Saturday, 20 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

O debate entre candidatos na TV Cultura

Em minha opinião, foi mais ou menos… Parabéns aos candidatos, a uns mais, a outros menos, que acabaram mostrando que são mais candidatos a cargo público eletivo mesmo, com a seriedade que isso demanda, e menos artistas de televisão, com a vulgaridade populista que isso demanda. Uns mais, outros menos. E um mais ou menos parabéns ao Estadão e à TV Cultura. Mais pela iniciativa e menos pela realização. Essa, sim, francamente orientada pela ideia neoliberal de que as pessoas escolhem seus candidatos como quem escolhe uma marca de sabão em pó, um time de futebol ou ainda – e talvez mais adequadamente – um dos lutadores de um telecatch previamente combinado e inócuo. Não é assim que eleitor escolhe. A forma sugere o conteúdo. “Nem tudo é marketing, nem tudo é vendável e debate não significa necessariamente briga”, foi a postura dos candidatos que se saíram melhor, na minha opinião.

Interessante a primeira questão que Mario Sergio Conti propôs a todos os candidatos: “O que pensa da trajetória política, do perfil profissional e da personalidade pública do candidato Celso Russomanno e tente explicar por que é que ele está em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais.” Saiu-se melhor quem conseguiu fugir com alguma elegância da facilidade vulgar de “meter o pau” no líder das pesquisas, e melhor ainda quem fugiu da resposta mais óbvia, que seria acusar a mídia e seu poder de alçar às alturas celebridades instantâneas e também vulgares, o que seria um tiro no próprio pé: a mídia foi justamente o que proporcionou a chance dos candidatos virem a público se exporem e às suas razões. Pela TV e ao vivo ficam muito claras a posição e as intenções tanto de cada candidato quanto da própria mídia. Poderia ter sido pior, poderia ter descambado para baixarias. Não foi e muito por conta de haver candidatos sérios. Mas poderia ter sido melhor se a TV Cultura, alinhada que está com o governo a que pertence, o do PSDB, subestimasse menos o telespectador, se o tratasse mais como eleitor e menos como consumidor. Quem apoia formatos como foi o desse debate não pode criticar quando vir eleitos candidatos como a Mulher Pêra, por exemplo. O debate foi, portanto, mais ou menos. P.S.: Alguém já disse que o horário gratuito na TV deveria ser da seguinte forma: cenário de fundo neutro, da mesma cor para todos os candidatos, o candidato e uma câmera fixa. Acho exagero, creio que poderia ser quatro câmeras fixas: uma de frente, uma de cada lado e a terceira num datashow. Fica a sugestão para o TSE (Renato Lazzari, analista de sistemas, São Paulo, SP)

 

Cadernos de informática

Algum de vocês já leu um caderno de informática de nossos grandes jornais? Falo ler, não ver as fotografias ou apenas as tirinhas. Os cadernos de informática da imprensa brasileira são a última invenção do marketing publicitário do país, depois dos cadernos de automóveis. Não informam absolutamente nada, apenas propagandeiam produtos. E isto em artigos até assinado por jornalistas especializados. Um jornal deve prestar serviço, mas passar propaganda como informação é subterfúgio. Aliás, qual é o critério para os cadernos dos grandes jornais? O único que se vê é botar o de cultura por último. O maior, então, são as primairas páginas de propaganda pura e agora também as segundas. Os cadernos de informática podem nãoser o fulcro da questão, mas dela fazem parte. Se a noitícia não passa de um produto a venda, como pensam nuitos profissionais de altom quilate, ela então seja toda vendida. O pior é o leitor, o assinante, cada vez pagar mais por um monte de propaganda (Zulcy Borges de Souza, jornalista, Itajubá, MG)

 

Algumas ideias para pensar

Prezado Alberto Dines: o senhor é, sem sombra de dúvida, um jornalista fora do circuito da mesmice cerebral que ronda o jornalismo brasileiro. O programa Observatório da Imprensa é um ótimo espaço para o debate sobre a imprensa. No entanto, gostaria de ressaltar o leve toque corporativo em prol dos jornalistas que às vezes ronda as suas entrevistas. Nada grave, mas sei que às vezes é difícil de perceber, considerando principalmente os anos de luta que o senhor enfrentou em prol do jornalismo. Fica aqui a admiração e o respeito por seu estimado trabalho (Naldo Paz, músico, Belém, PA)