Friday, 14 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Reportagem policial

O repórter César Tralli acompanhou a detenção de um falso médico num hospital paulistano. Foi uma cena chocante, exibida ontem (9/2) no Jornal Nacional. O policial que interpelou o acusado estava exaltado. Por pouco não deu um tapa no sujeito, um completo crápula, a serem verdade as acusações (*). O repórter, seus editores, a emissora responderão: fazemos a cobertura dos fatos.


Muito bem. Pergunta-se: será que Tralli ou outro repórter seria bem-recebido para cobrir uma sessão de tortura em alguma delegacia? Ou será que a tortura não faz parte da realidade?


(*) Por mais odiosa que pareça a situação, e situações odiosas não faltam, o processo só termina depois do julgamento. As sociedades ditas civilizadas não fazem isso por comiseração. Fazem isso para preservar falores básicos. Mas suspeitos são mostrados pelos meios de comunicação sem a menor preocupação com a hipótese de que sejam inocentes. A Globo e outras emissoras julgam e condenam em tribunais próprios. Quantas “escolas-base” há no noticiário cotidiano? E quantas há, muito mais numerosas, fora do noticiário?