Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Bernardo Ajzenberg

CRÍTICA DIÁRIA

"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)

"11/03/2002 – Depois de vários dias marcados pelas especulações quanto ao alcance da cisão PFL/PSDB, o fim de semana, na mídia, foi massacrante para Roseana Sarney, com destaque para as edições da ?Época? e da ?Veja?. Na Folha, a sensação de que o jornal não tinha praticamente nada a acrescentar em relação ao publicado durante a semana passada. Ficou forte nas declarações e nas análises políticas, mas frágil na investigação/apuração do caso. Nas manchetes de hoje, o ?Globo? dá sequência à série sobre corrupção no Judiciário (?STJ garante que investigação sobre juízes do Rio será rápida?), inaugurada ontem. O ?JB? insiste com a governadora do MA (?Roseana tropeça no dinheiro?). Folha (?Argentina pede crédito e ‘não só palavras’?) e ?Estado? (?FHC prega Estado ágil e competente?) apenas batem o ponto.

Edição de sábado, 9 de março

O dinheiro

Todo mundo está atrás do R$1,34 milhão. A Folha sustenta que existem seis versões (na verdade são menos, já que algumas delas são complementares), mas não consegue avançar sobre a origem do dinheiro. A revista ?Época?, por exemplo, afirma que a primeiríssima versão de Roseana, dada em telefonema a um juiz do MA, foi de que o dinheiro era para pagar despesas de sua campanha. O ?JB? levantou algumas relações de doação de dinheiro para campanha entre empresas e a pré-candidata. O que o jornal tem a dizer a esse respeito?

Números

1) O texto ?Imposto do salário sobe 54%, de bancos, 12%? (capa de Dinheiro) afirma no quarto parágrafo que em 99 as instituições financeiras recolheram R$ 6,047 bilhões em impostos. No gráfico e na sequência do texto, porém, o valor correspondente a esse ano é R$ 9,6 bi. Não bate;

2) Os percentuais apontados para a participação dos impostos dessas instituições no conjunto do arrecadado pela Receita (parágrafo 6) parecem equivocados. Em 2001, por exemplo, uma receita de R$ 6,8 bi representaria 3,4% –não 7,67% do total, como está no texto. A verificar.

Edição de domingo, 10 de março

Mulheres

Faltou a idade da senadora Marina Silva no perfil dela traçado, ao lado do da deputada Rita Camata, em ?Veteranas são atuantes no Congresso? (Brasil, pág. A4).

Última palavra petista

1) O quadro ?A guerra no governismo? (Brasil, pág. A12) faz um resumo cronológico do embate PSDB/PFL desde o dia 1o de março. S&ooacute; não deu para entender o motivo pelo qual ele se encerra com uma declaração de Lula (o país é como uma ?nau sem rumo?). Põe lenha na fogueira daqueles que acham a Folha ?petista?, já que Lula, aqui, aparece como o juiz final da situação, quando a proposta do quadro é de retrara os embates dentro do governo;

2) O mesmo problema aparece ao se colocar o sociólogo Francisco de Oliveira para fazer um balanço do conflito nesta edição. Autor de parte do programa de Lula, ele não tem, naturalmente, nenhuma isenção para dar sua opinião numa edição como esta, sob o título ?Ruptura de PFL e PSDB divide analistas? (pág. A13);

3) Não chega a ser novidade o fato de o colunista em questão transformar seu espaço no jornal em palanque partidário, mas dessa vez o texto da coluna ?Lições contemporâneas? (assinada pelo deputado Aloizio Mercadante), pág. B2, vai mais longe: nem sequer fala em economia. Seu tema é a defesa de uma proposta relativa a segurança pública. A Folha precisa se definir: ou abre a oportunidade para seus colunistas se digladiarem em defesa das siglas que defendem (eventualmente), fazendo, como no caso, propaganda, ou adota alguma regra que valorize o espaço jornalístico e de análise (não de panfleto) que o jornal, por algum motivo, considera que esses analistas merecem ter em suas páginas.

Esquadrilha da fumaça

Belas são as fotos da reportagem ?Esquadrilha da fumaça muda de cor aos 50? (Cotidiano, pág. C5). O texto, porém, teria sido muito mais interessante se ouvisse alguns personagens, algum piloto da esquadrilha, algum fundador ainda vivo etc.

Números

Em seu último parágrafo, o texto ?Micro, pequena e média receberam 31% a mais? (Dinheiro, pág. B8) afirma que R$ 7,5 bi correspondem a 25% dos financiamentos previstos pelo BNDES para 2002. Esse total, portanto, seria R$ 30 bi. Antes, porém, o mesmo texto informa que a previsão total do ano é de R$ 28 bi. Uma diferença de R$ 2 bi. Qual é o certo?

Edição de segunda-feira, 4 de março

Primeira Página

Muito esforço se exige do leitor para que ele ?veja? Tasso Jereissati na foto principal da capa de hoje.

PFL versus PSDB

1) O texto ?Cúpula do PFL pressiona, e presidente da CEF se demite? (Brasil, pág. A4) não explica o motivo pelo qual Everardo Maciel, pefelista titular da Receita Federal, parece ?imexível?. Ele parece óbvio (a Receita participa das investigações, certo?), mas isso ainda é suposição. Não vale a pena o jornal mostrar ao leitor se tal razão faz mesmo sentido ou não?

2) Nesse mesmo texto, não há a informação de que o senador Edison Lobão, recebido por FHC ontem no Alvorada, é do PFL.

É ou não é?

A Folha já foi mais cri-cri (no bom sentido) com relação a essas coisas. Ao pé de ?País pode crescer 4,5%, diz Serra a banqueiros? (pág. A5), o jornal conta que um senador tassista brincou com o fato de Serra ter chegado a Fortaleza no mesmo vôo que FHC, perguntando: ?Isso não é uso da máquina??. Por mais divertida que possa parecer, o fato é que a pergunta ficou no ar para o leitor.

Cheney viaja

A viagem que o vice-presidente dos EUA fará a 12 países do Oriente Médio parece algo muito importante. Creio que o jornal deveria dar mais destaque (ela está mencionada na reportagem ?Israel destrói QG de Arafat e deve liberá-lo?, Mundo, pág. A10). O que os especialistas crêem que os EUA preparam em termos geopolíticos? Vale aprofundar.

Lafer e Zoellick

1) ?Brasil usará tática coreana contra veto a aço? (Dinheiro, pág. B6) afirma que o chanceler brasileiro recebe para jantar em sua casa hoje o negociador comercial dos EUA. Já a sub-retranca ?Agora, ministro fala em ‘ajuste fino’? noticia que o encontro entre os dois será amanhã;

2) O abre mencionado acima dá a entender que a Coréia do Sul acabou não apresentando queixa formal à OMC sobre as tarifas do aço. Isso contraria notícia dada pelo jornal sábado (?Coréia também faz queixa na OMC?). Qual é a informação correta?

Fogo

Duas informações de dois outros jornais hoje (?JT? e ?DSP?) teriam enriquecido (em sendo verdadeiras, claro) à reportagem ?Incêndio em favela deixa 295 desabrigados?, Cotidiano, pág. C7: 1) os nomes dos membros do casal que brigou, dando início ao incêndio; 2) o fato inusitado de que a prefeita Marta visitou o local acompanhada do namorado.

Calor e bomba

1) A retranca ?Parreira culpa o calor pelo mau resultado?, Esporte, pág. D3, não informa qual era a temperatura em Campinas durante o jogo Guarani x Corinthians;

2) Só a coluna ?Futebol? (pág. D5) menciona, ao pé, o episódio da filmagem feita pela TV da explosão de uma bomba no estádio da Vila Belmiro ontem durante Santos x Botafogo. Creio que valia reportagem com detalhes (nome do atirador etc).

Comentário

Recebo do editor-assistente de Ciência, Cláudio Ângelo, via SR, o seguinte comentário sobre a nota ?Secesso ou não?? da crítica do dia 8: ?O transplante de útero realizado por médicos sauditas foi, efetivamente, um sucesso. Até então, ninguém tinha conseguido transplantar um útero, devido a uma série de problemas técnicos que iam da conservação do órgão até a rejeição. Da mesma forma, o fato de o primeiro paciente que sofreu transplante de coração (em 1967) ter morrido 18 dias após a cirurgia não significa que o procedimento não tenha sido bem-sucedido e um março na história da medicina?.

Pois é justamente essa clareza que faltou no texto publicado no jornal.

08/03/2002 – Como não poderia deixar de ser, a cisão no bloco governista é a manchete dos jornais. Os do Rio trazem tom mais crítico. ?Globo?: ?PFL abandona o governo mas mantém cargos e o apoio a FH?; ?JB?: ?PFL sai mas fica quem quiser?. O ?Estado? utiliza formulação anódina (?PFL sai e FHC declara seu ‘desapontamento’?), enquanto a Folha (?FHC lamenta saída do PFL do governo?) chove no molhado (notícia mesmo seria se FHC tivesse aplaudido o rompimento).

Primeira Página

O quadro ?Dia da mulher? inclui apenas dois itens dedicados ao assunto na edição de hoje. Faltou mencionar material especial publicado em Mundo e em Cotidiano. A vitrine teria ficado mais completa e atraente.

E o leitor?

Mais uma vez o jornal liquida o Painel do Leitor. O que saiu hoje é um Painel do Outro Lado.

O grau da crise

1) Ainda é difícil determinar a extensão da ruptura anunciada pelo PFL, mas uma comparação entre as edições de ontem e de hoje da Folha mostra que o jornal não estava muito bem informado acerca dos humores do partido de Roseana. O tom, ontem, era de uma ruptura integral, a começar pelo caráter afirmativo do texto da chamada da manchete (?O partido… devolverá seus três ministérios e cerca de 2.000 cargos de segundo escalão?). Apenas uma retranca (?PFL tenta ‘tirar’ FHC do discurso de Sarney?, pág. A6) colocava claramente reticências, ou aspas, na palavra ?rompimento?. Hoje se mostra que, na prática, saíram os ministros e alguns titulares do segundo escalão;

2) Há um exagero de imagens da governadora do Maranhão nas páginas do jornal. Pelo menos a da página A6 (três módulos) era dispensável;

