Wednesday, 28 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1276

Capa suspeita

Edição de Marinilda Carvalho

Amigos, entre os vários temas interessantes desta edição destaco três: a mensagem sobre a capa do Correio Braziliense de domingo, que deixou um leitor desconfiado por não ter manchete; a relação entre assessores de imprensa e jornalistas, que merece um bom debate, como pede o missivista, por sinal cheio de razão (quem nunca, na redação, tratou no mínimo com indiferença um assessor de imprensa favor atirar depressa a primeira pedra); e, por último, a incurável saudade que Paulo Henrique Amorim ainda desperta.

Há também ótimas cartas de leitores nas rubricas Observatório Literário (sobre Machado rejeitado pelas editoras), no Caderno da Cidadania (sobre os poderes do Ministério Público, ainda ecos da busca na casa do ex-presidente do BC) e no Diretório Acadêmico (sobre a proposta de Diretrizes Curriculares do curso de Comunicação).

Desejo a todos uma proveitosa leitura.

xxx

Clique sobre o trecho sublinhado para ler a íntegra da mensagem.

xxx

Atenção, responsáveis pela redação do Observatório: a edição do Correio Braziliense de domingo (30/5/99) merece análise especialíssima.

  • Primeira página: é o primeiro jornal sem manchete da história, só há “caixas”, a principal delas chama atenção para “comportamento” (a mulher após o parto);
  • Mas agora é que surge o inusitado: procurem a página 18, lá está a reportagem-destaque de domingo: em cima à esquerda está escrito “Sexta Dois” ? pasmem, a matéria é do caderno que sai exclusivamente às sextas-feiras. Por quê?

Minha interpretação: nos dois dias anteriores crescia no jornal o espaço da cobertura do envolvimento do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) com a construtora do prédio abandonado do TRT de São Paulo. Não há no domingo uma linha sobre a investigação. A Folha também calou.

Jornalismo? Respeito ao leitor? Informação? O que aconteceu foi a censura do trabalho da redação e da óbvia manchete de domingo.

Confio na independência dos senhores e senhoras que fazem o O.I.. Está aí um prato cheio da relação entre mídia e política. Por favor, dêem o que merecemos. Investiguem essa barbárie.

Alex Silveira

Nota do O.I.: Estamos solicitando ao nosso observador TT Catalão que nos escreva a respeito. Um reparo à “história”: em 1973, para driblar a censura, que proibira manchete sobre o golpe no Chile, o Jornal do Brasil, por coincidência comandado na época por Alberto Dines, editou a Primeira Página sem manchete ou título, apenas texto ? uma capa marcante na imprensa brasileira.

Caro Alberto Dines, gostaria de que o O.I. fizesse uma discussão a respeito do tema Jornalistas x Assessores de Imprensa. Qual deve ser a relação entre os dois? Onde começa o direito de um e termina o do outro? Há que haver respeito nesta relação? Alguém deve se humilhar? Sou assessor de imprensa e me sinto humilhado toda vez que tenho que conversar com os “senhores da notícia“. Tarcis

Caro Fabiano Golgo, agradeço sua mensagem e aproveito para lhe passar algumas informações. 1) O Jornal da Band já está sendo apresentado às 19h30, e com bons resultados: a audiência média triplicou e os picos são surpreendentes. 2) Do ponto de vista do conteúdo, estamos nos mantendo fiéis à linha histórica da Band: independência, isenção, inconformismo, compromisso com os cidadãos e vigilância permanente.

Valdir Zwetsch, editor-chefe do Jornal da Band

Fabiano Golgo responde: Caro Valdir, em primeiro lugar, parabenizo a equipe do Jornal da Band pelos merecidos resultados na audiência do noticiário que ainda considero o melhor da TV brasileira. Também te parabenizo por manter o diálogo mesmo com quem criticou a possibilidade de o JB se tornar um clone do JN ? o que erroneamente previ ? e provar que, de fato, a Band manteve sua histórica tradição de seriedade em jornalismo.

Parabéns, Teresa, pelo artigo. Faço minha a sua indagação ? que fim levou o Paulo Henrique Amorim? Como você, acho que o O.I. poderia ajudar nessa busca. Como, não sei. Não entendo a falta de solidariedade dos jornalistas nesse e em outros casos de sumiço de colegas. Não se trata de corporativismo, e sim de solidariedade em favor do interesse público. Afinal, o homem vinha fazendo um jornal de primeira qualidade, e até mesmo revolucionário. Diferente dos padrões e muito inteligente.

