Friday, 19 de August de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1201

Há salvação para as revistas impressas?

Para alguns amantes de revistas, folhear uma delas comprada na banca ou recebida em casa, por assinatura, ainda é um grande prazer. Há títulos tradicionais, como New Yorker, Vanity Fair, Economist, New York Review of Books e New York, que ainda oferecem uma variedade extraordinária de artigos que refletem as habilidades editoriais e críticas de jornalistas como nos dias gloriosos das revistas, quando elas eram fontes significativas de receita para seus proprietários e acionistas.

Mas a grande era das revistas com equipes numerosas nas redações, belos anúncios e venda forte nas bancas ficou certamente no passado. A economia está em mudança drástica e muitas revistas sucumbiram aos desafios das mudanças nos hábitos e da tecnologia. Mas os livros impressos, um formato também em meio à transformação digital, parecem resistir. O rádio, outra forma tradicional de comunicação, que existe há quase um século, ainda é uma fonte importante de informação. Talvez a revista impressa não tenha um futuro tão pessimista, afirma Peter Osnos em artigo na The Atlantic.

Por enquanto, as perspectivas para o impresso são, em geral, sombrias. Quando a New York divulgou que seria publicada quinzenalmente, David Carr, colunista de mídia do New York Times, escreveu que a decisão “representa o fim de uma era e ressalta a economia sombria do impresso e seu papel cada vez menor em um futuro que já está acontecendo.”

Base da receita

Grande parte das assinaturas de revistas impressas tem versões digitais que são ou sites com um fluxo de conteúdo atraente ou réplicas de download das revistas para tablets. A queda vertiginosa na publicidade impressa para a maioria das revistas nos últimos anos é, provavelmente, irreversível, mas é muito cedo para saber se a receita de suas opções multimídia compensará essa diferença. Carr informou que as receitas digitais na New York têm crescido a uma taxa de 15% ano a ano e será maior do que as receitas do impresso no próximo ano, enquanto os anúncios impressos estão caindo acentuadamente novamente.

Uma das maneiras de salvar as revistas impressas é manter a qualidade. A maior parte das assinaturas, com exceção do semanário britânico The Economist, que custa US$ 160 anuais, são muito baratas. A assinatura da Vanity Fair, por exemplo, é de US$ 24 por ano. Os preços baixos faziam sentido em uma indústria que era dependente de venda de publicidade, pois uma circulação maior significava taxas publicitárias mais elevadas, mas faz menos sentido quando os anúncios são uma fonte cada vez menor de receita.

Enquanto isso, as pessoas gastam centenas de dólares ao mês com provedores para o acesso ao conteúdo por meio de cabo, internet e dispositivos móveis, incluídas aí as versões digitais de revistas e jornais. O fato é que o conteúdo digital é caro, e não se leva em consideração que um certo número de leitores pagaria mais para continuar recebendo publicações impressas que valorizam.

A IBT Media, nova proprietária da Newsweek, diz que planeja trazer de volta a revista em versão impressa com 64 páginas, em edição semanal, em 2014. Segundo o editor Jim Impoco, as assinaturas, em vez da publicidade, seriam a base de sua receita e um “produto premium, de boutique”. Aumentar gradualmente o preço das revistas impressas é quase uma garantia de um futuro para elas, diz Peter Osnos.