Saturday, 20 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

André Siqueira

EDITORA GLOBO

"Editora Globo faz mudanças na cúpula", copyright O Estado de S. Paulo, 15/03/02

"As mudanças em toda a cúpula da direção da Editora Globo, anunciadas na quarta-feira, motivaram rumores quanto à continuidade da circulação de alguns títulos de publicações e até mesmo sobre a permanência do controle do negócio nas mãos da família Marinho. O que causou estranheza, na avaliação de executivos do mercado editorial ouvidos pelo Estado, foi a não substituição de parte dos executivos demitidos esta semana.

Ontem foi o primeiro dia de trabalho de Juan Ocerin, ex-Diário de São Paulo, na direção geral da Editora Globo, no lugar de Marcos Dvoskin, mas as vagas de Carlos Alberto Loureiro (diretor-executivo administrativo), Eduardo Gusso (diretor-executivo de Estratégia e Planejamento), Hélio Tuchler (diretor-executivo de Mercado e Leitor) continuam abertas.

As maiores polêmicas, entretanto, dizem respeito &agraagrave; saída de Oscar Guerra, diretor da Unidade de Negócios da revista Quem, e Luiz Zini Pires, diretor das Revistas de Interesse Especial (PEGN, Galileu, Auto Sport e Globo Rural), que deixou as publicações praticamente acéfalas. Permaneceram em seus cargos o diretores das unidades responsáveis pela revista Época, Ricardo Gandour, e pelos títulos femininos, Laura Capriglioni.

Em comunicado distribuído ontem, a direção da editora informou que, até agora, não houve nenhuma alteração no portfólio de produtos. Em outra nota, divulgada internamente na quarta-feira, o diretor-geral da área de Mídia Impressa e Rádio das Organizações Globo (Mira), Luiz Eduardo Vasconcelos, dizia que ?a partir de agora, a nova gestão centrará sua ação no aumento da rentabilidade e na continuação da melhoria dos processos da empresa (…), visando assim a aumentar o valor do negócio para os acionistas?.

Na avaliação de um executivo que foi ligado às Organizações Globo, o grupo já chegou a cogitar, no fim do ano passado, simplesmente fechar as portas da editora, mas decidiu apostar mais fichas diante da perspectiva de abertura do capital da empresa, quando tentarão vender uma participação ou mesmo o controle do negócio. ?A família Marinho errou ao investir em atividades tão diversas e não foi tão rápida quanto o Banco Garantia, por exemplo, quando abandonou a editora Camelot?, afirma.

Oscilações – Embora o comunicado ressalte as melhorias em termos de venda e conteúdo editorial durante a gestão de Dvoskin, os números do Instituto de Verificação de Circulação (IVC) mostram oscilações na circulação de alguns dos principais títulos da editora. A eficácia das promoções utilizadas para deslanchar a venda de revistas, como a oferta de brindes, sorteios e vendas casadas – conhecidos no mercado como anabolizantes – ainda têm efeito discutível, segundo especialistas.

O carro-chefe da Globo, a revista semanal Época, vendeu 441.501 exemplares em dezembro de 2001, ante 465.939 em novembro e 470.158 em outubro, num claro desaquecimento provocado pela quebra da Transbrasil, que oferecia passagens aéreas para novos assinantes. O pico de venda da publicação ocorreu em dezembro de 1999, quando os assinantes receberam cartões de crédito, o que levou a circulação a 849.729 exemplares.

Para assumir a Editora Globo, Juan Ocerin deixou o comando do Diário de São Paulo, que vendeu, em janeiro deste ano, 171.338 exemplares, ante 188.164 no mesmo período de 2001, quando ainda se chamava Diário Popular e ainda não estava sob o guarda-chuva das Organizações Globo."

 

"Globo mexe em mais uma peça frágil de seu tabuleiro", copyright Cidade Biz, 13/03/02

"Depois de dar início à operação de socorro da endividada Globo Cabo, as Organizações Globo levaram à mesa de cirurgia, nesta quarta, a empacada Editora Globo, que desde a sua criação, em 1986, jamais deu ao grupo o gostinho do lucro. Toda a diretoria da empresa, exceto Celso Marche, que assumiu recentemente a publicidade com a saída de Paulo Gregoraci, foi para a rua.

A medida, na verdade, vinha sendo estudada desde o início do ano. Já em janeiro, a cúpula da Globo, pela qual se entende os três irmãos Marinho e seus principais executivos, estava determinada a chegar ao fim deste primeiro trimestre com todos os principais problemas do grupo sanados.

