Wednesday, 10 de August de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1200

Polícia invade redações para identificar fontes

A Polícia de Uganda invadiu as redações de dois jornais em Kampala em uma tentativa de descobrir a fonte de uma notícia que constrangeu o governo do presidente Yoweri Museveni. No dia 7 de maio, o jornal Daily Monitor publicou uma matéria sobre o chamado “projeto Muhoozi”.

Segundo o artigo, existe uma conspiração para apontar e eliminar os membros do alto escalão governamental que não apoiam o plano do filho de Musevini, o brigadeiro Muhoozi Kainerugaba, assumir o poder quando seu pai deixar o cargo.

A história é baseada em uma carta vazada, escrita no dia 29 de abril pelo chefe do serviço de inteligência ugandês, David Sejjusa, e enviada ao diretor de segurança interna. Na carta, Sejjusa pedia que o plano fosse investigado.

Logo após a publicação da matéria, a polícia foi até a redação do jornal para questionar seus autores, Risdel Kasasira e Richard Wanambwa, assim como seu editor, Don Wanyama. Os três se recusaram a revelar a fonte do vazamento.

A polícia conseguiu, então, uma ordem judicial exigindo uma cópia da carta e a identificação da fonte. Os jornalistas se recusaram a obedecer a decisão e, no dia 20 de maio, cerca de 50 policiais invadiram a redação do jornal, que divide sua sede com outros veículos do Nation Media Group, incluindo duas estações de rádio.

Táticas abusivas

De acordo com a empresa, a polícia desligou as impressoras, os servidores de computador, o equipamento de transmissão de rádio e informou os funcionários de que a redação era uma cena de crime. A polícia também invadiu a sede de um tabloide, o Red Pepper, à procura da fonte do vazamento da carta. Depois da invasão, as estações de rádio ficaram fora do ar e as impressoras do Daily Monitor continuaram desligadas.

Maria Burnett, pesquisadora da África para a Humans Rights Watch (Observatório de Direitos Humanos), disse: “A polícia deveria resolver questões legais sem recorrer a táticas abusivas para assustar jornalistas e afastá-los de histórias politicamente sensíveis. Amordaçar a imprensa é uma forma ruim de abordar os debates políticos no país”. Ela ressaltou que as autoridades de Uganda possuem um histórico de interromper transmissões midiáticas em tempos de controvérsia política.