3) Duas observações com relação à cobertura sobre o dinheiro vivo encontrado pela PF na Lunus: a) Não foi explicado até agora o motivo pelo qual ele foi apreendido. A polícia tem direito de pegar o dinheiro e ficar com ele? Afinal, o mandado a autorizava a buscar e apreender documentos, não é isso? b) A rigor, a reportagem ?6a versão do R$ 1,34 mi cita obra inexistente? (pág. A12) força a barra, pois as versões chamadas ali de 3,4, 5 e 6 não são contraditórias entre si. Corretas ou não, verdadeiras ou não, elas me parecem pelo menos complementares. Quem realmente pisou feio, em termos de versões, foi a própria Roseana;

4) Não entendo por que a Folha continua a não publicar fac-símile do tal mandado enviado por fax pela PF ao Planalto naquela sexta-feira. É no mínimo um documento curioso, que o leitor teria o direito de ver;

5) Por falar em fác-símile, o ?Globo? traz hoje o da primeira página do ?Auto de apresentação e apreensão? da operação na Lunus, outro documento interessante, cuja publicação ajudar a reforçar a reportagem, a dar-lhe mais autenticidade, como se sabe;

6) A transferência do caso Lunus/Sudam para a esfera do STJ (foro privilegiado), obtida pela governadora, ainda precisa ser aprofundada. Segundo especialistas, esse foro não é tão automático quanto possa parecer para o caso em questão (improbidade administrativa). O jornal não entra no mérito. Vale a pena ir atrás.

Apoio às Farc

Em ?Secretário de petista lança comitê de apoio a guerrilha colombiana?, Brasil, pág. A14, faltou informar qual é a secretaria pela qual responde esse político. A informação (secretaria de Esportes) está apenas na Folha Ribeirão.

Briga na Educação

Informe publicitário na pág. A7 (?Informe ao ministro da Educação?) dá conta de que alguma crise relevante está a ocorrer dentro do Conselho Nacional da Educação. Não vi reportagem sobre o assunto.

Sucesso ou não?

Há uma aparente contradição na Panorâmica ?Arábia realiza transplante de útero? (Ciência, pág. A19). Afirma-se que ?a cirurgia foi bem-sucedida, mas o útero teve de ser removido 99 dias depois?. Por que ele teve de ser removido se a operação obteve êxito? Faltou clareza.

Comitê ou Comissão?

Numa retranca (?Câmara aprova novos cortes nos impostos?, pág. B3), o presidente do Fed, Alan Greenspan, falou ontem ao Comitê Bancário do Senado dos EUA. Já no abre do caderno e no da pág. B3, seu depoimento foi à Comissão de Finanças do Senado. É preciso uniformizar a tradução.

Protesto

Está errada a tradução do cartaz que um argentino carrega em foto da pág. B4 (Dinheiro). O correto é ?prefiro morrer dolarizado a viver pesificado? , e não ?a morrer pesificado?.

Dois pesos…

O título ?Celso Daniel foi assassinado por ter olhado para rosto de sequestrador? (Cotidiano, pág. C4) assume a versão de um dos sequestradores. Não dá para o jornal bancá-la. É curioso que se tenha tomado mais cautela, em termos de títulos, quando se trata de afirmação feita pela polícia (?Três do PCC atiraram, diz laudo da polícia?, pág. C5).

Outro lado

Faltou o ?outro lado? da CET em ?CET pagará mais por lombada eletrônica? (Cotidiano, pág. C10). A companhia aparece na reportagem como tendo adotado critérios irregulares referentes à concorrência para radares e lombadas eletrônicas na cidade. Ela admite isso?

Acabamento

O texto ?Agora, CBF quer um novo amistoso no Brasil? (Esporte, pág. D1) mantém na edição SP, que traz o resultado do jogo Brasil x Islândia, a formulação, a respeito dele, de ?…que aconteceria em Cuiabá, ontem à noite?. Faltou atualizar.

07/03/2002 – As manchetes de hoje são, uma a uma, continuidade das manchetes de ontem. Folha (?PFL rompe com o governo FHC?), ?Estado? (?PFL deve deixar governo hoje; FHC antecipa volta?) e ?Globo? (?PFL pode deixar o governo hoje após 38 anos no poder?) priorizam a cisão dentro do governo federal. O ?JB? (?Relógio desmonta versão usada por FH para apaziguar o PFL?) aprofunda investigação sobre o já célebre fax enviado ao Planalto. Só os dois diários paulistas trazem na capa foto para apresentação do jogo da seleção brasileira hoje contra a Islândia.

Aquém da crise

Três vertentes básicas de apuração jornalística estão em jogo na crise PFL-PSDB:

a) a cisão política;

b) o grau de envolvimento do Planalto na operação da PF na Lunus;

c) o caso Lunus/Sudam.

Na edição de hoje a Folha, a meu ver, deixa lacunas nos três casos, em especial os dois últimos.

Sobre a): apesar da farta quantia de citações e declarações, o jornal não consegue demonstrar como que um partido tão tradicionalmente apegado ao poder resolve unanimemente deixá-lo por causa de um episódio que, em si, poderia ser solucionado de outra forma. Não estaria por trás da ruptura tão ampla e inédita (ao menos é a que se anuncia no noticiário hoje) a avaliação de que a única maneira de o PFL se manter no poder –uma vez confirmada em definitivo a candidatura Serra e decretada a verticalização– será mesmo o investimento total em Roseana, inclusive com ares de oposição, servindo o caso Lunus como um pretexto caído do céu? Ainda nesse terreno, faltou mostrar ao leitor quais são, afinal, os cargos (principais) que o PFL mantém, além dos ministérios, e qual é a tendência do vice-presidente da República (vai renunciar?)