Mas não é a primeira vez que isso acontece. Algo semelhante, entre outros casos, ocorreu quando sumiram com o Ricardo Noblat, que estava, na ocasião ? passagem para o governo Collor ?, no Jornal do Brasil. O jornalista desapareceu e os leitores ficaram sem saber a razão durante algum tempo. Seria corporativismo dos donos de jornal? Algo como que um “purgatório”, para deixar de ser abusado? Ou “gostamos de você, mas nada podemos fazer, afinal somos uma máfia bem organizada”?

Esse triste episódio do nosso jornalismo é muito intrigante e precisa ser esclarecido.

José Rosa Filho

xxx

Cara Teresa Barros, também faço a mesma pergunta sobre Paulo Henrique todas as noites no horário nobre. Sinto muito a falta do jornal, que para mim era o melhor. Durante um certo tempo, minha geração (tenho 21 anos) teve a oportunidade de ver o que era um telejornal de verdade, não preocupado com sensacionalismo ou audiência, mas com qualidade e realidade. Se Paulo Henrique soubesse da falta que faz para quem gosta de jornalismo, voltaria imediatamente. Por favor, se souber do paradeiro do estimado jornalista, publique em seus próximos trabalhos.

Aproveito para elogiar o Observatório da Imprensa. Gostaria de voltar no tempo, assim poderia ter acessado a revista e absorvido as informações para ter uma outra perspectiva ao entrar na faculdade de Jornalismo. Mas o O.I. com certeza fará parte do meu futuro como jornalista, pois só tenho a aprender com tantas pessoas competentes e extraordinárias. Obrigada pela atenção,

Luciana Melara Zachini

xxx

Eu também me faço a mesma pergunta. Onde estará Paulo Henrique Amorim, o “PhD” do jornalismo? Depois de assistir à estréia do Linha Direta, do Marcelo Resende, acho que só este repórter é capaz de desvendar o mistério. Até porque ele contaria com apoio da população, que ao ver a cara do “procurado” na tela se sensibilizaria para ajudar na busca.

Então, eis minha contribuição: se você viu alguém parecido com Paulo Henrique Amorim por aí, escreva, entre em contato. E você, PHA, se me lê em algum lugar deste ou de outro planeta, volte. Você faz falta na nossa telinha.

Lígia Mostazo

A Folha não agiu coerentemente, nem mesmo com relação à sua orientação de atender o leitor médio, numérico, estatístico. Incomodou-se com um observatório que o leitorado majoritário não lê! O Observatório não tem infográfico, não tem pesquisa nem nada daquilo que a Folha considera essencial que um jornal tenha; enfim, tem cara de leitura chata para “gente grande”, que deve afastar a massa dos leitores que engolem folhices, vejices e que tais. Então, por que o medo do Observatório?

Spacca

Esta é sobre o artigo “Filomena é personagem à procura de um autor”, publicada na Folha de 22/5/99, por Nélson de Sá, enquanto o colunista José Simão viajava. O problema é que Nélson de Sá também “viajou”: comparou as caretas da chula personagem Filomena, interpretada pela histriônica atriz Goretti Milagres, com os clowns da comedia dell?arte. Goretti é tão refinada quanto Nélson é um clown da Ilustrada. Saia dessa, amigo, aqui em BH a gente sabe que a moça sempre teve afinidade com o brega da Praça é nossa, e palavrões são seu habitat. Intelectuais deveriam saber identificar quem é anti-intelecual. Atenciosamente,

Lúcio Jr.

Parabéns pelo programa [Observatório da Imprensa na TV], que consegue debater em alto nível a questão da ética na comunicação. Agora uma pergunta: foi impressão minha ou o Jornal Nacional de sexta-feira 14/5 não noticiou o grid de largada da prova Rio 200? Ao menos no bloco em que se falou de futebol (Flamengo e Palmeiras) e dos treinos em Mônaco, nada foi dito.

Qual seria a razão? O fato de a prova da Indy ser transmitida pelo concorrente SBT? E a notícia de uma prova da Indy ser realizada no Rio não é importante? E o fato de um brasileiro ser pole position também não? O telespectador da Globo não merece saber dessas coisas?

