Friday, 14 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Acesso pago a notícias online enfrenta teste decisivo


Nesta segunda feira (19/9) o The New York Times passa a cobrar pela leitura dos artigos de opinião, editoriais e algumas reportagens especiais, numa iniciativa que está sendo acompanhada de perto pelos jornais online de quase todo mundo.


O Times não é o primeiro jornal a ter parte de seu conteúdo exclusivo dos assinantes, mas o fato de ser uma publicação de referência mundial faz com que os resultados da experiência acabem sendo decisivos na longa discussão entre os criticam e os que defendem a gratuidade total no acesso aos jornais e revistas online.


A decisão do NYT é polêmica porque se situa num contexto marcado por dois grandes problemas: um é o dilema das empresas jornalísticas tradicionais, principalmente os grandes grupos, de encontrar um novo modelo de negócios capaz de recuperar a rentabilidade e os níveis anteriores de leitura; o outro é a inserção destas empresas na nova realidade informativa criada pela internet, onde a informação passou a ter um valor bem diferente do existente na economia anterior à grande revolução tecnológica do final do século XX.


Muitos executivos de empresas jornalísticas convencionais acham que é possível desvincular uma questão da outra, e é ai que está o seu grande e pouco analisado dilema. A generalização dos computadores e da internet liberou uma avalancha informativa que eliminou o monopólio dos grandes grupos do jornalismo impresso na produção e distribuição de notícias. Com isto o principal produto dos jornais acabou sofrendo uma aguda desvalorização, que tende a se intensificar na medida em que a revolução digital se universalizar.


No novo universo informativo criado pela internet, a notícia não é uma commodity valorizada porque a sua oferta aumenta constantemente. Logo cobrar pelo acesso está na contramão do processo e contraria as leis do mercado. O que está em falta neste universo informativo é a credibilidade e a contextualização. A primeira está cada dia mais personalizada enquanto a segunda depende cada vez mais de um trabalho coletivo.


O The New York Times quer faturar em cima da opinião personalizada de seus colunistas e editorialistas, numa iniciativa que imbute uma grande incógnita: conseguirá a Gray Lady (Senhora Cinzenta, apelido do jornal) oferecer opiniões confiáveis com acesso pago competindo com 17 milhões de weblogs onde a informação é grátis? A vantagem comparativa do jornal é que o seu leitor pagará pela comodidade de obter opiniões confiáveis sem ter que gastar tempo conferindo a credibilidade dos blogs, que ele não conhece. A dúvida é se esta vantagem será suficientemente forte para gerar lucros.


Vários jornais investiram na contextualização das notícias investigando suas causas e consequências. Os resultados foram díspares, mas a avaliação da experiência foi drasticamente afetada pelo surgimento de sistemas de autoria coletiva, como o wiki, a revista de tecnologia Slashdot  ou o jornal online OhmyNews, da Coréia do Sul. O fenomeno Wikipedia , a enciclopédia virtual que revolucionou o conceito de autoria coletiva é hojeu uma referência imbativel em materia de contextualização informativa rápida e confiável. É impossível um jornal concorrer com os 440 mil colaboradores registrados na Wikipedia que atualizam, editam, acrescentam e corrigem informações gratuitamente as 24 horas do dia, sete dias por semana, o ano inteiro.


Estes dados mostram que o desenvolvimento de um novo modelo de negócios para os jornais passa pela integração entre a versão em papel e a online, como parte de um projeto de convergência informativa com a televisão, rádio e telefonia celular.


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