Friday, 14 de June de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1292

Tiragens estáticas e anabolizantes

Ninguém pode dizer que a Folha de S. Paulo está atrás dos outros grandes jornais na cobertura da crise do ‘mensalão’. Ao contrário. Se há um jornal que trouxe elementos novos, desde a primeira entrevista do deputado Roberto Jefferson, foi a Folha. Mas isso não se refletiu em aumento da tiragem. A própria Folha publicou no final de julho uma reportagem na qual mostrava que a circulação paga média havia sido de 312 mil exemplares em maio e de 313 mil em junho, aumento de 0,4%. Explicava-se no texto que 88% dos compradores da Folha são assinantes, por isso havia pouca variação. 


Hoje, dia 6 de setembro, a tiragem total da Folha (único jornal que dá essa informação) foi de 305.645 exemplares. Há três semanas, na terça-feira, 16 de agosto, havia sido de 308.196. Não tenho informações sobre a circulação paga. Como se sabe, jornais distribuem para as bancas um número de exemplares em geral maior do que o que se consegue vender. A sobra é chamada de ‘encalhe’ e vendida a peso. A crise não provocou aumento da tiragem total. E o material dos jornais é infinitamente melhor do que o da televisão, além de ser diferente, suscetível de consulta a qualquer momento e de releitura.


Ontem, a Folha publicou uma reportagem sobre os gastos em propaganda do governo federal e de estatais. Mostrava como a fatia da Rede Globo havia crescido entre o final do governo de FHC e os dois primeiros anos do governo Lula. Um dado impressionante, que vale a pena reproduzir, é a evolução da tiragem anual média dos jornais.


O Globo


2001 – 297,9 mil


2002 – 266,2 mil


2003 – 253,4 mil


2004 – 257,5 mil


Folha de S. Paulo


2001 – 399,6 mil


2002 – 339,6 mil


2003 – 314,9 mil


2004 – 307,7 mil


O Estado de S. Paulo


2001 – 341,2 mil


2002 – 268,4 mil


2003 – 242,7 mil


2004 – 233,5 mil


Jornal do Brasil


2001 – 76,3 mil


2002 – 73,8 mil


2003 – 72,5 mil


2004 – 75,8 mil


O que proporcionalmente sofreu menos (porque já tinha descido a ladeira) foi o JB, que até melhorou em 2004. (Uma análise detalhada do movimento de vendas, feita por Marinilda Carvalho, está na edição do Observatório de 6/9 em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/
artigos.asp?cod=345IMQ012
 .)


Pois bem. No domingo, a Folha anunciou mais uma temporada de ‘anabolizantes’, que é como o Observatório da Imprensa chama os brindes oferecidos para estimular a compra de jornais. Como as primeiras críticas a esse método foram feitas nas primeiras edições do OI, em 1996, presume-se que não se devem esperar milagres dessas campanhas. Menos mal que se trate de uma coleção de CDs de música erudita. Já teve jornal que ofereceu panelas aos leitores.