Renato Delmanto, editor do Caderno de TV do Jornal da Tarde

O trabalho de vocês, especialmente do A.D., é o melhor que se pode ver na rede brasileira (apesar de estar sediado no UOL). Agora, o pedido abusado: gostaria que vocês dessem uma olhada na entrevista do Olívio Dutra nas páginas amarelas da Veja. Os repórteres não me pareceram muito honestos, mas como o Olívio também estava muito “político”, acho que minha visão pode estar embotada pela minha ideologia. Antecipadamente grato,

José Afonso R. Queiroz

Nota do O.I.: O próprio José Afonso, atendendo a pedido do O.I., escreveu sobre o assunto, no Feitos & Desfeitas desta edição. Ficamos muito gratos.

xxx

Sobre a ridícula Veja e tantas outras cositas, pau neles, meu irmão. Pau naqueles que insistem em fazer da imprensa um balcão de secos e molhados (de segunda categoria, por sinal). Se acessar é a forma de apoiar, continuarei a estar aqui todos os dias. Inté.

Alencar Andrade, Belo Horizonte

xxx

Indignado com a falta de respeito profissional, venho colocar vocês a par do que está ocorrendo na revista Veja. O fotógrafo Frederic Jean foi demitido porque simplesmente saiu para uma pauta sem a assinatura de autorização. Em comunicado coletivo, o editor-executivo Eduardo Oinegue, responsável pela autorização das fotos, informou que Jean estava sendo cortado por ter descumprido uma ordem. No mesmo dia, a editora Angélica Santa Cruz pediu demissão, em solidariedade ao fotógrafo. Ainda sem confirmação, a editora-executiva Laura Capriglione deixou a revista pelo mesmo motivo. Foi ela que teria autorizado o fotógrafo a sair para a pauta especial. Outras demissões ainda podem ocorrer nos próximos dias.

Essas saídas escondem o fato de que houve uma briga política do gênero “quem tem poder dentro da Veja“. O leitor dificilmente perceberá tais mudanças. Mas o resultado é desastroso, pois nós, jornalistas, vemos que está se optando pela burocratização da profissão e também por uma certa “limpeza étnica”. Explica-se: Laura Capriglione nunca fez parte do clubinho instalado na cúpula da revista, que hoje em dia dita o formato Veja.

Infelizmente, e por razões óbvias, não posso me identificar. O sindicato deveria interferir, pois profissionais estão sendo escorraçados de seus postos simplesmente por serem competentes.

Imaginem se um dia um fotógrafo estiver na rua e vir um acidente. Como não tem requisição, não deve fazer a foto?

Jornalista anônimo

Fiquei feliz e muito emocionada ao assistir à história do Correio da Manhã no programa que comemorou o 1? aniversário do Observatório da Imprensa na TV. E mais ainda ao ler na nova edição do Observatório da Imprensa fatos que meu avô me contava. Meu avô, Innocêncio Pillar Drummond, foi jornalista do Correio da Manhã desde 1940. Obrigada pela lembrança de um jornal tão brasileiro e também por me fazer relembrar meu vô Pillar. Um abraço carinhoso,

Valéria Alves

A TV brasileira, com exceção de TV Cultura de São Paulo, não tem qualidade. A TV depende de anúncios e parece que muitos anunciantes estão diminuindo. Se existisse um Órgão Verificador de Qualidade na TV em que o telespectador pudesse comentar, talvez a qualidade iniciaria.

Joel Robinson

xxx

O excesso de programas infantis e de futebol, como Cartão Verde e a transmissão de jogos, não é um sinal do atrelamento da TV Cultura ao mercado?

Fabricio Marques Franco

xxx

Hoje, posso afirmar, a TV Cultura tem uma programação que além de “educativa” é agradável de se ver, uma programação que prende o telespectador. Exemplos: Nossa língua portuguesa, que teve o mérito de “popularizar” o português. O jornal 60 minutos ? ao qual assisto diariamente há mais de dois anos e, em minha opinião, é um dos melhores da TV brasileira; Vitrine, Roda Viva, os maravilhosos documentários feitos pelo pessoal da Cultura (como o sobre o Centro de São Paulo e a cultura popular nordestina) e tantos outros. Edilene Barros

Prezado senhor Dines, depois de ler seu texto e mais algumas matérias sobre a movimentação da direita cruel ? PFL ?, chego à conclusão de que o único caminho que os excluídos devem seguir é o da guerra civil. O PFL, inclusive, vem seguindo silenciosamente orientações de militares que comungam com a mesma estratégia implantada em 64: entregar o país. FHC batizou esse grupo de “mentes mais flexíveis…”. O títere FHC já está dispensado de seu papel, e agora o lixo político da direita trabalha no sentido de tumultuar a mentalidade da nação, com o tal Projeto 2000, numa tentativa de ofuscar a subida de Lula nas pesquisas.

Por sinal, Lula está dispensado de resolver o Brasil. Particularmente, não acredito nessa democracia consentida, daí torço para que surjam outros morros da Mangueira solenemente raivosos, para acertarmos o passo desses grupelhos entreguistas. Quem viver, verá! Saúde e um grande abraço,

Wank Carmo

A Imprensa Alternativa está fazendo 35 anos. Na penúltima semana de maio de 64 surgia a revista Pif Paf , de Millôr Fernandes, considerada a primeira publicação alternativa, iniciando um fenômeno que foi de 64 a 85, durante toda a repressão da ditadura. Eu ainda não vi nada alusivo a essa data na imprensa, justamente quando o Millôr está prestes a retornar com outro projeto alternativo anunciado por ele, pelo Ziraldo e pelo Jaguar em entrevistas. Apenas a Gazeta Mercantil, em seu caderno regional do estado do Pará (Gazeta Mercantil Pará), publicou matéria feita por mim, lembrando a data.

Sugiro um programa sobre a Imprensa Alternativa, convidando jornalistas que participaram desse movimento tão importante para a imprensa brasileira. E também chamando Lúcio Flávio Pinto, que continua fazendo um belo trabalho aqui no Pará com o seu alternativo Jornal Pessoal (aliás, o mais antigo alternativo sobrevivente, graças ao empenho do Lúcio).

Foi reconhecido internacionalmente (ganhou o prêmio Paloma Della Pace na Itália) e, como sempre, não é conhecido no seu próprio país. O JP circula quinzenalmente no Pará e vive em extremas dificuldades financeiras. O jornal não aceita publicidade e, segundo Lúcio, o leitor é quem deve sustentar o projeto. O contato com Lúcio Flávio pode ser feito por e-mail: <jornal@amazon.com.br>.

Tenho uma página na Internet que trata da imprensa alternativa, em <http://sites.uol.com.br/imprens>, onde acontece o debate “De Pasquim a Bundas, qual a motivação para um novo fenômeno alternativo?”

Glauber Uchôa, Belém

Terá o Brasil alguma coisa para comemorar nos 500 anos? Na minha modesta opinião, não. Nosso país está jogado às traças. Não temos sequer um governo que veja o que se passa ? e não só no Planalto Central, mas em todo o país. Estamos nas mãos de um tal de FMI, que não tem compromisso com o povo, mas com os governantes, que solicitam empréstimos volumosos para pagar o que já estão devendo a outros e dão o sangue do povo em troca. Eduardo Soares dos Santos

Caro Dines, gostaria de parabenizá-lo pelo programa e de expressar minha profunda admiração ? é tanta que estou até usando a Internet, coisa que muito raramente faço, por preguiça, ignorância, falta de prática ou coisa que o valha. Iniciarei a faculdade de Comunicação em breve e espero pôr em prática o que tenho aprendido com vocês: aguçar o senso crítico, analisar as coisas por vários ângulos, ouvir, refletir. Mais uma vez, parabéns!

Geraldo Betzold Filho

xxx

Caro Dines, “O circo no país dos bacharéis”, que li no Jornal do Commercio (publicado em Pernambuco em 3/5/99), já tem seu valor pelo simples fato de ser bem escrito. Mas, vem a avantajar-se pela seriedade do conteúdo; pelo equilíbrio dos conceitos; pela eqüidistância das posições, válidos ainda agora, depois de surgirem mazelas outras, lamentáveis (e puníveis), mas incapazes de desvirtuar todo o Poder Judiciário. Parabéns por escrever bem. Não o cumprimento pelo conteúdo porque sou suspeito. Meu respeitável abraço,

Etério Galvão, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco

xxx

Escreveu Alberto Dines no artigo “Debray, um midiólogo que briga com a notícia” (20/0/99): “Debray, na realidade, é um ?media-critic?, um ?media-watcher? ou, para quem não entendeu, […] a plumagem […] tentação pós-moderna para as ?imposturas intelectuais?” .

