Sunday, 21 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Por que a educação não dá Ibope?

Acho desalentador a forma como nossa imprensa trata as atividades pedagógicas que os professores, em sua intensa luta, tentam mostrar para a sociedade e fico às vezes imaginando e tentando entender o verdadeiro sentido da educação. Quando ocorre algum episódio de violência em uma escola (principalmente pública), a cobertura jornalística é sempre extremamente eficiente, o que dá para todos uma ideia de que nas escolas não se faz educação, e sim, violência. Fico a me perguntar qual é o objetivo dos gestores da informação ao fazerem isso, pois não quero me intrometer na lógica do jornalismo, mas fico preocupado quando determinados setores (quase todos) da mídia desprezam atividades maravilhosas que ocorrem na escola e que ficam no ostracismo e anonimato, o que faz com que não tenhamos acesso a boas práticas e acaba dando uma imagem de escola que muitas vezes não é a realidade premente ou absoluta.

É desalentador para um professor investir às vezes o próprio salário na construção de atividades e não ter um único destaque na mídia de sua atividade nem ter reconhecido seu esforço, o que faz com que muitos acabem desanimando e não voltando a desenvolver trabalhos que não são ambição pessoal de destaque ou do fato de querer aparecer, mas uma simples forma de ter seu trabalho valorizado em um mundo que pouco ou nada quer com a verdadeira educação. É triste ver que, além dos gestores, a sociedade também não tem preocupação com a educação de verdade nem se interessa com o que se passa na educação, senão cobraria da mídia momentos para divulgar, mostrar e revelar as escolas que estão escondidas por aí sem o apoio da mídia ou da própria sociedade, o que faz com que fiquemos preocupados com o futuro de um país que não valoriza a educação de verdade.

Vence na vida quem diz sim

A educação é, sim, uma necessidade, mas poucos a compreendem assim e por tudo isso temos cada vez mais a ação dos governos que desvalorizam educadores, sucateiam a educação pública e procuram cada vez mais abrir espaços para que esta seja objeto de interesses do serviço privado, excluindo os que não podem pagar por este serviço. É duro, mas é verdade que nossa imprensa não quer mostrar os sucessos das iniciativas em educação, o que nos faz sentir medo do que o futuro nos reserva, quando em breve teremos nossa ruas cheias de jovens e adolescentes a serviço do vício, da prostituição e todas as outras formas de violência, o que é real e está tragando nosso mundo pela falta de visão de muitos que fazem nossos meios de comunicação. Jornalistas, mudem conceitos, pois sua responsabilidade é muito grande para dar à educação o valor que ela merece.

Por outro lado, vemos que as pesquisas de prioridades para prefeitos nunca colocam a educação em primeiro lugar. Vem sempre a saúde, pois nosso povo ainda pensa que saúde se resolve com posto médico ou matadouros, que são os hospitais públicos de hoje. Amigos, a saúde se resolve com educação para melhorar o nível de vida dos povos, para gerar ações de prevenção no sentido de questões como lixo, esgotos e saneamento. Mas nossa imprensa implanta no povo o chip da desgraça, do medo, da violência, da dor imediata. Que pena que não pensam no futuro, só querem o agora e não sabem que a educação é coisa futura que tem que ser tratada com muito respeito. Diante disso, nossa população permite que um professor seja surrado, maltratado com palavras, desrespeitado em seus direitos (ninguém paga a Lei do Piso) e humilhado por pessoas que tiveram, sim, professores, mas já esqueceram e sabem que professor não é um ser que merece respeito, pois conhecimento em terra de ignorantes é um pecado morto. Aliás, como tem gente ignorante mesmo com diplomas das maiores graduações, pois hoje o critério para fazer parte dos cursos de pós-graduação e ser professor de Universidade pública no Brasil não é a competência, e sim, a dádiva de pertencer aos guetos ideológicos que hoje estão presentes em nossa Universidades. Simplesmente um caos, um país onde a educação é assim tratada e a produção científica geralmente só serve para encher prateleiras de bibliotecas sem serventia alguma para a mudança de nosso país. Nossa educação carece de educadores que sejam comprometidos com a mudança da realidade e de povo que entenda que educação é sim o futuro começando pela nossa mídia que só pensa em desgraça e sexo… Uma pena que tudo seja assim e que eu vá continuar falando só por terapia, pois no final nada se resolve e os que vencem são os que têm poder e sempre vence na vida quem diz sim. Lastimo muito nossa situação, mas é realidade que não podemos fugir, ou podemos?

***

[Francisco Djacyr Silva de Souza é presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE]