facebook ou o Google?”. A resposta é indireta, através da reprodução do título de um imaginado jornal da entidade: “No papel ou no digital, nada substitui o papel do jornal”.

Mas não é papel do jornal combater quem quer que seja, exceto no espaço que reserva à sua opinião. Se o Estado Islâmico é nocivo e ameaçador, que isso seja mostrado através de dados, do levantamento da realidade, se ela corresponde ao enunciado. Trata-se, rigorosamente, de hipótese de trabalho: o EI é um mal? Um bom repórter irá a campo para testar a hipótese e, comprovando-a, apresentará a demonstração dos fatos. Ir com uma verdade pronta e acabada, que apenas será aquecida e servida ao consumidor, não é jornalismo: é facciosismo.

A imprensa precisa ser livre, desembaraçada de qualquer forma de cerceamento e censura, para devassar as situações e apurar as informações até que esteja o mais próximo possível da verdade. A verdade é aquilo que se prova através da demonstração com fatos e se difunde o mais rápido possível à maior quantidade de pessoas ao alcance.

Esta liberdade de imprensa merece ser comemorada. A da peça publicitária da ANJ, não.