Com a devida permissão e o perdão do cronista pelo trocadilho, eu acrescentaria ao currículo do Sr. Debray um “media-ocre”. A julgar pelas inúmeras notas levianas e tão freqüentes nos meios de comunicação atuais, o Sr. Debray tem feito escola. Vivas ao Observatório!

José Luis Drummond Alves, Rio

xxx

Estou aconselhando aos meus colegas da Unisinos ? Universidade do Vale do Rio dos Sinos, RS ? a lerem o Observatório. Toda a “massa” (sonho meu) deveria ler este jornal para diferenciar verdades e mentiras, intenções e realidade (quase sempre distorcida).

Daiana Duarte Bado

xxx

Caro Sr. Alberto Dines, não poderia deixar de parabenizá-lo! Minha última mensagem e minhas considerações sobre o programa de TV foram deveras agressivas. De fato, o O.I. na TV melhorou, pois o nível dos convidados também melhorou. Apesar disso, o programa sofre de um mal crônico: é muito curto. Isso faz com que seja superficial.

Também há outro problema: em nome de uma certo desejo de cordialidade com os convidados, sempre se procura fugir da polêmica, o que é lamentável! Prova disso foi o excessivo respeito (que cheira a subserviência) com o representante da Abert no último programa [25/5/99]. O indivíduo mereceria, pelas bobagens que disse (ele próprio reconheceu) respostas mais firmes em defesa das TVs públicas. Não foi argumentado o óbvio: ele estava quase pedindo reserva de mercado dos anunciantes para as emissoras privadas, como se não fosse um liberal que acredita na liberdade de as empresas anunciarem na emissora que considerem mais adequada a sua imagem.

De qualquer forma, o programa foi bom, mas pode melhorar muito. Volto a assistir, pelo menos até o momento em que me parecer interessante e imparcial.

Adauto Damásio, Valinhos, SP

xxx

Parabéns e muito obrigado, Miguel Chaia [que respondeu a comentários sobre o artigo Jornalismo do Granma, de Beatriz Wey. Ver remissão abaixo], pela aula de jornalismo. Viva o Observatório da Imprensa, que nos proporciona leitura desta qualidade.

José Rosa Filho

Caro José Rosa Filho, agradeço-lhe a gentileza de responder minuciosamente a minha observação. Raras vezes o leitor ? ou o internauta ? é alvo de tamanha atenção e tratado com tanto respeito. Recentemente, alguns leitores da Folha reclamaram de que o espaço que lhes deveria ser dedicado, no Painel do Leitor, vem sendo ocupado por autoridades públicas [ver remissão abaixo]. O Observatório ouve, de fato, o leitor. Parabéns! O senhor tem razão com relação à liberdade literária de que fala Cony. Sem ela, a linguagem fica estreita, estéril, limitada. Por isso mesmo, na esteira da Bíblia, citada pelo senhor, registro que a letra mata, mas o espírito vivifica. Obrigado também por relembrar as palavras do grande Herculano sobre o assunto. Cordialmente,

José Rubens Barbosa Júnior

Interessante o artigo de Marcos Santarrita intitulado “A imprensa como agente de desnacionalização da língua” [ver remissão abaixo], publicado no Observatório da Imprensa. Permito-me divergir de suas conclusões. É certo que a imprensa e os nossos desinformados jornalistas deixam-se emprenhar pelos ouvidos por não serem versados em línguas estrangeiras. Entretanto, o articulista claudica ao atribuir à imprensa a imensa influência do inglês em nosso vocabulário.

Carlos Araújo

 

É incrível como os “amigos” atrapalham. Sérgio Motta, quando era ministro, criou diversas situações constrangedoras para FHC, com suas embaraçosas declarações e pronunciamentos. Seu substituto e também amigo íntimo do presidente, Mendonça de Barros, está causando o maior embaraço ao governo. Portanto, a tese de que “os próximos são os verdadeiros adversários” vem se confirmando. Se não fosse o irmão, Collor teria cumprido o mandato. No suicídio de Vargas teve papel fundamental seu guarda-costas, Gregório Fortunato, envolvido no atentado da Rua Toneleros contra o jornalista Carlos Lacerda.