Sobre b): O jornal não consegue avançar na investigação jornalística a respeito do envolvimento do Planalto na operação Lunus. Limita-se a reproduzir declarações. Mesmo assim, poderia tirar delas maior proveito. Quanto ao fax, por exemplo. Numa retranca (pág. A11) o advogado de Murad/Roseana diz que o documento foi enviado ao Planalto por volta das 17h30, enquanto um quadro na pág. A10 (baseado na PF, governo e Justiça) fala que ele o foi entre 21h30 e 22h. Ora, isso não diz nada? Parece ter avançado mais, aí, o ?JB?, que, salvo prova em contrário, mostra terem ocorrido, na verdade, dois envios de fax. Ainda nesse terreno, por que a Folha não reproduz o documento que foi distribuído à imprensa pela PF, tal como fizeram alguns jornais?

Sobre c): se ontem o jornal trouxe material farto referente às empresas investigadas no caso Sudam, hoje recuou no assunto, salvo num texto sobre o dinheiro encontrado na Lunus (?R$ 1,3 mi não é de Roseana, diz advogado?, pág. A11), no qual, alías, não fica clara qual é a contradição (nele apontada) entre o que dizem o advogado (dinheiro era de outra empresa, para pagar material de construção) e a empresa que seria dona do dinheiro (é usual uso de espécie para pagar construção e obras); e uma retranca factual (?Justiça nega a quebra de sigilos de empresa de Roseana e Murad?, pág. A6). Neste último texto, aliás, falta explicar a alegação jurídica usada por Roseana para pedir ao STJ a suspensão do inquérito que gerou a operação de busca e apreensãona Lunus. Quais são os argumentos de sua equipe de advogados (Saulo Ramos à frente)?

Números

Ficou confuso o quadro que encabeça a reportagem ?Cresce parcela das mulheres no mercado de trabalho? (Dinheiro, pág. B6). Segundo ele, os homens ocupavam 73,4% do mercado em 2000, e as mulheres, 52,7%. Em 2001, 72,8% e 53,7%. Como é possível? As somas não deveriam dar 100%?

Atuação policial

1) O lide de ?Após sumiço, PM diz que tem fita? (Cotidiano, pág. C4) afirma que a concessionária Viaoeste havia negado que a PM tivesse apreendido a fita de vídeo do pedágio na Castelinho. É exatamente o contrário, certo? Pelo que o jornal deu ontem, a PM é que negava tê-lo feito, e agora admite estar com a fita. Não seria o caso de um ERRAMOS?

2) ?Sequestros diminuem em fevereiro? (pág. C4) traz ao final uma afirmação do governo estadual de que não podem ser comparados os dados de julho para cá com os dos meses anteriores, pois estes não considerariam o Estado todo (diferentemente do que dissera o ex-secretário Petrelluzzi em dezembro, como afirma o texto). Contesta-se, assim, o próprio enunciado da reportagem. O problema é que o leitor fica em dúvida. E o jornal não esclarece, ao final, se essa contestação corresponde ou não à verdade.

Menina no elevador

Faltou uma ilustração na reportagem ?Menina morre em elevador de academia? (pág. C7). Não dá para entender como a criança ficou prensada entre um vão do tal elevador e a porta do próprio equipamento.

Censura?

É amplamente conhecida a posição do jornal com relação à divulgação de casos de sequestro. Mas ela não implica, necessariamente, creio, apoio a medidas legais que coíbam essa divulgação. Nesse sentido, creio que o jornal deveria ter dado mais destaque, inclusive ouvindo opiniões diferenciadas, para o assunto reportado na Panorâmica ?Comissão da Câmara aprova limite para divulgação de notícias de sequestro? (Cotidiano, pág. C8).

Gastronomia

Depois de saudar a estréia da seção?Cozinha Ilustrada? (pág. E7), um leitor afirma que estaria errada a informação de que um sachê de açafrão contém 1 grama. Segundo ele, seriam de 6 a 10 miligramas. A conferir.

Explicação

O editor de Cotidiano, Nilson de Oliveira, envia, por intermédio da SR, a seguinte observação sobre o item 1 da nota ?Caçada na Castelinho?, da crítica interna de ontem:

?Cotidiano bancou a informação de que membros do PCC haviam sido mortos na ação policial em Sorocaba porque advogados da organização criminosa entrevistados pela reportagem confirmaram, em off, a versão da polícia sobre os participantes no comboio flagrado. A prova dos nove da exatidão do noticiário da Folha está na edição desta quinta-feira, em que um integrante do segundo escalão do PCC reafirma aquilo que a Polícia Militar divulgou sobre o caso.?

Admito como plausível a explicação. Só discordo de que as declarações do integrante do PCC na reportagem de hoje constituam a ?prova dos nove?. Aos membros do PCC não se deve atribuir tanta credibilidade. Já houve casos em que grupos assumiram posteriormente determinadas ações sem terem sido de fato os seus autores, apenas por alguma conveniência circunstancial.

