Terça-feira, 27 de outubro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1411

Adiado lançamento de novidades do Google TV

O grande lançamento de novidades do projeto de TV do Google foi adiado. O software para televisão, que integra vídeo online e outros artifícios do computador aos aparelhos de TV, já está no mercado desde outubro em parceria com a Sony, mas deveria ser apresentado oficialmente no próximo mês, na feira de eletrônicos Consumer Electronics Show, em Las Vegas. A feira serviria para que as outras grandes marcas de aparelhos de TV, como Toshiba, LG Electronics e Sharp, apresentassem suas versões.

O Google pediu, no entanto, que os fabricantes de TV adiassem a apresentação para que a empresa possa melhorar o software – que, até agora, teve uma recepção morna, com críticas de consumidores sobre a lentidão do sistema e a falta de recursos. Analistas da indústria afirmam que a mudança de planos reflete uma fraqueza no modo como o Google lida com seus parceiros. ‘Como empresa, o Google não é particularmente focado em parcerias’, resume o analista James McQuivey, da Forrester.

Além das TVs da Sony, que custam entre US$ 600 e US$ 1.400, a companhia Logitech também já possui aparelhos complementares que permitem que as pessoas usem o software sem ter que comprar um novo aparelho de TV. Ao que parece, a Samsung será a única marca a apresentar alguma novidade ligada ao Google TV na feira de Las Vegas.

Apostas frustradas

O Google tem um histórico de lançar produtos e implementá-los quando já estão no mercado. O problema com o atraso do Google TV é que, no mercado de eletrônicos, as companhias fazem grandes apostas em períodos pré-determinados – como o Natal, por exemplo, ou a volta às aulas. Este ano, fabricantes de computadores também sofreram ao esperar o novo software do Google, o ChromeOS, para inseri-lo em seus laptops. Atrasos no lançamento do software fizeram com que eles perdessem o prazo de produção para as festas de fim de ano. O Android, software para smartphones, foi um sucesso. Mas os fabricantes dos aparelhos tiveram que atrasar seus planos para o lançamento de tablets com a versão avançada do software, o que acabou deixando o iPad, da Apple, sozinho para reinar nas vendas de Natal.

Teoria e prática

Os aparelhos com Google TV são próximos a computadores, mas a maior promessa da internet na televisão – a possibilidade de assistir a qualquer programa a qualquer hora, via web – ainda está longe de se tornar realidade. As pessoas poderão pagar a empresas como Amazon ou Netflix para assistir a filmes e outras programações, mas as grandes emissoras não disponibilizarão seus programas no Google TV. Ou seja, as pessoas continuarão a assistir os programas em sua grade regular – ou poderão gravá-los usando o sistema de TV digital. As grandes redes americanas, NBC, ABC e CBS, além do site de vídeos Hulu, não permitem que seus programas sejam assistidos inteiros através de seus sites no Google TV – o que é possível de ser feito na internet comum.

Ou seja, na teoria, a ideia do Google TV é ótima, mas na prática ainda deixa a desejar. A empresa anunciou, na semana passada, atualizações no software para a inclusão de ferramentas melhores para se assistir a filmes e programas de TV pelo Netflix, além de um aplicativo de controle remoto produzido para smartphones que usam o software Android. As atualizações principais, no entanto, ainda estão por vir.

O Google precisa aprender a lidar melhor com suas parcerias e a lançar produtos já prontos, diz McQuivey. ‘Você pode me dar a receita para o melhor biscoito de chocolate do mundo, mas até que eu junte os ingredientes e os cozinhe na temperatura exata pelo tempo correto, eles ainda não são biscoitos, e é aí que o Google TV se encontra’, resume o analista. Com informações de Ashlee Vance e Claire Cain Miller [The New York Times, 19/12/10].