Napoleão Bonaparte, quando estava em Santa Helena, de onde só saiu morto, escreveu: “É verdade que fui pobremente apoiado por minha família… Muito já se disse da força de meu caráter, mas fui repreensivelmente fraco quanto à minha família, e eles todos bem sabiam disto. Após desaparecer a primeira tempestade de (minha) resistência, sua perseverança e teimosia sempre levavam vantagem, e eles faziam comigo o que desejavam. Cometi grandes erros a este respeito. Se cada um deles tivesse dado um impulso comum, poderíamos ter marchado juntos até os pólos; tudo teria caído frente a nós; nós poderíamos ter mudado a face do globo. Não tive a boa sorte de Gengis Khan, com seus quatro filhos, que não conheciam outra rivalidade senão a de servi-lo fielmente. Se eu fazia de um de meus irmãos um rei, ele imediatamente pensava de si mesmo como sendo rei ?pela graça divina?, tão contagiosa tinha se tornado essa frase. Não era mais um lugar-tenente no qual eu podia depositar confiança; era mais um inimigo do qual eu tinha que me acautelar. Seus esforços não tendiam a apoiar os meus, mas a fazê-los independentes… Eles na realidade passaram a olhar-me como um obstáculo… Pobres seres! Quando eu sucumbi, sua derrubada do trono não foi nem executada nem mesmo mencionada pelo inimigo (ela foi automática); e nenhum deles é hoje capaz de excitar um movimento popular. Abrigados pelo meu trabalho, eles gozaram das doçuras da realeza; eu sozinho suportei a carga.”

José Eduardo de O. Bruno

Caros, observem este convite para o lançamento desta empresa: oferece US$ 1.000 aos jornalistas que aparecerem… é no mínimo estranho e curioso.

José Vigilante

Convite

Caro Jornalista, você é nosso convidado especial para participar do lançamento da InternetCO Investments, o primeiro fundo de investimento voltado para o segmento de Internet do mercado brasileiro, que acaba de ser criado pelos executivos Pedro Mello e Luis Roberto Demarco. (…)

Apresente esse convite até as 9h na recepção do Restaurante Trio para transformá-lo em um título de US$ 1.000 conversíveis em ações do fundo de investimento da InternetCo Investments.

Pedro Mello e Luis Roberto Demarco, InternetCo Investments

Pedro Mello responde: Não imaginava que nosso convite para o lançamento da Internet.Co fosse causar constrangimentos à ética profissional. Por esse motivo, gostaria de esclarecer alguns tópicos. A iniciativa de distribuir ações do fundo de investimentos que será criado pela Internet.Co aos participantes do evento de lançamento da empresa não é direcionada apenas a jornalistas. Além da imprensa, estamos esperando para o lançamento da Internet.Co potenciais investidores e empreendedores que também receberam o mesmo convite. A idéia não é fazer disso um chamariz para a imprensa. A prática de distribuir ações de fundos de investimento é muito comum nos tempos de Internet, principalmente em empresas listadas para serem lançadas na bolsa, que estão oferecendo ações aos primeiros 1.000 visitantes do site ou número parecido.

De qualquer jeito, reforço que ninguém é obrigado a aceitar as cotas do fundo. Vale também esclarecer que ninguém sairá do evento com US$ 1 mil no bolso, mas sim com quotas do fundo que poderão ser convertidas a médio prazo e cuja liquidez não será inferior a alguns anos. Por favor, sintam-se à vontade para entrar em contato comigo e deixo desde já um pedido de desculpas pela ofensa inconsciente. Abraços, P. M.

 

LEIA TAMBEM

Procura-se Paulo Henrique

Ocaso do Correio da Manhã

Comentando Dora Kramer

Jornalismo do Granma

Desnacionalização da língua


Continuação do Caderno do Leitor

Use o e-mail para nos mandar sua contribuição

Para garantir a publicação de sua correspondência, use correio eletrônico. Críticas e denúncias contra veículos de comunicação citados nominalmente serão submetidas aos mesmos, para que tenham oportunidade de resposta simultânea à publicação da crítica ou denúncia.