Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

O sucesso de uma missão

Segundo Vergílio Ferreira (in Jornal de Letras), “o português é uma língua cujo centro está em toda a parte, ou seja, em nenhuma”. Ora, urge não esquecer que, até ao final do século 21, os oito países falantes de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) terão uma população de 350 milhões de pessoas, isto é, seremos mais 100 milhões do que os atuais cerca de 250 milhões (dos quais mais de 190 milhões são brasileiros).

Partindo desta perspectiva, talvez consigamos compreender o “potencial econômico” da língua portuguesa e todo o interesse mundial à volta da sua aprendizagem. Por isso, não se entendem as confusões, quando se fala da sua ratificação. Na verdade, o Acordo ortográfico é uma realidade e, no que se refere ao Brasil, houve apenas um adiamento da sua aplicação obrigatória. Ou seja, em 2016 Portugal e Brasil estarão em sintonia quanto à obrigatoriedade do seu uso.

Esse fator, note-se, nunca comprometeu a ratificação, uma vez que o AO está decretado e é seguido majoritariamente na sociedade brasileira e até em Portugal, como se pode ler no site da CPLP: “O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa já está em vigor em alguns dos Estados-membros da CPLP. Aguarda-se a sua ratificação pelos demais países para garantir a expansão da língua nos seus factores extra linguísticos, consolidando o discurso científico que produz, as expressões cultural e artística que cria, as relações económicas que veicula e as suas demais dimensões, como a promoção no cenário Internacional.”

Pátria cultural portuguesa

É, pois, lamentável que se ouçam vozes gloriosas de patriotismo que proclamam a independência da nossa língua, como se ela fosse um bem exclusivo do povo português.

A identidade de um povo não se perde, apenas se espalha, tal como aconteceu na época dos Descobrimentos.

Falar e escrever em português prefigura o surgimento de uma pátria cultural portuguesa, quem sabe, aquela a que Fernando Pessoa apelidou de Quinto Império.

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Lúcia Vaz Pedro é professora de Português e colunista no Jornal de Notícias, Porto, Portugal