
Repórter Wellington Hack na captação de histórias durante o projeto Caminhadas na Natureza, em São Sepé/RS. (Foto: Angela Zamin/milpa-UFSM)
Fazer jornalismo dentro da universidade sem um caráter institucional é sempre um desafio instigante. O milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), em parceria com a Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria, retomou, neste segundo semestre de 2026, o projeto Extenda, agora no formato de podcast narrativo. Antes, entre 2015 e 2017, ele existiu como revista, programetes de rádio e de televisão. O mote “Vozes da Extensão” demarca uma proposta editorial e uma perspectiva de pensar como o diálogo e a atuação a partir de demandas reais, de comunidades e de distintos territórios, convidam a universidade para a construção compartilhada, na interação de saberes.
A proposta do podcast Extenda nos desafia a superar um princípio informativo, ou de mera divulgação, para construir, progressivamente, um modelo narrativo que acolha o fato de que a extensão universitária oxigena e mantém a universidade pulsante. Cada projeto ou ação extensionista existe por um entrelaçamento de histórias, de sotaques, de memórias e de utopias. Falar de extensão universitária exige manter vivo o princípio da relação dialógica entre universidade e comunidade, nossa principal missão com o projeto Vozes da Extensão.
Em 2026, estamos produzindo e levando ao ar a primeira temporada do podcast, que também nos ajuda a afinar modos de apuração e de narração. Um fazer-pensar constante, refletindo sobre o que significa fazer jornalismo narrativo em formatos sonoros dentro da universidade (e não sobre ela, de dentro do campus). Como podemos progredir tecnicamente e calibrar nossas lentes e microfones para um enfoque humano e uma abordagem plural? E, igualmente, como essa experiência pode significar uma contribuição real no processo formativo durante a graduação?
Hoje, a extensão universitária é componente obrigatório nos currículos dos cursos superiores no Brasil. Já é, também, elemento importante para verificar o impacto social dos programas de pós-graduação. Passar da obrigatoriedade à presença orgânica da relação com as comunidades é algo exigente. Nos cursos de Jornalismo, significa, inclusive, compreender o que seria um narrar-com os sujeitos, em seus territórios, uma vez que modelos intervencionistas ou de mão única já não são contemplados pelas políticas nacionais e institucionais de extensão universitária.
Para a formação em jornalismo, é um exercício transformador: públicos reais, interações em curso, demandas sociais importantes em pauta, contato direto com sujeitos em seus territórios. E voltar dessa experiência com a incumbência de narrar o que se vivenciou. Mesmo que os antigos modelos teóricos, que distanciavam um polo emissor de um polo receptor, tenham sido conceitualmente superados, ainda carregamos a herança de um paradigma unilateral e de hierarquização de quem pode ou não pode falar. Transcender isso é tarefa diária. Na extensão tem de ser diferente. Todas e todos devem falar, todas e todos devem e podem contribuir, todas e todos têm suas compreensões sobre as questões que os afetam, e precisam se sentir parte da construção de cada projeto (e de cada história).
Estudantes do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFSM, todos graduados em Jornalismo, formaram a primeira equipe de produtores, roteiristas e editores, iniciando o processo experimental de construção colaborativa das pautas e do corpo de cada episódio. Aos poucos, as ações se ampliam para outros espaços dos cursos de graduação em Comunicação, uma vez que a produção do Extenda se capilarizará na interação com articuladores da extensão, estudantes e, especialmente, com as comunidades que dão sentido a todo processo. Pela sua natureza laboratorial, proporcionará, em breve, a sistematização de toda a experiência, a ser compartilhada com outras universidades.
Saiba mais:
O podcast Extenda – Vozes da Extensão, é veiculado semanalmente nas rádios da UFSM, em emissoras comunitárias parceiras, especialmente na região de abrangência da instituição, e em plataformas de streaming.
O projeto tem coordenação dos professores Reges Schwaab e Angela Zamin, vinculado ao rol de Projetos Estratégicos da Pró-reitoria de Extensão da UFSM, sob responsabilidade da professora Milena Carvalho Bezerra Freire de Oliveira Cruz.
Ouça os episódios aqui: https://open.spotify.com/show/6qzEzIszs5SeE8iebZ717y
Site do projeto: https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/extenda
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Reges Schwaab é coordenador do milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), ligado ao Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e ao Programa de Pós-graduação em Comunicação. Site: ww.ufsm.br/milpa. Contato: milpa@ufsm.br. Doutor em Comunicação pela UFRGS. Bacharel em Jornalismo pela Unijuí. Coordenador substituto do Curso de Jornalismo da UFSM Campus Sede.