Como pano de fundo, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, herdeiros do grupo, contrataram o ex-presidente da Petrobras, Henri-Phillipe Reischtul, para ser o regente de todas estas transformações. O que querem eles? Voltar a ter a mais rentável operação de mídia e entretenimento da América Latina, sem perda de participação de mercado e influência política, que sempre tiveram.

Um dos itens desta agenda de problemas era o recorrente prejuízo da operação de revistas e livros centralizada em São Paulo na Editora Globo. Nela, há quase dois anos, entrara com a missão de encontrar o caminho do azul o executivo gaúcho Marcos Dvoskin, ex-RBS.

Dvoskin não obteve sucesso e foi excluído junto com os outros altos executivos da companhia: o diretor de mercado, Helio Tuchler, o diretor administrativo-financeiro, Carlos Alberto Loureiro, e o diretor de estratégia e desenvolvimento organizacional, Eduardo Gusso. O nome escolhido para substituir Dvoskin foi o de Juan Ocerin, ex-O Globo e atual diretor-executivo do Diário de S. Paulo – mais novo jornal da família Marinho.

Mas as mudanças não serão apenas gerenciais, de comando. Na reunião de janeiro, havia sobre a mesa dos Marinho até mesmo a hipótese do abandono pela Globo de suas operações de revistas. A idéia pode não ter sido descartada, mas, num primeiro momento, se decidiu pelo enxugamento do menu da editora.

Vão sair de circulação, nesta primeira parte da faxina, todos os títulos que não se mostrarem rentáveis. Restariam apenas as revistas que se pagam, como a revista de celebridades Quem e a feminina Marie Claire, ou as consideradas estratégicas, como a semanal de interesse geral Época.

Em todo o processo de reestruturação do grupo, a prioridade sempre foi mesmo o saneamento da Globo Cabo, operação começada nesta terça com o anúncio do aumento de capital da empresa em R$ 1 bilhão e do qual participam todos os principais sócios da operadora, exceto a Microsoft. Que ainda não resolveu se socorre ou não a endividada companhia dos Marinho. A resposta da multinacional deve ser dada nos próximos dias.

No socorro, que deve reduzir de R$ 1,6 bilhão para R$ 800 milhões a dívida bruta da Globo Cabo, a própria Globo entra com R$ 540 milhões, a BNDESPar, do BNDES, com R$ 284 milhões, a Bradespar, do Bradesco, com R$ 95 milhões, a RBS, com R$ 56 milhões. Ainda entrarão na engenharia financeira R$ 25 milhões vindos de um investidor nebuloso, uma instituição pública cujo nome ainda não foi revelado.

A missão de Reischtul, porém, ainda se desdobrará por muitos outros capítulos. Além do passivo da Globo Cabo, a própria televisão também carrega um endividamento pesado, o grosso em dólares. Gerencialmente, também há sérios desajustes, com excesso de quadros, salários irreais, mordomias e departamentos inchados ou sem importância para o conjunto das operações.

A rigor, é como se fosse uma boa novela das oito a missão de Reischtul: se ela cair no gosto dos irmãos Marinho, o número de capítulos será esticado e pode até dividir-se em novos seriados.

Comunicado da Mira à imprensa

?A Editora Globo inicia hoje uma nova etapa no seu processo de reposicionamento estratégico e de excelência operacional. Em sua primeira fase, o objetivo foi a conquista de espaço relevante nos principais segmentos editoriais do mercado brasileiro de revistas, livros e publicações, objetivo esse cujo atingimento se comprova através do expressivo aumento do número de leitores, da circulação e da participação em publicidade dos títulos da Editora Globo.

Tal conquista foi fruto de um bem-sucedido esforço de reformulação de conteúdo editorial, construção de marcas e desenvolvimento de capacitações de venda e entrega para os mercados leitor e anunciante conduzido pela gestão que se encerra liderada por Marcos Dvoskin.

A partir de agora, a nova gestão centrará sua ação no aumento da rentabilidade e na continuação da melhoria dos processos da Empresa consolidando o posicionamento atingido e capacitando-a a buscar novas oportunidades de crescimento, visando assim a aumentar o valor do negócio para os acionistas. Tais mudanças fazem parte do processo de reestruturação das Organizações Globo em busca de maior produtividade nas suas operações.

Juan Ocerin substituirá Marcos Dvoskin na Direção Geral da Editora Globo. Juan vinha atuando como Diretor Executivo do Diário de S. Paulo, já tendo ocupado a posição de Diretor de Planejamento e Finanças da Unidade de Mídia Impressa e Rádiodas Organizações Globo. No Diário de S. Paulo, Frederic Kachar, Diretor de Finanças e Recursos, assume interinamente a Diretoria Executiva.

Luiz Eduardo Vasconcelos, diretor-geral da Mira.?"