Saturday, 02 de July de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1194

Pesquisa mostra futuro sombrio também para a TV aberta


Não é mais novidade o fato de que os jornais impressos convencionais perdem cada vez mais leitores. O que poucos sabiam é que também a televisão aberta enfrenta um futuro sombrio diante do êxodo, cada vez mais intenso, dos espectadores com menos de 35 anos para a internet.


Este fenômeno ficou plasmado em números por meio de uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo instituto Harris e pela empresa WalltSt24/7, na qual os resultados apontam uma diferenciação crescente entre os hábitos informativos das gerações mais velhas e dos mais jovens. Segundo os especialistas, é aí que mora o perigo.


A pesquisa foi feita nos Estados Unidos e, portanto, seus resultados não podem ser transferidos automaticamente para a realidade brasileira. São grandes as diferenças culturais e econômicas, mas há uma tendência em comum, porque os modelos de negócios são idênticos. Assim, no caso brasileiro, os dados da pesquisa devem ser vistos como aproximações.


Nos Estados Unidos, o êxodo do público jovem das televisões abertas é mais intenso do que no Brasil, porque aqui a TV ainda é uma fonte majoritária de informações e entretenimento. Lá, 18% dos entrevistados adultos admitiram que assistem telejornais pela web, índice que sobe para 24% entre os mais jovens, com menos de 35 anos.


Dos 2.095 entrevistados acima de 18 anos, 3% dos mais maduros vêem televisão apenas no seu computador, enquanto este percentual sobe para 7% entre os mais jovens. A pesquisa apontou também uma tendência que deve provocar dores de cabeça entre os programadores e donos de emissoras de TV paga.


Há uma forte tendência dos espectadores de canais por cabo a acessar os sites noticiosos destes canais, na web. O problema é que no cabo o acesso é pago enquanto na web ele é gratuito, pelo menos até agora.


Tudo isto mostra que a TV aberta perde continuamente audiência, que migra para o cabo, que por sua vez perde público para a internet. No começo dos anos 1990, nada menos que 68% dos norte-americanos se informavam pelos telejornais. Hoje, esta proporção despencou para 56%, conforme uma pesquisa do Pew Research Center, citada pelo Observatório Europeu de Jornalismo.


Este mesmo processo de migração de público está na origem da crise nos jornais. Entre os entrevistados pela pesquisa do Harris, 81% das opiniões expressam a crença de que o declínio da imprensa convencional vai continuar e 55% estão convencidos de que os jornais desaparecerão até 2020.


Aqui no Brasil, a sobrevida da imprensa pode ser maior devido a fatores políticos, como auxílio governamental e outras formas de socorro financeiro. Também há o fator limitante do custo do acesso à internet, que ainda é muito maior do que nos Estados Unidos. A diferença está caindo, mas ainda é grande.


Tudo isto confirma mais uma vez o que as pesquisas e as estatísticas mostram de forma cada vez mais clara. O modelo da imprensa está mudando. Estamos num momento de transição, o que abre a perspectiva para uma maior participação do público. Uma participação mais prática e efetiva, por meio do uso das novas tecnologias, do que retórica, por meio de cobranças e questionamentos.