Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Nem os jornalistas aprovam a cobertura

Nem eles mesmos gostam do que escrevem? Levantamento feito de 8 a 15 de outubro entre 499 jornalistas e professores de Jornalismo filiados ao CCJ (Committee of Concerned Journalists, ou Comitê de Jornalistas Preocupados, www.journalism.org), grupo que discute a qualidade da imprensa americana, mostra que sim: apenas 3% deram nota A à cobertura das eleições presidenciais dos Estados Unidos; 27% deram nota B; 42% deram nota C; 22%, nota D; e 5%, nota F.

As notas mais baixas foram dadas à televisão, local, aberta ou a cabo (o episódio Dan Rather, da CBS News, sobre o passado do presidente Bush na Guarda Nacional, foi o mais criticado: vários entrevistados perderam as estribeiras ao reclamar da CBS); a cobertura dos jornais impressos e de internet ganhou as notas mais altas.

A grande maioria acha que a imprensa se desviou de seu propósito: prefere assuntos triviais, anda a reboque dos fatos e focaliza demais assuntos que não interessam aos eleitores. Apesar das preocupações, há impressões positivas: para os jornalistas entrevistados, a mídia está mais rica com a disseminação de veículos, especialmente online, e a melhor verificação dos fatos é um avanço.

Um grande grupo de entrevistados reclamou que a imprensa se tornou tendenciosa ou muito opinativa, idéia também detectada em levantamento feito com cidadãos este ano. ‘Lembra da imparcialidade?’, escreveu um entrevistado. ‘Experimente. Você pode gostar’.

A pesquisa não é amostra representativa de todos os jornalistas do país, mas de um grupo que escolheu fazer parte do CCJ. Ainda assim, o número de entrevistados é significativo: do total de 4.600 filiados, 2.377 receberam o questionário – os que têm e-mail nos EUA, com mensagens não devolvidas. Desses, 499 (21%) preencheram o questionário. O percentual é comparável às pesquisas políticas com o público.

Uma das respostas conclama a uma reflexão maior: ‘Todas as redações deveriam parar um ano para pensar e responder à questão: a forma como nós fazemos jornalismo está ajudando ou prejudicando a nossa democracia?’

Canais e redes de TV, aberta ou a cabo, foram de longe as piores. Os programas de redes de Tv, que incluem noticiários matutinos e vespertinos e revistas eletrônicas, parece para pelo menos alguns dos entrevistados terem sido influenciado pela experiência.

Notas à cobertura da campanha nas diferentes mídias (I)

Nota

Jornais

Online

Revistas

TV a Cabo

A

8%

15%

12%

5%

B

50%

31%

33%

17%

C

29%

22%

23%

22%

D

10%

10%

9%

26%

F

2%

2%

2%

18%

NOTA: Aos entrevistados foi dada a opção ‘Não sei’

NOTA: Aos entrevistados foi dada a opção ‘Não sei’

Ao todo, 58% dos jornalistas deram notas A e B aos jornais; 46% aos sítios de internet; 30% aos noticiários de rádio; 22% à TV a cabo. Somente 16% deram A e B aos noticiários das redes de TV. As piores notas foram dadas às TV locais: 11% de notas A e B.

Os jornalistas pesquisados também mostraram diferentes pontos de vista sobre os aspectos da campanha que a imprensa cobriu melhor. No geral, acham que a mídia fez seu melhor trabalho na cobertura de táticas e estratégias, à qual 50% deram notas A e B. Em segundo ligar, 34% dos jornalistas deram A e B à cobertura do eleitorado e das inclinações do país.

Notas à cobertura da campanha nas diferentes mídias (II)

Nota

Redes de TV

TV Local

Rádio

A

3%

3%

8%

B

13%

8%

22%

C

30%

19%

22%

D

31%

27%

19%

F

17%

29%

9%

Notas aos diferentes tópicos da cobertura da campanha (I)

Nota

Antecedentes dos Candidatos

Caráter dos Candidatos

Propostas dos Candidatos

A

3%

4%

4%

B

22%

22%

16%

C

34%

32%

36%

D

29%

28%

31%

F

12%

14%

13%


Notas aos diferentes tópicos da cobertura da campanha (II)

Nota

Disputa, Estratégia, Táticas

Inclinação do país

A

19%

9%

B

31%

25%

C

24%

33%

D

19%

22%

F

7%

11%

Quando o assunto foi a caracterização dos candidatos, apenas 26% dos jornalistas entrevistados deram notas A e B à imprensa. Sobre os antecedentes dos candidatos, só 26% deram A ou B. E, no mais baixo de todos os índices, apenas 20% deram notas A e B à cobertura da imprensa de propostas e idéias dos candidatos.