Tuesday, 18 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Temporada de lucros e compras no jornalismo online


Nada menos que três relatórios divulgados nas duas últimas semanas chegaram à mesma conclusão: os lucros com o jornalismo na internet estão subindo de forma consistente e com eles, o interesse das megacoporações da mídia mundial nos negócios virtuais.


Um estudo da empresa eMarketer  afirma que as receitas de publicidade em sites jornalísticos nos Estados Unidos devem totalizar 1,4 bilhões de dólares até o final de 2005, um crescimento de 38% em relação ao ano passado. O mesmo estudo afirma que o faturamento publicitário da Web deve manter-se dentro dos dois digitos percentuais até 2008, mas prevê uma queda lenta a partir de 2006, resultante da estabilização de mercados e preços.


Apesar do otimismo de anunciantes e executivos da imprensa online, estes números ainda são pequenos comparados com a mídia convencional. Segundo a eMarketer, o faturamento publicitário na Web representou magros 3,6% do total das receitas da mídia mundial com publicidade e deve chegar 4,5% até dezembro, com uma previsão da fatia crescer para 7,5% em 2009.


Estes prognósticos são confirmados, com pequenas variações, pelas empresas Research and Markets e Veronis Suhler Stevenson (VSS). Ambas prevêm um crescimento rápido na auto-sustentação financeira nos sites de jornalismo online, especialmente os mantidos por grandes grupos da mídia e que tem maiores ligações com as grandes agências de publicidade. A VSS, tida como conservadora, mudou seus progósticos apostando num crescimento de 20,7% na captação de publicidade online contra escassos 3,2% na mídia convencional.


O anúncio destas previsões coincidiu com o aumento de notícias sobre compras em massa de empresas ligadas ao setor de informação jornalística na Web. O grupo Murdoch (News International ) reservou nada menos que um bilhão de dólares para uma temporada de compras na Web, metade dos quais já gastos desde janeiro. Com isto, a audiência das empresas do grupo cresceu para 50 milhões de internautas em todo mundo.


O The New York Times já gastou US$ 410 milhões com a compra da empresa About  e passou a contratar em massa os melhores cérebros do jornalismo online. Na Inglaterra, o conglomerado United Business Media  também está com o talão de cheque em funcionamento frenético, seguindo o exemplo do seu concorrente direto Trinity Mirror .


Depois de um início claudicante, em meados dos anos 90, o jornalismo online começa a deslanchar, graças ao desenvolvimento de um modelo de sustentabilidade financeira, que não chega a ser nada de revolucionário em relação ao que vigora a décadas para a mídia convencional. Na verdade, os publicitários e executivos estão aproveitando as vantagens óbvias da internet em relação a determinados segmentos da imprensa tradicional e a redução do medo dos grandes executivos em relação à internet.


Os índices atuais de crescimento devem cair a médio prazo quando estas vantagens deixarem de ser tão atraentes, mas isto não vai significar nenhum alívio para os grupos empresarias que não apostaram no jornalismo online. Segundo os especialistas em futuro da mídia, como o norte-americano Vin Crosby, autor do blog Digital Deliverance , a estabilidade só será atingida quando for alcançada a chamada convergência digital, ou seja a integração editorial e financeira entre meios impressos, rádio, televisão e internet. O problema é que a convergência deve implicar o abandono de fórmulas convencionais em matéria de faturamento, o que vai exigir significativas mudanças na cultura corporativa, principalmente dos grandes grupos da mídia mundial.