06/03/2002 – Com exceção do ?JB?, que traz a manchete mais ?quente? relativa ao assunto (?PF informou FH pelo fax de Murad?), todos os principais jornais priorizaram a ameaça da governadora do Maranhão. Folha: ?Roseana dá ultimato e pressiona PFL?; ?Globo?: ?Roseana deixa candidatura se PFL não romper com FH?; ?Estado?: ?Roseana ameaça desistir se PFL não romper?. A operação policial que resultou na morte de 12 supostos membros do PCC é o segundo destaque nas edições de hoje.

PFL versus PSDB

1) A Folha traz na edição SP/DF (pág. A5) afirmação do senador José Sarney de que a PF teria usado aparelho de fax da própria empresa Lunus para comunicar ao Planalto, diretamente, o ?sucesso? da operação de busca e apreensão na última sexta-feira. Esse aspecto (contato com o Planalto), manchete do ?JB?, recebeu tratamento mais detalhado no jornal do Rio. Teriam ocorrido 14 ligações entre os agentes em ação e Brasília, sendo 12 diretamente com o diretor-geral da PF. O número para o qual a mensagem de fax teria sido enviada é, afirma o ?JB?, da sala da Ajudância de Ordens da Presidência da República, no Alvorada. Um detalhe: nem Folha nem ?JB? contam o que foi feito do original do fax;

2) A retranca ?Roseana ameaça desistir se PFL não deixar governo FHC? (Brasil, pág. A4) apresenta o marido de Roseana, Jorge Murad, como supersecretário no Maranhão. Não questiono que ele tenha poderes excepcionais ali, mas creio que esse termo só deve ser usada após explicitação do verdadeiro cargo que ele ocupa (gerente de Planejamento), pois, isoladamente, ele embute uma carga negativa, tendenciosa;

3) Por que o jornal (e os demais também) nada trouxeram ontem sobre a operação de busca realizada pela PF na segunda-feira na empresa Momento, em Curitiba, relacionada diretamente com o caso Roseana? Por que a notícia só saiu hoje (?PF faz busca em empresa ligada à Sudam?, Brasil, pág. A7), enquanto a ação da PF na sexta no MA teve ?acolhida? e repercussão imediatas? Não dá para entender.

4) Sobre esse material, aliás, deixa-se no ar uma confusão entre a empresa Nova Holanda (que colaborou com a campanha de Roseana em 94 e 98) e o projeto Nova Holanda (surgido em 96 com subsídio da Sudam). A primeira, segundo a retranca ?Nova Holanda fez doações a Roseana?, recebeu dinheiro da Sudam para compra e produção de calcário. Já o projeto seria para plantação de soja e arroz. Sugiro esclarecimento para o leitor;

5) A arte ?Entenda o caso? afirma que a busca no PR se limitou a um contrato sobre venda de ações da Angrima. O texto da reportagem, porém, deixa claro que este foi apenas um dos documentos apreendidos. Qual é o certo?

6) O ?Estado? traz reportagem segundo a qual um dossiê sobre Murad/Roseana que o governador Garotinho recebeu dias atrás (fato que a Folha já publicara) veio do irmão de Murad, que é casado com deputada do PSB no MA. A verificar.

Sem memória

Um ano atrás o país parecia inteiro de luto. A imprensa, Folha inclusive, gastou milhões de páginas com a morte de Mário Covas. Ontem foi realizada no Congresso uma sessão solene em homenagem a ele, e a Folha não traz hoje nenhuma reportagem sobre isso. Há o artigo de Geraldo Alckmin em T/D e menções marginais em reportagens sobre Serra e sobre a reação do governador à operação na Castelinho (nota mais abaixo). Apenas isso.

TSE

É correta a ênfase na questão polêmica das coligações, mas o jornal deveria ter dado destaque, também, a outra decisão do TSE tomada ontem: a abertura da contabilidade das campanhas eleitorais. É algo importante, creio. Consta da arte ?Novas regras?, em ?Partidos ficam mais livres para fazer alianças regionais? (pág. A12), mas o texto da reportagem nem sequer a menciona.

Didatismo

1) Faltou mostrar/indicar onde fica a Faixa de Gaza no mapa da arte ?Violência explode no Oriente Médio? (Mundo, pág. A13);

2) A capa da Ilustrada (?Lagos é aqui?), sobre arquitetura/urbanismo, destaca no lide um projeto de instalação de um elevador num tal edifício São Vito, no centro de São Paulo. Ora, onde fica, mais precisamente (logradouro), esse edifício? Por que não há uma foto para mostrá-lo? O que ele tem de especial? Sem essas explicações, ficam enigmáticos, quase abstratos, para o leitor, o tal projeto e o interesse que o arquiteto holandês Koolhaas (objeto central do texto) vê nele.

Guerra do aço

Duas questões sobre a reportagem ?EUA decretam a guerra comercial do aço? (Dinheiro, pág. B5):

1) qual é a diferença entre sobretaxa e tarifa? A explicação ajudaria o leitor e entender a afirmação, sobre os laminados a frio, de que ?Bush impôs tarifa de 30%, mas o prejuízo para o país já teria ocorrido na semana passada, quando os EUA determinaram sobretaxa de 12,58% para o produto brasileiro?. Como assim?

