Sunday, 14 de August de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1200

O gigante Castelinho

Não era uma coluna – era um pilar, um sustentáculo. Aquela coluna na página dois do Jornal do Brasil ao longo de 30 anos funcionava como um selo de seriedade, inteligência e independência.

A “Coluna do Castelo” não se referia ao bairro do centro do Rio chamado de Esplanada do Castelo, mas ao jornalista Carlos Castelo Branco, um piauiense com uma grande vivência em Minas Gerais.

O gigante do jornalismo deveria ter no máximo um metro e sessenta de altura, daí a carinhosa alcunha de Castelinho.

Aquele texto fluente, maravilhosamente encadeado, contrastava com uma maneira de falar lacônica, engolida, quase grunhida.

Carlos Castelo Branco foi a demonstração de que os anos de chumbo, apesar da censura e dos horrores da repressão, também ofereceram maravilhosos exemplos de brilho, lucidez, ironia e integridade.

Desaparecido há pouco mais de 20 anos, Castelo, Castelinho e a “Coluna do Castelo” estão de volta revividos através de uma soberba biografia escrita por um companheiro de trincheira.

Carlos Marchi: Por que o Castelinho? (Alberto Dines)