Quinta-feira, 15 de outubro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1410

Debate poderá ajudar Lula?

(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Trinta milhões de eleitores não votaram, mas se tivessem votado, qual teria sido a preferência? Na dúvida, ainda há a esperança de que os doentes, idosos, os que estão em viagem e os indecisos decidam votar. Mas só votar não basta, será preciso uma maioria de votos em Lula para impedir a vitória anunciada da extrema direita, com um retrocesso nos direitos humanos, política social, defesa de nossa soberania e salvaguarda de nossas riquezas.

Será possível reverter a tendência de um grave retrocesso, capaz de anular conquistas e lutas populares ainda da época de Getúlio Vargas? Quais foram essas conquistas com as quais nos acostumamos, correndo o risco de serem anuladas por um novo governo já com maioria na Câmara e no Senado?

Vamos começar com a CLT ou Consolidação das Leis do Trabalho, de 1943, unificando algumas leis já existentes e garantindo direitos básicos que podem ser reivindicados e defendidos na Justiça do Trabalho, como a jornada de trabalho de 8 horas, com descanso semanal e férias remuneradas, a Carteira de Trabalho para registrar e garantir contratos empregatícios com os direitos decorrentes no caso de demissão, o salário mínimo com reajustes, a regulamentação do trabalho de menores e mulheres.

Isso, mais o voto feminino, o voto secreto, a aposentadoria por tempo de serviço com a Previdência Social, sem esquecer das grandes estatais criadas naquela época, garantindo a soberania brasileira, como a Petrobras, a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.

É ainda possível evitar um retorno a um Brasil apenas exportador de suas matérias-primas, sem leis protetoras dos trabalhadores, aceitando se submeter a uma política de sujeição latino-americana aos Estados Unidos?

Os resultados das eleições gerais de 4 de outubro mostraram o risco do Brasil se alinhar com as tendências atuais que favorecem as oligarquias e a destruição do aparelho estatal em curso na América Latina, coordenado com o retorno do autoritarismo conjugado com o poder religioso que, no Brasil, assumiu feições de um cristianismo neocolonial de exportação norte-americana determinado a destruir nossas tradições e cultura, para impor novos padrões econômicos.

As últimas e impressionantes manifestações em favor de Lula criaram em muitos a esperança de uma reação lulista no domingo 25, mas continua sendo difícil, pois as redes sociais bolsonaristas continuam a todo vapor, enquanto o ministro Nunes Marques, do TSE e STF, a pedido de Flávio Bolsonaro e num ato de censura, está tentando travar o canal Exército do Lula criado pelo deputado federal André Janones.

Aguardam-se novas sondagens, embora tenham se revelado imprecisas e imperfeitas. O próximo domingo, 18 de outubro, poderá ser determinante com o anunciado debate entre Lula e Flávio na Band, retransmitido por rádios e TVs. Nesse mesmo domingo se poderá comparar a manifestação pró-Flávio na avenida Paulista, em São Paulo, com a manifestação pró-Lula, no domingo anterior, na mesma avenida. Essas manifestações, embora gigantescas, não tiveram o merecido destaque na grande imprensa.

A aprovação do fim da escala 6×1 talvez não tenha o mesmo impacto desejado por Lula, pois aconselhado pelo pai, Jair, Flávio Bolsonaro decidiu apoiar sua aprovação, embora tenha dito que, se eleito, irá modificar as leis trabalhistas da CLT.

Algumas referências:

Nunes Marques e Janones
https://www.brasildefato.com.br/2026/10/11/nunes-marques-censura-canal-pro-lula-criado-por-janones-com-mais-de-3-milhoes-de-usuarios/

https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/nunes-marques-ignora-corregedor-eleitoral-suspende-canal-de-lula-e-impoe-condicoes-para-funcionar

Imprensa não mostra
https://www.facebook.com/reel/1094054553343343

Flávio apoia fim da 6×1
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjqln6grn1nyo

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.