2) Somados os diferentes países, pela tabela ?Quanto os EUA importam de aço? (pág. B5), o total de toneladas métricas chega a 25,7 milhões. Já a retranca ?Decisão dos EUA tem efeito duplo na UE? (pág. B6) fala em 38 milhões. Posto que nada na tabela indica estar ali somente uma parte da comercialização, fica a dúvida: qual é o número correto?

Caçada na Castelinho

1) Não vejo motivo para o jornal ter bancado tão claramente que os homens assassinados pela polícia eram mesmo do PCC. O correto teria sido utilizar fórmulas como ?supostos membros…? ou semelhantes. Em todo o material (Primeira Página e páginas internas), somente uma retranca (?Polícia venceu outra batalha, diz Alckmin?, pág. C4) usa um verbo na condicional (?12 homens que integrariam o PCC…?);

2) A retranca ?Resgate de presos é outra hipótese para ação? (pág. C3) afirma no lide que as mortes ocorreram na (rodovia) Castello Branco. É um lapso, claro, como fica evidente no restante do material publicado;

3) O texto ?Para especialistas, mortes abalam eficiência da ação? (pág. C4) só traz a opinião de ?especialistas? que criticam a operação policial tal como foi efetivada. Pergunto: não há nenhum especialista que possa considerá-la adequada, apesar das mortes ocorridas? Não seria obrigação do jornal contemplar esse lado?

Números da coca

Segundo a reportagem ?Para os EUA, Brasil é o 2o em consumo? (Cotidiano, pág. C6), produzem-se no mundo 700 t de cocaína ao ano, sendo 95% disso na Colômbia. Já a reportagem ?Relação Farc-drogas resiste a fim de diálogo? (Mundo, pág. A14) afirma que naquele país são produzidas 580 t/ano, o que dá bem menos (83%) do que 95% das 700 t. Em qual texto deve o leitor confiar?

05/03/2002 A crise entre PFL e PSDB é manchete nos principais jornais. A Folha, que na edição nacional e parte da SP estava com manchete para a nova operação militar dos EUA no Afeganistão (manchete, claro, no ?New York Times? e no ?Post?), trocou o assunto, ao fim, por ?FHC pede para PFL ficar no governo?. ?O Globo? saiu com ?PFL faz tempestade em copo d?água, diz FH?; ?Estado?: ?Para FHC, crise é ?tempestade em copo d?água?; ?JB?: ?Só clã Sarney rompe com governo?. Só o concorrente local não publicou na capa foto de Patrícia Pillar de cabeça raspada, talvez para não estimular aquilo que cada vez mais parece ser uma exploração de um caso de drama pessoal por um presidenciável.

Porteira aberta

Com a coluna vertical da pág. A2 de hoje, assinada por Roberto Mangabeira Unger, a Folha dá mais um passo no sentido de permitir o estabelecimento de uma divisão de espaço entre colunistas para que estes utilizem os centímetros de que dispõem no jornal para fazer campanha em defesa de suas candidaturas preferenciais. Não me parece uma receita de jornalismo adequada ao seu projeto editorial.

Sem leitor

Onde está o leitor no Painel do Leitor de hoje?

PFL versus PSDB

1) A retranca ?Sarney Filho deixa cargo em ato de ?solidariedade? (Brasil, pág. A5) noticia que os demais ministros pefelistas ?anunciaram que permaneceriam em suas pastas, após reunião com o presidente ontem à noite?. É uma formulação ambígua, talvez incompleta, que, levada ao pé da letra, não bate com a do abre da mesma página (?Presidente fez apelo para o PFL ficar, afirma ministro?), segundo o qual ?os ministros responderam que dependiam da decisão da executiva Nacional do PFL… e da governadora…?;

2) No texto desse abre, há menção, que teria sido feita por FHC, ao bloqueio do gabinete do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Faltou ao texto uma memória básica, já que certamente uma minoria de leitores se recorda desse episódio;

3) Ao pé desta página há uma retranca inteira (?Banco alemão vê ingenuidade de pefelista?) dedicada à opinião de analistas do Dresdner Kleinwort Wasserstein sobre a crise. Não entendo qual é a relevância desses analistas no contexto. Nessa mesma retranca, um detalhe: mais uma vez, por se tratar de texto proveniente da Folha Online, acaba saindo no jornal um ?divulgado hoje…?, quando deveria ser ?divulgado ontem…?;

4) Faltam clareza e didatismo, inclusive visual, para elucidar ao leitor o que está em jogo na ação da PF na empresa Lunus. O ?Entenda o caso? publicado hoje (pág. A6), por exemplo, não inclui o caso Usimar. Nem que seja para mostrar (como faz o texto) que a operação policial de sexta-feira teve como base formal apenas o caso Nova Holanda, teria sido mais adequado incluí-lo (como se fez com relação às empresas das Ilhas Virgens). Com as motivações já mais avançadas, uma arte mais completa daria conta de amarrar o assunto;

5) Na mesma entrevista ao Globonews.com em que falou da ?tempestade em copo d?água?, FHC acusou a Folha, sem mencioná-la diretamente, de mentir, por ter publicado que ele participou de articulação com vistas à verticalização das coligações eleitorais. Como foi o único veículo que deu aquela informação, e apesar de ele já ter procurado desmenti-la antes no próprio jornal, creio que essa acusação merecia registro na retranca que trata dessa entrevista (pág. A4), com a devida resposta.

