Monday, 15 de August de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1200

Documento revela que EUA buscam acesso total na web

A Agência de Segurança Nacional americana (NSA) trabalha para criar um computador quântico, máquina que seria capaz de acessar informações de qualquer computador conectado à internet. A informação foi divulgada pelo jornal Washington Post, a partir de documentos revelados pelo delator Edward Snowden. A NSA tem sido alvo de críticas por desenvolver métodos de espionagem de informações confidenciais de civis e estrangeiros na web.

A criação de um computador quântico operacional tem sido o objetivo de diversos esforços de grupos de cientistas ao redor do mundo. Ele teria diversas aplicações, como na resolução de problemas matemáticos e na criação de inteligência artificial, mas acredita-se que a NSA tenha interesse específico em quebrar códigos de senhas de acesso. Também não se sabe se a agência está à frente de outros grupos na corrida para o desenvolvimento do aparelho, como laboratórios americanos e europeus.

Os documentos vazados da NSA indicam que a agência acredita estar equiparada aos centros de pesquisa financiados por União Europeia e Suíça, que se encontram entre os mais avançados do mundo.

Gaiolas metálicas

O computador quântico é algo ainda muito delicado. Seu desenvolvimento é feito em salas chamadas de gaiolas de Faraday, grandes recintos vedados para que não haja troca de energia eletromagnética com o meio. A NSA explica, nos documentos vazados, que isso é necessário para “manter em andamento os delicados experimentos de computação quântica”.

Enquanto um computador normal usa o sistema binário, em que um bit pode ter os valores zero ou um, o novo aparelho lida com bits que valem zero e um ao mesmo tempo. Em termos simples, isso faria com que a máquina gastasse menos tempo em cálculos complexos, desvendando os códigos de encriptação muito mais rapidamente.

Segundo o Post, estima-se que um aparelho minimamente capaz de realizar tais tarefas ainda deve demorar mais dez anos para ser criado, na hipótese mais otimista – a pessimista é que demore mais de cem.