Monday, 24 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1293

Demissões em jornais dos EUA aumentam pessimismo na imprensa mundial


O anúncio de que os grupos Times e Knight Rider vão demitir cerca de 700 jornalistas provocou ondas de choque em todo o segmento da mídia impressa, não apenas nos Estados Unidos. A preocupação vem da queda continuada nas receitas publicitárias e a previsão de que a curva de faturamento na mídia impressa norte-americana, a maior do mundo, continuará descendente a curto e médio prazo.


O corte de pessoal no The New York Times é emblemático não só pelo prestígio do jornal mas principalmente pelo fato dele estar demitindo jornalistas, periodicamente, desde o ano 2000. O Times tinha quase 14 mil empregados na virada do século e agora, depois desta nova tesourada na folha de pessoal, vai ficar com pouco mais de 11 mil funcionários na produção de jornais. O anúncio dos novos cortes inclui 45 jornalistas da redação em Nova Iorque e 35 na redação do Boston Globe, jornal que também pertence à rede Times.


A luz vermelha acendeu no departamento financeiro do jornal no final de agosto quando as reservas de espaço para publicidade até dezembro encolheram em 1%, numa época em que normalmente os anunciantes se preparam para as vendas natalinas.


O mesmo alarma tomou conta dos executivos do Philadelphia Inquirer, da cadeia Knight Rider, quando as previsões para o semestre indicaram uma queda de assustadores 14,2% na publicidade de fim de ano, responsável por quase 70% da receita anual.


Outras publicações norte-americanas começaram também a apertar os cintos e planejar demissões de jornalistas como o San Francisco Chronicle, o Los Angeles Times, Newsday e o Houston Chronicle. As ações das principais empresas jornalísticas norte-americanas perderam 11% do seu valor, só este ano. Em 2004, a desvalorização chegou a 5% em 12 meses.


O pessimismo seria maior ainda se muitas das empresas não estivessem registrando lucros em suas operações online, como é o caso do The New York Times, que teve ganhos de 27% com o site About, comprado no início de 2005 e que faturou, até agora, US$ 410 milhões em publicidade online.


Não há mais dúvidas sobre a crescente migração de anunciantes da mídia convencional para a internet, mostrando que a indústria dos jornais precisa iniciar, mais cedo do que muitos esperam, uma revisão profunda tanto do seu plano de negócios como de suas estratégias editoriais. A era do jornal como símbolo do poder e prestígio está chegando ao fim, até mesmo em ícones da imprensa mundial como o The New York Times.


Esta mudança afeta também os profissionais do jornalismo, que paradoxalmente mostram uma quase indiferença em relação às traumáticas mudanças que já aconteceram, e as que estão por acontecer, na imprensa convencional no mundo inteiro.


Os jornalistas são personagens essenciais na mudança de paradigmas na imprensa escrita porque a migração de profissionais para a internet e para o jornalismo online não funciona pelo sistema plug and play (ligar e executar) . É necessária uma recapacitação para o novo ambiente de trabalho, coisa que não está nos planos das empresas.


Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.