Operação Anaconda

1) Só na análise (traduzida do ?New York Times?, pág. A12) se menciona o nome da nova operação militar norte-americana desencadeada no Afeganistão. Ele é ilustrativo das novas táticas e merecia destaque no abre, na arte etc;

2) Não vi na Folha a notícia sobre a jornalista canadense ferida no Afeganistão ontem (está no ?Estado?, com base na ?Reuters? e na ?EFE?).

Eleições na França

O texto ?Jospin alcança Chirac pela primeira vez? (Mundo, pág. A13) informa o resultado de pesquisa recente de intenção de voto no primeiro turno mas não traz o resultado da pesquisa anterior, para dar idéia de como foi a evolução. Isso é feito apenas, em quadro, com relação ao segundo turno. Faltou, também, a idade dos dois principais candidatos.

Supermercados no apagão

A reportagem ?Racionamento muda a forma de comprar? (Dinheiro, pág. B6), baseada em pesquisa com consumidores de supermercados, deixa algumas dúvidas que, a meu ver, põem em questão o enunciado do título:

1) Quais foram os Estados abrangidos pelo levantamento (não esquecer que o Sul não sofreu racionamento e que no Norte ele começou depois do que no Sudeste)?;

2) A comparação com 2000 é relativa ao mesmo período (março a setembro)?

3) Mesmo esse período é um tanto duvidoso, já que o racionamento só teve início em junho, não?

4) Um dos três motivos básicos alegados por homens do setor para as mudanças registradas (presença mais constante nos supermercados, compra de embalagens menores etc), está dito, é o aumento de consumo de pratos congelados. Mas esses pratos, justamente, não consomem mais energia (microondas, congelador)? Ele parece, até, contraditório com o primeiro motivo apontado: redução de estoques, pelo consumidor, por conta do racionamento;

5) Outro motivo (a diversificação de produtos) não parece ter algo a ver com o racionamento, certo?

Marta no Banespinha

Na retranca ?Dívida da SPTrans com Banespa é renegociada? (Cotidiano, pág. C3), faltou o ponto de vista da oposição à prefeita na Câmara, que vê problemas na renegociação conduzida pelo secretário Sayad.

?BBB? e ?Casa?

A julgar pela coluna de TV da Ilustrada (pág. E4) , o ?reality show? do SBT vem perdendo terreno em audiência. O jornal fez bastante barulho, ao longo dos últimos meses, com as sucessivas derrocadas da Globo. Não seria o caso de retomar o assunto da concorrência entre as duas emissoras à luz da evolução recente dos números, aparentemente favoráveis, até segunda ordem, ao Jardim Botânico?

Sísifo

Faltou a idade de Luisa Strina em ?Galeria muda endereço sem sair do local? (Acontece, pág. Esp. 1).

Conflito de interesses

Chamo atenção para ilustrativa reportagem do ?Wall Street Journal? (reproduzida no concorrente local) sobre uma editora da ?Harvard Business Review? que se envolveu, romanticamente, com o superexecutivo Jack Welch (GE).

04/03/2002

Apreensão de documentos de empresa de Jorge Murad/Roseana, dengue e verticalização das coligações -eis os temas que dominaram o fim de semana na imprensa. No mais quente deles, PF versus Sarney, destaque para a revista ?Época?, que no próprio sábado conseguiu avançar bem mais do que os jornais e as demais revistas (ver nota). O assunto é manchete hoje no ?Estado? (?Roseana muda o tom e atribui ação da PF à banda irada do PSDB?), ?Globo? (?Sarney Filho sai e agrava crise de PFL com governo?) e ?JB? (?Nova blitz agrava crise com PFL?). A Folha opta pelo Aedes aegypti (?Aumentam 39,3% no país mortes por dengue?).

Edição de sábado, 2 de março

Primeira Página

Um problema de acabamento chato para a vitrine do jornal: duas chamadas têm a mesma formulação (?RJ vive pior epidemia de dengue da história? e ?Índia vive pior choque religioso em dez anos?). A evitar.

Acaso infeliz

O presidenciável Ciro Gomes foi presenteado nas últimas três edições. Fotos suas aparecem em três colunas no alto de página no sábado (A6) e no domingo (A16) e em três colunas no meio da pág. A5 de hoje. Nenhuma delas era, digamos, obrigatória, uma imposição da notícia. Creio que faltou atenção no que se refere ao equilíbrio no jogo de imagens.

PFL versus PSDB 1

1) A Folha registrou a operação da PF na empresa de Jorge Murad, as reações de Roseana Sarney, do PFL e do PSDB. A revista ?Época?, porém, avançou bem mais no que se refere a sua provável motivação jurídica e/ou policial , conseguindo expor, por exemplo, a relação que haveria entre a ação da PF, o caso Sudam e eventual lavagem de dinheiro no exterior (com presença do Coaf, órgão da Fazenda dirigido pela mulher de Nelson Jobim, presidente do TSE/verticalização). Este último elemento reforça, se confirmado, a interpretação de uma motivação política por trás do momento escolhido pela PF para agir;

2) O jornal deve ao leitor um perfil mais aprofundado de Murad (idade, formação, histórico, número de filhos, suspeições etc). O que foi publicado (pág. A10) tem algo do passado mas se atém mais ao presente;

3) A arte ?Entenda o caso Usimar? (pág. A10) afirma que o projeto aprovado pela Usimar no final de 99 foi de R$ 1,38 milhão. Foi de R$ 1,38 bilhão, certo?

