Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Brincadeira cara

JORNAL ESCOLAR

Janis Adams, professora de colegial em Palisades, na Califórnia, ganhou processo no qual acusa o Distrito Unificado de Escolas de Los Angeles, responsável pela área onde ensina, de não intervir num jornal escolar que a representou como estrela pornográfica durante mais de três meses. Segundo Louis Sahagan [Los Angeles Times, 16/3/02], alunos caçoavam dela abertamente pelo campus. Um artigo dava a receita de como "fazer seu professor chorar". Numa imagem, aparecia o rosto de Janis aparecia colado a um corpo de mulher nua. A professora chegou a receber ameaça de morte em bilhete pregado à porta de sua classe.

Condenado a pagar indenização de US$ 4,35 milhões, o Distrito pretende recorrer, pois alega que tomou diversas atitudes contra a publicação dos alunos. "A senhora Adams agora fala como se não tivéssemos feito nada", reclama o consultor jurídico do Distrito, Hal Kwalwasser. "Na verdade, fizemos diversas coisas que tiveram oposição de forças contrárias, como os estudantes e a União Americana pelas Liberdades Civis". Depois que Janis reclamou seguidas vezes do ambiente agressivo em que se via obrigada a trabalhar, o Distrito proibiu o folheto, transferiu alunos e suspendeu outros.

"O júri chegou a veredicto unânime de que o que houve comigo foi errado", festeja Janis. "Isto significa para mim que nenhuma outra professora terá de sofrer o que sofri." Perguntado por que o alvo do processo é o Distrito, e não os alunos, o advogado da professora, Nathan Goldberg, respondeu: "Isto não diz respeito às crianças, mas ao empregador. O Distrito tem a obrigação de proteger seus empregados de assédio sexual."

MÍDIA & TABACO

O médico Isadore Rosenfeld é o editor de saúde da revista Parade. Apesar de saber que os anúncios do cigarro Omni são um conto de fadas ? o produto se apresenta como redutor de câncer ?, ele não pode impedir que o fabricante compre anúncios coloridos de página inteira na publicação. Afinal, cigarros podem matar, mas o fazem legalmente. Rosenfeld, no entanto, lembra que é livre para condená-los. "Escrevo meus conselhos baseado em minha consciência. E sempre trato dos perigos do tabaco. Mesmo que Omni consiga reduzir alguns carcinógenos, o cigarro não seria significativamente menos perigoso", afirmou, prometendo pronunciar-se contra a propaganda enganosa.

Os anúncios em Parade, USA Weekend, People, Playboy e vários jornais deveriam levar os departamentos de publicidade a contratar alguém que os verifique, sugere Allan Wolper [Editor & Publisher, 11/3/02]. Sobre a foto de jovens apaixonados na casa dos 20 anos, Omni promete reduzir elementos que causam câncer de pulmão em fumantes, mas um pequeno aviso admite: não foi comprovado que a redução dos carcinógenos resulte em cigarros mais seguros.

A American Medical Association (AMA) enviou carta de protesto aos editores das publicações que exibiram o comercial ? e não foram poucos. "Os anúncios são visualmente poderosos, oferecem falsas esperanças e são enganadores", disse o médico Randolph D. Smoak Jr., último presidente da AMA. Para Smoak, os jornais conferem credibilidade à propaganda da Omni. "As pessoas acreditam no que lêem nos jornais. Os redatores têm a responsabilidade de ajudar o leitor a ver além da campanha de marketing." A AMA entrou com ação na Food and Drug Administration para monitorar a campanha da marca.