Forçado

O escândalo da notícia é evidente, mas o título ?Narcotráfico começa aos oito anos no Rio? (Cotidiano, pág. C3) parece-me forçar um pouco a barra. O texto mostra que apenas 2,5% dos menores usados pelos traficantes começam com essa idade (oito anos), sendo 37,5% de 9 a 12 anos e 27,5% com 13 anos. Registre-se, também, a infeliz combinação de ?NarcotráfiCO COmeça…?.

Logotipos

A ficha de apresentação do jogo Ponte Preta x São Caetano, na Folha Campinas (pág. C8), traz as marcas do Guarani e da Lusa.

Mulherengo

Não vi na Folha notícia de que, segundo o tablóide sensacionalista ?National Enquirer?, Bill Clinton teria tido encontro com uma prostituta brasileira quando esteve no Rio recentemente, sendo este um dos vários motivos para um suposto processo de divórcio solicitado pela senadora Hillary. Está no ?Globo?. A conferir.

Edição de domingo, 24 de fevereiro

Datafolha

Duas retrancas (Garotinho vê ação da PF como ?eleitoreira? e ?Cúpula pefelista estuda vasculhar a vida de tucano?), na página A16, mencionam a última pesquisa presidencial do Datafolha com cenários diferentes. Na melhor das hipóteses, isso confunde o leitor, quando este não acha que se trata, simplesmente, de um erro. O ideal seria uniformizar o cenário da pesquisa a ser mencionado nas reportagens, optando por aquele que o jornal considera, hoje, mais provável.

PMDB dividido

Não consegui entender como foi feita a convocação da convenção extraordinária do PMDB deste domingo pelos oposicionistas, contestada pelos situacionistas do partido (Brasil, pág. A21). Foi, afinal, legítima? Quais pontos foram (ou não) cumpridos em termos regimentais? É um aspecto importante para o leitor tirar sua opinião, para além do conflito político subjacente –esse sim, a meu ver, bem explicitado pelo jornal.

Legenda errada?

A legenda da foto referente a ?Voluntário combate doença em SP? (Cotidiano, pág. C9) diz que se trata de Emeraldo Melo segurando um desenho do Aedes. No texto, esse personagem aparece como tendo 42 anos de idade. Ora, quem segura o desenho na foto é um rapaz. Pelo menos visualmente, o senhor Melo parece ser o homem que está quase fora da foto, à direita, sem desenho na mão. A verificar.

Edição de segunda-feira, 4 de março

Primeira Página

1) faltou chamada sobre a retomada de ataques intensos por parte dos EUA e aliados no Afeganistão contra a Al Qaeda e o Taleban (remanescentes);

2) A meu ver, a reportagem sobre Bento Gonçalves e vinícolas (Turismo), pelo inusitado de suas ilustrações (desenhos), valia mais destaque, como chamada, do que a própria capa do caderno (Taiwan).

PFL versus PSDB 2

1) O texto ?FHC escala ?bombeiros? para tentar acalmar Roseana? (Brasil, pág. A4) cria certa confusão ao afirmar que ?Roseana irá hoje a Brasília…? e, mais adiante, que ?Bornhausen deve se reunir hoje à noite com FHC… após passar o dia com Roseana em Minas?;

2) O presidente do PFL afirma em ?Serra nega ligação do PSDB com ação da PF? (pág. A5) que o ministro da Justiça (Aloysio) ignorou a ausência de fundamento legal para a operação da PF de sexta-feira no Maranhão. A base da polêmica jurídica em torno desse fundamento é lacuna importante na cobertura do caso até agora pela Folha. Que razões alega o juiz Tourinho para suspender o envio dos documentos a TO? Faz sentido a afirmação trazida pela ?Época? quanto aos papéis que teriam chegado na sexta-feira à Coaf sobre Murad e contas no exterior/lavagem de dinheiro? Dos grandes jornais, só a Folha ainda não tocou nesse aspecto;

3) ?O Globo? traz hoje reportagem segundo a qual a PF encontrou em sua busca documento que liga Murad a um ex-superintendente da Sudam bastante envolvido com as fraudes relacionadas a Jader Barbalho. A conferir.

Ibope

A nota ?Guerra de audiência? do Painel FC (Esporte, pág. D2) afirma que cada ponto no Ibope equivale a 80 mil pessoas na Grande SP. Não bate com recente comunicado da Secretaria de Redação, segundo o qual o padrão adotado pelo jornal é de que cada ponto equivale a cerca de 47 mil domicílios da Grande SP com TV ligada.

Resultados

Leitor aponta erro em resultados do campeonato alemão. O correto seria Kaiserslautern 3 x 2 Wolfsburg e Borussia Dortmund 1 x 1 Saint Pauli. Esporte, pág. D6. A verificar."